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River City Saga: Journey to the West e a satira que a franquia precisava

· · 4 min de leitura
Kunio e seus amigos lutando contra inimigos em um cenário urbano estilizado com elementos de artes marciais
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O absurdo como motor de inovação

River City Saga: Journey to the West — o mais novo título da longeva franquia de beat 'em up da Arc System Works — acaba de ganhar seu trailer oficial, e a premissa é tão bizarra quanto genial. Ao colocar Kunio, o protagonista icônico da série, e seu elenco de arruaceiros no papel dos lendários personagens da mitologia chinesa Jornada ao Oeste, a desenvolvedora UnitePlus não está apenas reciclando assets; ela está injetando um senso de humor autoconsciente que a série precisava desesperadamente para se manter relevante no mercado atual.

A pergunta que fica é: será que a transição para o gênero roguelite vai alienar os puristas que só querem distribuir sopapos na rua, ou será que essa é a evolução natural para uma série que vive da nostalgia dos anos 80 e 90? A minha aposta é que o caos gerado por essa mistura de mecânicas vai ditar o tom dos próximos anos da franquia.

Por que essa mudança de rumo é um acerto (e um risco)

A estrutura de roguelite permite que a Arc System Works brinque com a progressão de uma forma que os beat 'em ups lineares nunca permitiram. Aqui estão os pontos principais sobre o que esperar dessa nova jornada:

  1. O sistema de progressão roguelite: Ao contrário dos jogos tradicionais da série, onde você apenas segue para a direita, aqui cada tentativa é única. A promessa de 80 habilidades secretas diferentes garante que nenhuma partida seja igual, forçando o jogador a adaptar sua estratégia em tempo real conforme os deuses concedem (ou negam) buffs durante o progresso.
  2. Três estilos de luta distintos: A troca entre Sun Wukong (foco em velocidade), Zhu Bajie (foco em força bruta) e Sha Wujing (foco em longo alcance) traz uma profundidade tática que estava faltando. Não é apenas sobre apertar botões, mas sim sobre entender qual 'Kunio' funciona melhor para o desafio atual.
  3. Humor metalinguístico: Ver os rostos familiares de River City ocupando papéis de divindades e demônios folclóricos é, por si só, uma comédia. O trailer deixa claro que o jogo não se leva a sério, e esse é o maior trunfo: ele abraça a galhofa de ser um jogo de briga de rua com elementos místicos sem medo de ser ridículo.
  4. Replayability vs. Narrativa: O maior risco aqui é o sacrifício da história coesa em prol da repetição do gênero. Jogos roguelite muitas vezes esquecem de dar um propósito real para o jogador além de 'ficar mais forte', e espero que a Arc System Works não tenha deixado a alma da série — que é o drama escolar e as rivalidades — de lado.
  5. Acessibilidade para novos jogadores: A estética pixel art e a jogabilidade frenética são um convite para quem nunca tocou em um jogo do Kunio-kun. É uma porta de entrada muito mais amigável do que os títulos anteriores, que exigiam um conhecimento prévio quase enciclopédico da linha do tempo da série.

A verdade é que River City Saga: Journey to the West é uma aposta ousada. A indústria de jogos está saturada de roguelites, e aplicar essa fórmula a um beat 'em up clássico é um movimento que pode tanto revigorar o gênero quanto diluir o que torna River City especial. No entanto, a escolha de um tema folclórico tão rico permite que a criatividade dos desenvolvedores brilhe onde antes só havia asfalto e gangues de colégio.

Para os céticos, o argumento contra é claro: a essência do beat 'em up é a satisfação de limpar uma tela e avançar. Quando você introduz a aleatoriedade de um roguelite, você tira um pouco do controle do jogador. Se você é do tipo que gosta de memorizar padrões de inimigos e dominar combos perfeitos, a aleatoriedade das habilidades pode ser frustrante. Por outro lado, para quem busca longevidade, essa é a melhor notícia possível.

O lado que ninguém está vendo

O ponto cego de toda essa discussão é o impacto que esse jogo terá no catálogo da Arc System Works. Se este título for um sucesso, podemos esperar que a empresa abandone o formato clássico de beat 'em up em favor de estruturas mais modernas e monetizáveis? A transição de um jogo de ação focado em narrativa para um sistema de 'runs' infinitas é um sinal claro de que a indústria está mudando o foco para o engajamento de longo prazo. O jogo chega para playstation 5, switch e PC via Steam no dia 4 de junho, custando US$ 19,99. É um preço justo para uma proposta que, se bem executada, pode ser o 'time sink' perfeito para o verão.

Perguntas frequentes

River City Saga: Journey to the West é um beat 'em up tradicional?
Não exatamente. Embora mantenha o combate de briga de rua, o jogo adota elementos de roguelite, onde o jogador ganha habilidades aleatórias a cada nova partida e o progresso é focado em builds.
Quais plataformas receberão o jogo?
O título será lançado para PlayStation 5, Nintendo Switch e PC (via Steam) no dia 4 de junho.
Preciso ter jogado outros jogos da série River City para entender a história?
Não é necessário. Como o jogo utiliza uma premissa baseada no folclore Jornada ao Oeste, ele funciona como uma experiência isolada, embora conte com a presença de personagens recorrentes da franquia.
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