Rosé, vocalista do BLACKPINK, revelou em entrevista à ELLE Korea que está gravando seu próximo álbum na Coreia, aproveitando o calor e a umidade do verão como fonte criativa, e que o processo a fez encarar partes desconhecidas de sua própria identidade.
O que aconteceu
Na edição de setembro da ELLE Korea, Rosé sentou-se para conversar sobre o que vem por aí. Ela afirmou que o verão representa, para ela, um período de produção musical, auto‑exploração e definição de som. "Trabalhar em um álbum é mergulhar em cada fragmento de mim mesma", disse, admitindo que, durante as sessões, acabou encontrando facetas que preferiria evitar. A artista descreveu a experiência como "uma cápsula do tempo" que contém tudo o que viveu nos últimos anos.
Além da música, Rosé compartilhou reflexões sobre o conceito de lar. Depois de anos vivendo entre turnês e gravações ao redor do globo, ela percebeu que “casa” não é apenas um espaço físico, mas a capacidade de transformar qualquer lugar em um refúgio. Essa mudança de mentalidade também se refletiu em sua rotina: antes workaholic, agora aceita tirar um tempo para simplesmente descansar no sofá ou secar o cabelo sem culpa.
Ela ainda revelou hobbies simples que a ajudam a encontrar equilíbrio – colecionar potes de armazenamento e praticar origami. "Existem tantas alegrias grandes e pequenas no mundo, e eu quero me lembrar de que tudo bem aproveitar a vida que tenho agora", concluiu com um sorriso.
"No final, a resposta foi ouvir o que meu coração dizia, confiar nele e seguir em frente", disse Rosé.
Como chegamos aqui
Para entender a importância desse momento, é preciso recuar ao último ciclo da carreira de Rosé. Desde sua estreia com o BLACKPINK em 2016, a artista tem sido a cara internacional do grupo, participando de turnês mundiais, campanhas de marcas de luxo e colaborações musicais. Em 2021, lançou seu primeiro single solo, "On The Ground", que mostrou um lado mais introspectivo e pop‑rock, seguido por "Gone" em 2022, que aprofundou ainda mais seu lado melódico.
Esses lançamentos solo abriram espaço para que Rosé experimentasse sonoridades distintas, mas também a deixaram em um limbo criativo: ela se perguntava se sua voz poderia sustentar um álbum completo sem a estrutura de um grupo. Nos últimos dois anos, a cantora admitiu que se questionou sobre a confiança em sua própria voz, mas acabou encontrando força ao se reconectar com suas raízes e ao aceitar suas vulnerabilidades.
O clima de 2025‑2026 trouxe um novo desafio – gravar em Seul durante o verão. A famosa umidade coreana, que costuma ser inimiga de equipamentos eletrônicos, agora se torna parte da narrativa sonora do álbum. Essa escolha, segundo Rosé, não foi apenas logística; foi simbólica, pois a intensidade do clima reflete a intensidade emocional que ela está disposta a colocar nas faixas.
- 2016 – Debut com BLACKPINK.
- 2021 – Lançamento de "On The Ground" (primeiro single solo).
- 2022 – "Gone", aprofundamento do estilo melódico.
- 2024 – Turnê mundial do BLACKPINK, intensificando a vida itinerante.
- 2026 – Entrevista à ELLE Korea, anúncio da gravação do novo álbum.
Essa cronologia demonstra que a artista está em um ponto de inflexão: a experiência acumulada a coloca pronta para assumir um projeto que mescla a energia pop do grupo com a sensibilidade de suas canções solo.
O que vem depois
Embora a data de lançamento ainda não tenha sido confirmada, a expectativa é que o álbum chegue ao final do próximo verão, aproveitando o ciclo que Rosé descreve como seu período criativo. O som prometido pode misturar elementos de R&B, pop alternativo e até influências de música tradicional coreana, tudo temperado pela "umidade" que ela citou como inspiração.
Para os fãs, a notícia traz duas implicações claras. Primeiro, há a promessa de um trabalho mais pessoal, onde Rosé não apenas canta, mas narra sua própria jornada. Segundo, a escolha de gravar em Seul pode abrir portas para colaborações com produtores locais, trazendo um frescor ao K‑pop que já está saturado de fórmulas repetitivas.
Do ponto de vista da indústria, o álbum pode servir como um case de estudo sobre como artistas de grupos de sucesso podem se reinventar sem perder a identidade coletiva. Se Rosé conseguir equilibrar a intimidade das letras com a produção de alto nível esperada de um membro do BLACKPINK, o projeto pode definir um novo padrão para projetos solo dentro do universo K‑pop.
Além da música, o discurso da cantora sobre “casa” e “descanso” pode influenciar a forma como agências lidam com o bem‑estar de seus artistas, incentivando pausas criativas e momentos de introspecção. Essa mudança de mentalidade, embora sutil, pode ter repercussões duradouras na cultura de produção musical sul‑coreana.
Onde isso pode dar
Ao colocar a vulnerabilidade no centro do processo criativo, Rosé está desafiando a imagem de perfeição que muitas idols mantêm. Essa postura pode inspirar outras artistas a abraçarem suas fraquezas como fonte de autenticidade, gerando um movimento de maior transparência nas entrevistas e nas redes sociais.
Se o álbum alcançar sucesso comercial, ele pode abrir caminho para que mais idols explorem temáticas introspectivas, afastando-se das fórmulas de “hit instantâneo”. Por outro lado, caso a proposta seja recebida com frieza, isso pode reforçar a ideia de que o público ainda prefere o brilho coletivo do grupo ao risco de projetos solo mais pessoais.
Independentemente do resultado, o fato de Rosé estar disposta a “ouvir o coração” e transformar a experiência de viver sozinha em arte já representa um passo significativo para a evolução da cultura pop sul‑coreana. O que ainda está por vir será, sem dúvida, um termômetro da disposição dos fãs em acompanhar essa jornada de autodescoberta.


