TL;DR: Zach Cregger lançou um novo filme Resident Evil que combina o terror clássico da franquia com sequências de ação mais ágeis, gerando tanto elogios quanto críticas entre os fãs.
O que aconteceu
O longa chegou às salas brasileiras em 28 de setembro, distribuído pela Paramount Pictures. A trama parte de um laboratório secreto da Umbrella Corporation, onde uma nova cepa de vírus é liberada acidentalmente durante um experimento de bioengenharia. A protagonista, Alice (interpretada por Emily Blunt), se vê novamente presa entre humanos infectados e criaturas mutantes, enquanto tenta desvendar um plano de sabotagem interna.
Ao contrário das duas versões anteriores dirigidas por Paul W. S. Anderson, Cregger optou por um tom mais sombrio e menos glamouroso. O filme abre com uma sequência de perseguição em um corredor de aço enfumaçado, onde a câmera acompanha de perto a respiração ofegante da heroína. A partir daí, o roteiro alterna entre momentos de puro horror — como a descoberta de corpos desmembrados nas salas de contenção — e explosões coreografadas que lembram os blockbusters de ação de 2020.
O final, sem spoilers aqui, deixa uma porta aberta para possíveis sequências, ao mesmo tempo que oferece um fechamento emocional para o arco de Alice. Essa decisão de dividir a narrativa entre horror e ação foi, desde o início, o ponto de discórdia entre críticos e fãs.
Como chegamos aqui
Para entender o porquê dessa mistura tão arriscada, é preciso recuar à história da franquia. O primeiro filme, Resident Evil (2002), foi uma adaptação livre dos jogos da Capcom, focando mais na ação do que no terror. As duas sequências seguintes seguiram a mesma fórmula, consolidando um estilo visual que, embora rentável, afastou parte do público que buscava o clima claustrofóbico dos games.
Nos últimos anos, a indústria cinematográfica tem assistido a um retorno ao horror de raiz — pense em It: Chapter Two ou The Conjuring. Esse movimento influenciou Cregger, que já havia dirigido o aclamado Barbarian, um thriller de sobrevivência que valorizava tensão psicológica sobre efeitos especiais exagerados. Ao assumir o projeto Resident Evil, ele trouxe essa bagagem, tentando reconciliar duas expectativas: a necessidade de um blockbuster comercial e o desejo de honrar a atmosfera original da série.
Além da direção, a escolha do elenco também refletiu essa dualidade. Emily Blunt, conhecida por papéis que mesclam vulnerabilidade e força (como em Edge of Tomorrow), foi escalada para dar mais humanidade à personagem que, em versões anteriores, era quase uma super-heroína invulnerável. O restante do elenco inclui veteranos de terror, como James Purefoy, que interpreta o antagonista corporativo, e novos talentos que trazem frescor à narrativa.
Do ponto de vista técnico, o filme utilizou câmeras de alta taxa de quadros para as cenas de ação, enquanto as sequências de horror foram filmadas em 35mm, conferindo um aspecto granulado que remete aos primeiros jogos de sobrevivência. Essa escolha estética reforça a ideia de que Cregger não está apenas querendo fazer um blockbuster, mas também quer devolver ao público a sensação tátil dos primeiros jogos.
O que vem depois
Com a estreia ainda fresca, o futuro da franquia parece dividido. Por um lado, a bilheteria inicial indica que o público ainda tem apetite por mais aventuras de Alice. Por outro, as reações nas redes sociais mostram que parte da base tradicional está incomodada com a ênfase nas sequências de ação, sentindo que o horror puro foi diluído.
Se a Paramount decidir continuar, provavelmente haverá duas linhas de produção paralelas: um spin‑off focado exclusivamente no terror de laboratório, talvez com um diretor mais especializado em suspense, e uma sequência que aprofunde a trama de ação, possivelmente explorando outras regiões do globo onde a Umbrella ainda tem instalações secretas.
Além disso, a própria Capcom tem sinalizado interesse em alinhar melhor seus jogos com as adaptações cinematográficas, o que poderia resultar em um universo compartilhado mais coeso. Uma colaboração estreita entre desenvolvedores e cineastas poderia garantir que futuros filmes mantenham a essência dos jogos enquanto aproveitam o potencial de grandes produções.
O lado que ninguém está vendo
O debate público costuma se concentrar na balança entre horror e ação, mas há um ponto menos discutido: a representação feminina no filme. Alice, ao contrário das versões anteriores, demonstra vulnerabilidade real — ela chora, duvida e, ainda assim, encontra força para lutar. Essa abordagem pode ser vista como um avanço narrativo, mas também abre espaço para críticas sobre a perpetuação do tropeço da "heroína sofrida" que ainda depende de um homem (ou de um agente da corporação) para alcançar a vitória final.
- Pró: Humaniza a protagonista, permitindo identificação emocional.
- Contra: Risco de reforçar estereótipos de fragilidade feminina.
Outra camada esquecida é a crítica implícita ao capitalismo descontrolado. A Umbrella Corporation, mais do que uma simples vilã, funciona como uma metáfora para corporações que jogam com a vida humana em busca de lucro. Cregger destaca isso nos diálogos entre executivos, mas o público pode não perceber a profundidade da mensagem em meio às explosões.
Por fim, a escolha de usar 35mm nas cenas de horror não é apenas estética; é um aceno ao passado da indústria cinematográfica, sugerindo que, mesmo em uma era digital, há valor em técnicas analógicas que criam uma sensação de nostalgia e autenticidade.
Para ficar no radar
O novo Resident Evil chega ao streaming da Paramount+ em 15 de outubro, permitindo que quem ainda não viu a experiência nas salas de cinema acompanhe a discussão em casa. Enquanto isso, os fãs podem acompanhar os bastidores nas redes sociais oficiais da Capcom, que prometem revelar detalhes sobre possíveis spin‑offs e teasers de futuras sequências.
Em resumo, o filme de Zach Cregger não é apenas mais um capítulo da saga; é um experimento que tenta equilibrar duas forças opostas da cultura pop. O sucesso ou fracasso desse equilíbrio determinará o caminho da franquia nos próximos anos.


