Você teria coragem de encarar um tubarão que fala com a imponência de Nick Fury — o mentor dos Vingadores na Marvel — e a agressividade de Jules Winnfield de Pulp Fiction? No penúltimo episódio da quinta temporada de The Boys (série satírica de super-heróis do Prime Video), o personagem Profundo — interpretado por Chace Crawford — descobriu que nem mesmo o fundo do mar é mais um refúgio para suas crises existenciais. A participação especial de Samuel L. Jackson como a voz do tubarão Xander não foi apenas um easter egg de luxo; foi o veredito final sobre a irrelevância de um dos personagens mais patéticos da ficção contemporânea.
Samuel L. Jackson dá voz a Xander e bane Profundo do oceano
O fato é direto e cruel: após ser humilhado e descartado por Capitão Pátria (Antony Starr — o líder psicótico dos Sete), Profundo tenta buscar consolo na única coisa que teoricamente domina: o mar. Ao jogar uma lata de refrigerante na água em um momento de autocomiseração, ele é confrontado por Xander, um tubarão com a voz inconfundível de Samuel L. Jackson. O predador marinho não economiza nos palavrões — uma marca registrada do ator — para avisar que Profundo é persona non grata em todo o ecossistema aquático.
Xander revela que todas as criaturas marinhas sabem da responsabilidade de Profundo no desastre do vazamento de óleo no Alasca e que, se ele encostar um dedo na água novamente, será estraçalhado. O cameo de Jackson é curto, mas carrega o peso de décadas de papéis icônicos, como o mestre Jedi Mace Windu de Star Wars e Gelado de Os Incríveis. Ao colocar uma lenda de Hollywood para esculachar o herói mais zoado da série, o showrunner Eric Kripke entrega uma das cenas mais catárticas e humilhantes de toda a produção.
Contexto: por que o isolamento marinho é o fim da linha
Para entender por que isso importa, precisamos olhar para a trajetória de Profundo. Ele sempre foi uma paródia ácida do Aquaman (herói da DC Comics), mas enquanto o personagem dos quadrinhos impõe respeito, a versão de The Boys é definida pelo abuso de poder, insegurança e uma carência afetiva bizarra por moluscos. Ao longo de cinco temporadas, vimos Profundo tentar se redimir através de seitas (a Igreja do Coletivo) e falhar miseravelmente ao escolher o lado mais fácil: a submissão total ao Capitão Pátria.
O aviso de Xander é o fechamento de um ciclo de avisos ignorados. Trem-Bala (Jessie T. Usher — o velocista que recentemente buscou redenção) já havia alertado Profundo que a lealdade cega à Vought (a corporação que gerencia os heróis) o deixaria sem nada. Ao ignorar o conselho de ter "espinha dorsal" e fazer o que é certo, Profundo selou seu destino. Sem a conexão com o mar, ele perde sua identidade. Ele não é mais o "Lorde dos Sete Mares"; ele é apenas um homem de meia-idade, irrelevante e odiado, que não pode nem tomar um banho de mar sem ser caçado.
Reação dos fãs: a internet celebra a queda do herói
A reação do público nas redes sociais foi de deleite absoluto. Profundo é aquele tipo de vilão/antagonista que os fãs amam odiar, e vê-lo ser ameaçado por Samuel L. Jackson gerou uma onda de memes imediatos. A crítica especializada aponta que o uso de uma voz tão reconhecível serve para enfatizar o contraste entre a grandeza (Jackson) e a pequenez (Profundo).
| Elemento | Impacto na Narrativa |
|---|---|
| Voz de Samuel L. Jackson | Traz autoridade e um tom de ameaça real e cômica. |
| Ameaça de Xander | Retira o último refúgio e poder do personagem. |
| A reação de Profundo | Confirma sua covardia ao deixar um homem afogar. |
Muitos fãs destacaram a ironia da cena seguinte: Profundo, com medo da ameaça do tubarão, assiste a um homem se afogar sem mover um dedo para ajudar. Alguém filma a cena, garantindo que sua reputação pública — já fragilizada — seja destruída de vez. O mercado de entretenimento vê isso como o ápice do cinismo da série, mostrando que, em The Boys, nem mesmo os animais são puros; eles também guardam rancor e praticam política.
O que esperar da reta final de Profundo
Com o encerramento da série se aproximando, a tese defendida por muitos — e reforçada por este episódio — é que Profundo não terá uma morte heroica ou sequer uma morte digna. Ele está destinado ao esquecimento. Argumentos a favor dessa visão incluem:
- Perda de utilidade para o Capitão Pátria: Sem o apoio do mar, ele não serve para as missões táticas da Vought.
- Exposição pública: O vídeo dele sendo covarde no píer deve viralizar, tirando seu sustento como celebridade.
- Falta de aliados: Ele traiu a confiança de todos os seus colegas e agora é caçado pelos próprios "amigos" marinhos.
Por outro lado, há quem defenda que ele pode ter um último momento de explosão violenta, tentando provar seu valor de forma desesperada, o que geralmente termina em tragédia sangrenta em The Boys. Independentemente do que aconteça, a participação de Xander deixou claro que o oceano já deu seu veredito.
O lado que ninguém tá vendo
A grande sacada dessa participação de Samuel L. Jackson não é apenas a piada, mas o que ela diz sobre o mundo de The Boys. A série sempre usou os animais para mostrar a hipocrisia de Profundo (quem não lembra da lagosta ou da baleia?), mas dar uma voz humana e articulada a um tubarão eleva o nível do debate. Isso sugere que os animais marinhos na série têm uma consciência política e social muito maior do que o próprio herói que deveria representá-los.
Onde isso pode dar? Provavelmente em um final onde Profundo termina exatamente como começou: sendo um ninguém. Mas agora, com o agravante de ser um ninguém que teme a própria água. Se o Capitão Pátria é o monstro que todos temem, Profundo tornou-se o erro que todos desprezam. A entrada de Jackson na série foi o ponto final necessário para uma piada que durou cinco temporadas, mas que agora perdeu a graça para o personagem, tornando-se sua sentença de morte social.


