O que é a proposta de "Resident Evil Stories"?
Em uma conversa recente com o portal Very Gary Computing, Kenji Oguro — diretor da Capcom — lançou uma ideia que foge completamente do padrão de sobrevivência da franquia Resident Evil. A sugestão é criar um spin-off que aplique a lógica de Monster Hunter Stories (série de RPG que foca na criação e amizade com criaturas) ao universo de horror da Umbrella Corporation. Em vez de caçar e matar monstros, o jogador teria como objetivo principal curar os infectados pelo T-Vírus, revertendo-os à sua forma humana original.
A ideia, segundo Oguro, é inverter a interação básica do jogador com o mundo. Se em um título tradicional de Resident Evil o zumbi é um obstáculo a ser eliminado, aqui ele seria o foco de um sistema de progressão. O diretor admite que não se trata de "fazer amizade" com mortos-vivos, mas sim de uma abordagem científica e humanitária que mudaria drasticamente o ritmo do gameplay.
Como funcionaria um jogo de cura zumbi?
Embora a ideia possa soar estranha para os puristas que buscam apenas o "survival horror" clássico, Oguro traça paralelos interessantes com Dead Rising (franquia da Capcom focada em sobrevivência em shopping centers infestados). O conceito envolveria mecânicas de ação e quebra-cabeças em tempo real, onde o jogador precisaria isolar, tratar e salvar os infectados para liberar áreas do mapa ou obter recursos necessários para avançar.
Essa mudança de paradigma poderia trazer elementos que a franquia raramente explora:
- Gestão de recursos: Coleta de amostras e criação de antídotos em vez de apenas munição.
- Exploração estratégica: Decidir quais áreas priorizar para conter focos de infecção.
- Progressão baseada em cura: Recuperar personagens específicos que poderiam ajudar o jogador com habilidades únicas.
- Combate não letal: Uso de ferramentas de contenção em vez de armas de fogo.
Isso faz sentido para o fã brasileiro da franquia?
O fã de Resident Evil no Brasil é, historicamente, muito apegado à tensão e ao gerenciamento de inventário. A ideia de um "creature collector" de zumbis pode parecer, à primeira vista, um afastamento radical demais. No entanto, a Capcom já provou que consegue transitar entre gêneros, como vimos nos segmentos de furtividade e exploração em títulos mais recentes. A proposta de Oguro, se bem executada, poderia ser uma forma de expandir o lore da série sem necessariamente diluir o terror, mas sim mudando a perspectiva do que significa ser um sobrevivente em Raccoon City ou qualquer outro cenário de surto.
"Se o objetivo de um jogo 'Stories' é inverter a interação com o inimigo, então Resident Evil Stories seria sobre encontrar uma maneira de curar esses zumbis e devolver a humanidade a eles", comentou Oguro.
O que falta saber?
Por enquanto, não há nenhum projeto oficial em desenvolvimento. A fala de Oguro foi um comentário casual durante uma entrevista sobre o lançamento de Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection. Não existem datas, orçamentos ou sequer um protótipo confirmado pela Capcom. O que temos é apenas uma reflexão de um veterano da indústria sobre como as mecânicas de uma franquia podem ser adaptadas para injetar frescor em outra.
A pergunta que fica para os fãs é se o mercado aceitaria um jogo da franquia sem o foco no combate visceral. A Capcom é conhecida por ser experimental, mas também por proteger o legado de suas IPs mais valiosas. Por ora, o projeto permanece no campo das ideias, servindo mais como um exercício de pensamento sobre o futuro das marcas da empresa do que como um anúncio iminente.


