TL;DR: Ridley Scott anunciou que está reescrevendo o próximo filme da franquia Alien, focado na continuidade de Prometheus e Covenant. Essa decisão pode colocar a sequência de Alien: Romulus em risco, já que o estúdio ainda não definiu como conciliar os dois projetos.
Fato: Ridley Scott assume o próximo Alien como prequel
Em entrevista ao portal francês AlloCiné, o diretor Ridley Scott declarou que está “reescrevendo o próximo filme de Alien”. O cineasta, que já dirigiu os prequels Prometheus (2012) e Alien: Covenant (2017), afirmou que voltou ao projeto porque o último lançamento da série, Alien: Romulus (2024), foi “ok, mas precisa de ajuda”. Scott garantiu que tem uma “pegada” (footprint) para o próximo título, que seguirá a linha de Covenant, trazendo de volta o androide David, interpretado por Michael Fassbender, que agora se faz passar por seu sucessor Walter.
O diretor ainda citou o poema “Ozymandias”, de Percy Bysshe Shelley, como inspiração para aprofundar o complexo de divindade de David, indicando que o novo filme pretende explorar ainda mais a inteligência artificial fora de controle – um tema que, segundo ele, está mais relevante do que nunca.
Contexto: por que isso importa para a franquia
A série Alien sempre foi marcada por mudanças de tom e de direção. Enquanto James Cameron transformou o segundo filme em ação pura (Aliens), diretores como David Fincher e Jean‑Pierre Jeunet levaram a mitologia dos xenomorfos a territórios mais experimentais. Quando Fede Álvarez assumiu a franquia com Alien: Romulus, ele tentou reconectar o público com o horror clássico, resultando em um faturamento de US$ 350,9 milhões e renovando a confiança da indústria.
Entretanto, o desempenho de Prometheus e Covenant foi decepcionante nas bilheterias, e a própria Romulus ainda não tem diretor confirmado após a saída de Álvarez. A volta de Scott, portanto, pode ser vista como um esforço da 20th Century Studios para retomar o controle narrativo da franquia, mas também levanta dúvidas sobre onde o investimento será direcionado.
Além disso, a discussão sobre a presença de David em Romulus já gerou atritos internos. Se o novo prequel pretende integrar o androide ao final de Covenant, a continuidade lógica pode entrar em conflito com a proposta de Álvarez de afastar a série dos prequels e focar no terror puro.
Reação dos fãs/mercado
Os seguidores da saga se dividiram em duas frentes. De um lado, os puristas do horror celebram a ideia de um retorno ao clima sombrio e claustrofóbico que fez Alien um clássico. Do outro, os fãs de ficção científica e de narrativas mais amplas defendem a presença de David como elemento essencial para aprofundar a mitologia dos criadores.
Nas redes, hashtags como #RidleyScottAlien e #RomulusSequel trended nas últimas 48 horas. Comentários variam de “Finalmente alguém que entende a essência da série” a “Se o Scott vai colocar David de volta, a sequência de Romulus está morta”.
Do ponto de vista de mercado, analistas apontam que a 20th Century Studios ainda não divulgou um cronograma oficial. O presidente de produção, Steve Asbell, respondeu a um rumor de cancelamento da sequência de Romulus com um simples “não” em um post que foi deletado, alimentando ainda mais a especulação.
O que esperar: cenários possíveis
Com base nas declarações de Scott e nas informações disponíveis, podemos delinear três caminhos plausíveis para o futuro da franquia:
- Romulus adiado, mas mantido em desenvolvimento: o estúdio pode optar por colocar o prequel de Scott como prioridade, empurrando a sequência de Romulus para um horizonte indefinido, mas sem cancelá‑la oficialmente.
- Romulus cancelado em favor de um universo unificado: Scott poderia integrar o final de Covenant ao universo de Romulus, criando um único filme que sirva como ponte entre os prequels e o retorno ao terror, eliminando a necessidade de duas produções paralelas.
- Dupla produção simultânea: embora improvável devido ao orçamento, a 20th Century Studios poderia financiar ambos os projetos, lançando-os em intervalos curtos para manter o público engajado.
Independentemente do caminho escolhido, o foco de Scott em “IA fora de controle” indica que o próximo filme terá uma carga temática mais atual, possivelmente explorando cenários de colapso digital que ressoam com o debate global sobre inteligência artificial.
Onde isso pode dar
A aposta da redação é que a decisão de Scott pode ser um divisor de águas para a franquia. Se ele conseguir entregar um prequel que una ação, horror e reflexão sobre IA, a série pode ganhar um novo fôlego e atrair tanto fãs antigos quanto uma nova geração de espectadores. Por outro lado, ao relegar Romulus a segundo plano, a 20th corre o risco de alienar o público que já demonstrou entusiasmo pelo retorno ao terror clássico.
Além do aspecto narrativo, a movimentação tem implicações comerciais. Um filme centrado em David pode gerar merchandising de alta tecnologia (figuras de ação, colecionáveis de androides), enquanto um retorno ao horror puro costuma impulsionar vendas de itens de colecionador mais tradicionais (replicas de cápsulas de fuga, miniaturas de xenomorfos).
Em última análise, a indústria ainda está avaliando como equilibrar esses dois universos. O que sabemos com certeza é que, enquanto Ridley Scott estiver no comando, a franquia Alien continuará a provocar debates acalorados, e os fãs terão que esperar para descobrir se a sequência de Romulus sobreviverá ou se será enterrada sob a sombra de um novo prequel.


