O artista de efeitos especiais e diretor Screaming Mad George — nome artístico de Jōji Tani — morreu em 10 de fevereiro de 2026, aos 69 anos. O anúncio foi feito pela conta oficial de seu empresário no X (antigo Twitter) nesta segunda-feira (18). Conhecido por criar algumas das criaturas mais memoráveis do cinema de gênero nas décadas de 1980 e 1990, ele deixou marca em filmes como Predador, A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros dos Sonhos, A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos e Os Fantasmas se Divertem, além de ter dirigido a adaptação live-action de The Guyver (1991).
Quem foi Screaming Mad George e por que seu trabalho importa
Nascido no Japão, Tani começou a carreira como músico de punk rock na banda The Mad, onde já experimentava com maquiagem grotesca e performances teatrais sangrentas em videoclipes e shows. Essa estética visceral o levou a Nova York para estudar artes visuais e, posteriormente, a Hollywood, onde seu talento para efeitos práticos — próteses, animatrônicos, maquiagem protética e criaturas físicas — encontrou espaço em produções que definiam a era de ouro do terror e da ficção científica analógica.
Diferente do CGI que dominaria as décadas seguintes, o trabalho de George exigia escultura, moldagem, mecânica e uma compreensão tátil de como a luz incide sobre materiais reais. Suas criaturas tinham peso, textura e uma presença física que atores podiam tocar e reagir no set. Essa abordagem artesanal rendeu-lhe colaborações recorrentes com o diretor e produtor Brian Yuzna, parceiro em filmes como Society (1989), Noite do Terror 4: Iniciação ao Mal (1990), A Noiva do Re-Animator (1990), O Dentista 2 (1998) e Faust: Love of the Damned (2000).
Contexto: por que importa
A filmografia de Screaming Mad George lê-se como um mapa do cinema de gênero dos anos 80 e 90. Em Predador (1987), ele contribuiu para a icônica criatura caçadora desenhada por Stan Winston. Em Os Fantasmas se Divertem (1986), de John Carpenter, suas maquiagens ajudaram a dar vida aos seres que habitam a dimensão paralela. Na franquia A Hora do Pesadelo, foi responsável por algumas das transformações mais perturbadoras de Freddy Krueger e das vítimas nos terceiro e quarto filmes.
Para o público otaku, no entanto, seu crédito mais cultuado é a direção de The Guyver (1991), adaptação live-action do mangá Bio-Booster Armor Guyver de Yoshiki Takaya. Produzido por Brian Yuzna, o filme mistura ação tokusatsu, body horror e efeitos práticos elaborados — a armadura Guyver, os Zoanoides e as sequências de mutação carregam a assinatura visceral de George. Embora tenha recebido críticas mistas na época, tornou-se cultuado justamente pela fidelidade visual ao material original e pela qualidade artesanal dos efeitos, algo raro em adaptações ocidentais de anime/mangá daquela época.
Além do cinema, George projetou o monstro Cherubim para o segundo episódio da OVA Spirit Warrior (1988) e atuou como co-tradutor, ao lado de Yoko Umezawa, da edição de 1993 de Panorama of Hell de Hideshi Hino, lançada pela Blast Books — reforçando sua ponte entre a cultura pop japonesa e o mercado ocidental.
Reação dos fãs e da indústria
O anúncio da morte, feito meses após o falecimento real, pegou muitos fãs de surpresa. Nas redes sociais, artistas de efeitos especiais, diretores de terror e fãs de cinema de gênero prestaram homenagens destacando a influência de seu trabalho na estética "prática" que hoje vive um renascimento. Nomes como Guillermo del Toro e Adam Green já citaram George como referência em entrevistas passadas.
- Fãs de The Guyver relembraram cenas de transformação da armadura como exemplos de "efeitos que envelhecem bem".
- Comunidades de maquiagem protética citaram suas técnicas de "airbladder" (bolsas de ar sob a pele) para criar pulsação e movimento orgânico em criaturas.
- Colecionadores de behind-the-scenes compartilharam fotos raras de moldes originais de Zoanoides guardados em arquivos pessoais.
Não há, até o momento, comunicados oficiais de grandes estúdios ou da família além da nota do empresário. A viúva Miki e a filha Alice sobrevivem ao artista.
O legado artesanal que permanece
A morte de Screaming Mad George encerra um capítulo da história dos efeitos práticos — uma arte que, embora suplantada em volume pelo digital, mantém defensores ferrenhos justamente pela tangibilidade que George dominava. Seu trabalho em The Guyver segue como estudo de caso em cursos de efeitos especiais: como adaptar designs de mangá para a física do mundo real sem perder a expressividade exagerada do traço original.
Para quem deseja revisitar sua filmografia, os títulos essenciais estão disponíveis em plataformas de streaming e mídia física:
Predador (Prime Video), A Hora do Pesadelo 3 e 4 (Star+), Os Fantasmas se Divertem (Netflix), The Guyver (blu-ray importado / digital), Society (MUBI / Blu-ray Arrow Video).
Seu site oficial, screamingmadgeorge.info, mantém portfólio e biografia atualizados pelo espólio.


