TL;DR: Samsung e TSMC confirmam a compra de máquinas de litografia EUV de alta numeração (high NA) da ASML, cada uma custando cerca de US$ 400 milhões, e aderem à mudança tecnológica que pode elevar a produção em até 40 %.
Samsung Electronics: foco em memória avançada
O conglomerado sul-coreano anunciou que pretende integrar as novas máquinas high NA EUV da ASML em sua linha de produção de memória até 2028. O objetivo principal é reduzir o tamanho dos nós de processo, permitindo chips de memória com maior densidade e menor consumo energético – requisitos críticos para smartphones, tablets e laptops de última geração.
Além do investimento direto nas máquinas, a Samsung está desenvolvendo um ecossistema interno de fontes de luz mais potentes e espelhos de alta precisão, alinhado às especificações da ASML. Essa estratégia visa não apenas melhorar a taxa de rendimento (yield), mas também acelerar o ciclo de lançamento de novos produtos, algo essencial num mercado onde a cada seis meses surgem novas gerações de dispositivos.
- Investimento previsto: cerca de US$ 400 milhões por máquina, com múltiplas unidades planejadas.
- Prazo de implantação: início da produção em 2028.
- Benefícios esperados: densidade de memória até 30 % maior, consumo energético reduzido em 15 %.
Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC): chips de alto desempenho para IA
A TSMC, maior foundry do mundo, divulgou que começará a usar as máquinas high NA EUV da ASML a partir de 2030 para fabricar os chips mais avançados de seus clientes – AMD, Apple, NVIDIA e Qualcomm estão na lista. O foco aqui não é apenas densidade, mas também a capacidade de produzir transistores menores que 5 nm, essenciais para acelerar cargas de trabalho de IA em data centers.
Um ponto crucial da estratégia da TSMC é a adoção conjunta com a Intel de uma mudança de tecnologia que, segundo a empresa, pode elevar a produção em 40 % nas novas plataformas. Essa mudança envolve a transição para máscaras fotográficas de formato maior (12 polegadas), que combinam melhor com o feixe de luz mais intenso das máquinas high NA EUV.
- Ampliação das máscaras para 12 polegadas, reduzindo o número de exposições por wafer.
- Integração de fontes de luz de tungstênio fundido, gerando plasma a 200 000 °C.
- Otimização de algoritmos de correção óptica para maximizar a resolução.
Essas melhorias são particularmente relevantes para os clientes da TSMC que demandam chips com alto número de núcleos e grande largura de banda, como os processadores de IA da NVIDIA e os SoCs da Apple.
Intel: apoio à mudança tecnológica
Embora a Intel não tenha anunciado a compra de novas máquinas high NA EUV, ela se juntou à Samsung e à TSMC na assinatura de um acordo que oficializa a mudança de tecnologia de máscaras fotográficas. Essa colaboração demonstra que a indústria está convergindo em torno de um padrão que pode ser decisivo para manter a Lei de Moore viva nos próximos anos.
A Intel tem interesse em garantir que seus próprios fabs – especialmente os que produzem chips de processo 7 nm e abaixo – possam se beneficiar da mesma elevação de rendimento que a Samsung e a TSMC esperam. O apoio da Intel também sinaliza confiança na viabilidade econômica das máquinas de US$ 400 milhões, que, apesar do preço alto, prometem retorno rápido graças ao aumento de produção.
Comparativo técnico e de mercado
| Aspecto | Samsung | TSMC | Intel (parceria) |
|---|---|---|---|
| Objetivo principal | Memória de alta densidade para dispositivos móveis | Chips de alto desempenho para IA e data centers | Alinhamento de processos e aumento de rendimento |
| Data de início de uso | 2028 | 2030 | Em fase de testes, alinhado ao roadmap de 2028‑2030 |
| Investimento por máquina | ~US$ 400 M | ~US$ 400 M | Não divulgado, mas participação em R&D |
| Benefício de produção | +30 % de densidade, -15 % de consumo | +40 % de rendimento, nós <5 nm | Sincronização de tecnologia de máscara 12" |
| Clientes-chave | Próprios produtos de memória | AMD, Apple, NVIDIA, Qualcomm | Uso interno e licenciamento futuro |
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Para os profissionais de hardware que acompanham a cadeia de suprimentos, a notícia indica duas tendências claras: primeiro, a consolidação da litografia high NA EUV como padrão de produção para chips acima de 5 nm; segundo, a importância da mudança de máscara fotográfica para melhorar o rendimento sem inflar ainda mais o custo das máquinas.
Se você é entusiasta de smartphones e gadgets de consumo, a decisão da Samsung tem impacto direto nos lançamentos de dispositivos com maior capacidade de armazenamento e bateria mais duradoura. A redução de consumo energético nos módulos de memória pode se traduzir em telas que permanecem mais tempo ligadas e carregamentos mais rápidos.
Para quem acompanha o mercado de IA e data centers, a agenda da TSMC é a que realmente movimenta o cenário. Chips produzidos com a tecnologia high NA EUV vão alimentar os servidores que treinam modelos de linguagem e visão computacional, além de acelerar a entrega de serviços em nuvem.
Por fim, a participação da Intel reforça que a mudança de tecnologia não é um movimento isolado de um único player, mas um consenso da indústria para garantir que a curva de evolução dos semicondutores continue ascendente. Se você acompanha a bolsa de tecnologia ou investe em ações de fabricantes de chips, vale observar como esses investimentos em equipamentos de US$ 400 milhões serão refletidos nos resultados financeiros nos próximos trimestres.
O que falta saber
Embora as datas de implantação estejam definidas, ainda há incógnitas sobre a disponibilidade de fontes de luz de tungstênio fundido em escala industrial e sobre a capacidade dos fornecedores de máscaras de atender ao volume exigido pelas três empresas. Também não há informações públicas sobre o plano de amortização desses equipamentos, algo que pode influenciar o preço final dos chips para o consumidor.
Além disso, a comunidade de pesquisa ainda aguarda dados concretos sobre o ganho real de 40 % de produção – números preliminares apontam para melhorias, mas a validação em larga escala ainda está por vir.
Vale a pena?
Para quem acompanha a evolução tecnológica, a adoção das máquinas high NA EUV da ASML por Samsung e TSMC representa um marco decisivo: a capacidade de imprimir padrões menores com maior precisão abre caminho para chips que vão alimentar a próxima geração de IA, realidade aumentada e dispositivos conectados. O preço elevado das máquinas ainda é um obstáculo, mas o retorno esperado em eficiência e performance parece justificar o investimento para os gigantes do setor.
Em termos de impacto no consumidor brasileiro, a principal consequência será a chegada de smartphones e laptops mais potentes, com melhor autonomia de bateria e recursos de IA mais avançados. Para profissionais de TI e desenvolvedores, a disponibilidade de chips mais rápidos pode acelerar projetos de computação de alto desempenho no país.
FAQ
- Quando a Samsung começará a usar as máquinas high NA EUV? A produção com as novas ferramentas está planejada para iniciar em 2028.
- Qual a principal vantagem da mudança de máscara fotográfica? Ela permite um aumento de até 40 % no rendimento de produção, reduzindo o número de exposições por wafer.
- Quanto custa uma máquina high NA EUV da ASML? Cada equipamento pode chegar a US$ 400 milhões, preço que inclui o sistema de laser, espelhos e software de controle.


