A Associação da Indústria de Gravação do Japão (RIAJ) anunciou em 11 de outubro de 2026 uma nova leva de certificações de streaming: "APT." de Rosé e Bruno Mars e "Magnetic" da ILLIT conquistaram tripla platina ao ultrapassar 300 milhões de reproduções cada, enquanto "Spicy" da aespa, "SHEESH" da BABYMONSTER e "Way Back Home" de Shaun (com Conor Maynard, edição Sam Feldt) receberam platina por superarem 100 milhões de streams no mercado japonês.
Como funciona o sistema de certificação de streaming da RIAJ
Desde 2020, a RIAJ mantém um sistema paralelo às certificações físicas e de download: prata a 30 milhões, ouro a 50 milhões, platina a 100 milhões e tripla platina a 300 milhões de streams. O critério considera apenas reproduções em plataformas licenciadas no território japonês — YouTube Music, Spotify, Apple Music, Line Music, AWA e outras. Diferente de certificados de vendas, o streaming reflete consumo recorrente e longevidade, não apenas pico de lançamento.
APT.: o fenômeno global que dominou o Japão
Lançada em outubro de 2024, a colaboração entre Rosé — integrante do BLACKPINK — e Bruno Mars tornou-se o maior hit de K-pop no Japão em 2025. A música mistura refrão viciante em inglês com a estética "apateu" (apartamento) que viralizou no TikTok japonês. A tripla platina confirma que o single manteve tração muito além do hype inicial, sustentando médias diárias altas por mais de um ano. Para a carreira solo de Rosé, o marco consolida seu apelo no segundo maior mercado fonográfico do mundo.
Magnetic: estreia da ILLIT já entra para a história
Raro para um grupo rookie, "Magnetic" atingiu tripla platina em menos de 18 meses. O debut da ILLIT — grupo da HYBE via Belift Lab — combinou synth-pop leve, coreografia replicável e letra sobre atração magnética que caiu no gosto do público japonês, forte consumidor de girl groups. O feito coloca o single ao lado de poucos debuts femininos de K-pop a ultrapassar 300 milhões de streams no Japão, sinalizando base de fãs sólida e potencial de longevidade.
Spicy: aespa mantém consistência no mercado japonês
faixa do terceiro mini-álbum "My World" (2023), "Spicy" levou mais tempo para atingir a marca de 100 milhões, mas a platina reforça a presença constante da aespa no Japão. O grupo da SM Entertainment realiza turnês regulares no país e tem parceria com a Warner Music Japan para lançamentos locais. A certificação mostra que o catálogo do grupo gera receita recorrente via streaming, não dependendo apenas de lançamentos novos.
SHEESH: BABYMONSTER valida estreia com sete integrantes
Single de estreia do grupo de sete membros da YG Entertainment, "SHEESH" alcançou platina em cerca de um ano. O resultado é relevante porque o debut ocorreu em abril de 2024 com formação completa — diferentemente de grupos que estreiam com lineups reduzidas. A certificação indica que o mercado japonês abraçou o conceito "hip-hop teen" do grupo e que a estratégia da YG de promoção local (aparições em TV, parcerias com marcas japonesas) surtiu efeito mensurável.
Way Back Home: longevidade de um hit de 2018
A versão editada por Sam Feldt de "Way Back Home", original de 2018 do cantor sul-coreano Shaun com participação de Conor Maynard, recebeu platina em 2026 — oito anos após o lançamento. O caso ilustra como o catálogo antigo (back catalog) pode gerar certificações tardias quando playlists algorítmicas ou sincronizações em dramas/comerciais japoneses reativam a música. Shaun não é artista de K-pop mainstream, o que torna o marco ainda mais atípico.
Tabela comparativa: certificações de outubro de 2026
| Artista / Música | Certificação | Streams mínimos | Tipo de lançamento |
|---|---|---|---|
| Rosé & Bruno Mars — APT. | Tripla Platina | 300 milhões | Single de colaboração (2024) |
| ILLIT — Magnetic | Tripla Platina | 300 milhões | Debut single (2024) |
| aespa — Spicy | Platina | 100 milhões | Faixa de EP (2023) |
| BABYMONSTER — SHEESH | Platina | 100 milhões | Debut single (2024) |
| Shaun feat. Conor Maynard — Way Back Home (Sam Feldt Edit) | Platina | 100 milhões | remix de catálogo (2018/2024) |
Vereditos: o que cada certificação revela sobre o mercado
- Tripla platina (APT., Magnetic): indica hits que viraram "evergreen" no Japão — tocam em rádio, lojas, playlists de academia e karaokê. São músicas que o público geral (não só fãs de K-pop) consome.
- Platina em single de estreia (Magnetic, SHEESH): sinaliza que gravadoras estão acertando na estratégia de lançamento simultâneo global + promoção localizada no Japão (versões japonesas, eventos de handshake, TV).
- Platina em faixa de EP (Spicy): mostra força de catálogo; fãs ouvem o álbum inteiro, não só o title track.
- Platina tardia em remix (Way Back Home): alerta para o valor de longo prazo de direitos de sincronização e playlists algorítmicas no Japão.
O que fica no radar para os próximos ciclos
Com a RIAJ atualizando certificações mensalmente, espera-se que singles recentes de NewJeans, LE SSERAFIM e TWS atinjam platina até o fim de 2026. O critério de 100 milhões para platina continua acessível para hits virais, mas a tripla platina segue reservada a fenômenos de penetração cultural real no Japão. Para fãs brasileiros, as certificações servem como termômetro: músicas que conquistam platina japonesa costumam ganhar versões em português, coreografias em academias de dança por aqui e espaço em rádios pop — o ciclo de validação global passa, cada vez mais, por Tóquio.


