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Rensuke Oshikiri: violência de Geniearth, Hi Score Girl DASH e manga 'amaldiçoado'

· · 7 min de leitura
Mangaká faz agachamento com kettlebell entre quadros de Geniearth e controle arcade retrô
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Rensuke Oshikiri, o mangaká por trás de Hi Score Girl, Sayuri e Geniearth, deu uma entrevista rara contando por que trocou a nostalgia dos fliperamas dos anos 90 por uma ficção científica sangrenta, revelou que ainda manda ver em factorio e dark souls, e soltou o nome do manga "amaldiçoado" que uma livraria pediu pra ele nunca mais desenhar: Granba. A conversa rolou com o Kevin Cormack, do Anime News Network, e a Titan Manga tá trazendo Geniearth pro inglês em cinco volumes.

Quem é Rensuke Oshikiri e por que ele resolveu falar agora?

Se você acompanha anime/manga há algum tempo, o nome Rensuke Oshikiri provavelmente te soa familiar por causa de Hi Score Girl — aquela comédia romântica ambientada nos fliperamas dos anos 90 que virou anime em 2018 e fez todo mundo querer jogar Street Fighter II de novo. Mas o cara tem carreira longa e bem mais variada do que só "garota gamer fofa". Sayuri é terror sobrenatural com vingança, Geniearth é ação sci-fi ultraviolenta, e tem um monte de obra dele que nunca saiu do Japão. A Titan Manga licenciou Geniearth (publicado na Weekly Shōnen Champion entre 2021 e 2022) e a entrevista serviu pra apresentar o autor pro público ocidental além do nicho de Hi Score Girl.

Por que Geniearth é tão violento comparado a Hi Score Girl?

Essa foi a primeira pergunta da entrevista e a resposta do Oshikiri-san foi direta: "Minhas tendências violentas explodiram ao máximo." Ele não tá nem aí se leitor de Hi Score Girl vai estranhar. O primeiro leitor foi ele mesmo, seguido do editor Matsuoka-san. Se os dois curtiram, o resto que se vire. É aquela mentalidade de "faço o que quero ver" — e sinceramente, respeita. O cara desenha comédia, terror, romance, ação... e não pede desculpa pela mudança de tom.

Ele planeja os gêneros ou só desenha o que dá na telha?

Segunda opção, sem dúvida. Oshikiri confessou que "enjoa fácil" e comparou a troca de gênero com caminhar: "Você coloca o pé direito na frente, depois coloca o pé direito de novo? É exatamente o quanto eu quero testar todo tipo de gênero." Mas ele zoa a si mesmo na sequência: às vezes ele tenta variar, mas acaba fazendo a mesma coisa de novo — tipo querer ir nas termas de Yufuin (Kyushu) mas acabar indo nas de Atami, que ficam mais perto. "Quero muito corrigir esse hábito de pegar o caminho mais fácil!" Resumindo: ele muda de gênero quando cansa, mas às vezes a inércia vence.

Geniearth tem DNA de X-Men? Ele curte heróis ocidentais?

Tem sim — mutantes oprimidos, poderes misteriosos, a estrutura clássica. Oshikiri assumiu que assistiu "quase toda a série Marvel" e citou Heroes, The 4400, The Boys como referências. "Adoro histórias onde heróis usam poderes pra enfrentar vilões injustos. Todo mundo tem um herói dentro de si." Mas ele sacou na hora: "Não acham que meus personagens têm um olhar meio ameaçador? Eles não parecem heróis... o que talvez signifique que o que habita em mim não é um herói, mas um vilão! Oh dear, isso é um problema!" Humor seco nível mestre.

O protagonista que ganha poder apanhando: isso vem de experiência própria?

Um dos caras de Geniearth acumula poder físico a partir do "karma ruim" gerado pelos outros — basicamente ele provoca o bullying, apanha de propósito, guarda a energia e depois devolve a surra com juros. Fantasia de vítima que vira o jogo. Oshikiri disse que nunca foi vítima nem agressor de bullying, mas que sua "tolerância pro mal injustificado é extremamente baixa". Quando vê bullying em filme ou dorama, "o sangue ferve". Ele escreve a virada de mesa catártica porque ele precisa dessa catarse — e aposta que o leitor também.

Se ele tivesse o poder do garoto-herbívoro, viraria que animal?

Tem um personagem que se transforma em herbívoros (gazela, elefante...). Perguntaram pro autor qual ele escolheria. Resposta: "Sou um cara simples, viraria carnívoro sem pensar duas vezes. Tubarão-branco? Aquele cara é maneiro, tanto na aparência quanto no temperamento. Se eu conseguisse aquela mandíbula enorme, faria qualquer coisa. Se for pra ser ganancioso, quero ser um Megalodon. É, acho que só quero ser um tubarão." Direto, sem rodeios, e meio que combina com a vibe "vilão" que ele mesmo assumiu.

Quais mangás dele ainda não têm versão em inglês e ele quer ver traduzidos?

A lista é boa:

  • Misumisō — garota vítima de bullying que revida com frieza (tem a ver com o tema anterior);
  • Flame Eyes e Yuyami Special Attack Squad — pra quem quer violência no nível de Geniearth;
  • Granbao favorito dele. Velha sozinha contra centenas de monstros, vida ou morte. Igual Sayuri, protagonista idosa. Mas é "obra amaldiçoada": uma livraria disse "por favor, nunca mais desenhe mangás tão autoindulgentes".
Ele quer Granba no Ocidente mais do que qualquer outra. E a gente concorda: velha batendo em monstro é conceito que vende sozinho.

Hi Score Girl DASH vai sair em inglês ou a gente fica só na vontade?

Oshikiri torce muito pra sair. "Não parece ter conversa nenhuma no momento, mas tô desesperado pra que saia logo." Ele recebe DMs de fãs gringos cobrando a continuação — tantos que não consegue responder todos. Teve até um que xingou: "Por que não lançou a continuação ainda, seu bastardo sangrento!" Ele segurou o bloqueio/denúncia e transformou a raiva em motivação. Se você quer Hi Score Girl DASH em inglês, a dica do próprio autor: faça barulho nas redes das editoras. Pressure works.

O que ele anda jogando hoje em dia? Ainda curte fliperama?

"Sou entusiasta de jogos de carteirinha! Seguro controle desde os 2 anos! Honestamente!" Hoje ele tá viciado em Factorio ("jogo muito bom"), joga dead by daylight, a série Dark Souls, e no fighting game atual é street fighter 6 — mas "tô desistindo porque simplesmente não consigo ganhar". O jogo que comprou ontem: reanimal. "Adoro jogos de terror; só a embalagem preta já me pegou. Gosto mais do que o porco com gengibre que minha mãe faz!" Prioridades alinhadas.

A avó assustadora de Sayuri existe na vida real?

A avó de Sayuri é baseada na própria mãe dele. A avó real já tinha falecido quando ele nasceu. A mãe dele odiava filmes onde gente morre pro espírito do nada — "filme de terror é causa perdida!". Ela notou que no terror ocidental os personagens reagem, enfrentam o sobrenatural; no japonês, costumam perder sem chance de revidar. "É como se a timidez e reserva típicas japonesas fossem refletidas direto no roteiro. Ver terror japonês terminar em bad ending, como se estivesse preso num loop sem sentido, parecia pesadelo!" Foi a mãe que abriu os olhos dele pra isso — e daí nasceu Sayuri, onde a velha enfrenta o mal. A mãe dele, aos 46 anos do autor, ainda briga se os sapatos não estiverem alinhados na entrada. "Vontade forte como espírito vingativo."

Qual o fio condutor de todas as obras dele?

"Explosão emocional!" Seja contra mal injusto, espíritos maus, ou até o amor — não importa. Ele tá sempre visualizando essa explosão enquanto desenha. "Pessoas — não só japonesas, gente do mundo todo — devem ter bombas guardadas no peito, não? Mas a gente não pode sair explodindo como bem entender. Tem senso comum, regras, leis." Por isso existem filmes, romances, mangás. "Primeiro, eu faço a bomba que guardei explodir na minha obra. Daí tem gente que curte, se identifica. Quero continuar explodindo bombas por eles!" É a definição mais honesta de catarse que você vai ler hoje.

O que fica no radar: Granba, DASH e a próxima "explosão emocional"

Três coisas pra ficar de olho nos próximos meses: primeiro, a pressão pra Titan Manga ou outra editora licenciar Hi Score Girl DASH — o próprio autor tá pedindo, os fãs tão cobrando, a grana tá na mesa. Segundo, Granba merece uma chance no Ocidente; velha vs horda de monstros com o selo de "obra que livraria pediu pra não existir" é marketing grátis. Terceiro, Oshikiri avisou: ele vai continuar mudando de gênero quando enjoar, e a próxima "explosão emocional" pode vir de onde você menos espera — terror, comédia, romance, ação, ou tudo junto num Factorio da vida. Enquanto isso, a gente segue jogando Street Fighter 6 e perdendo feio, igual ao sensei.

Perguntas frequentes

Quantos volumes tem Geniearth e onde foi publicado originalmente?
Geniearth tem 5 volumes e foi serializado na Weekly Shōnen Champion entre 2021 e 2022. A Titan Manga está publicando a edição em inglês.
Hi Score Girl DASH já tem previsão de lançamento em inglês?
Não há negociações confirmadas no momento. O próprio Oshikiri disse que torce para sair logo e que recebe muitos pedidos de fãs ocidentais, incluindo mensagens agressivas cobrando a continuação.
Qual manga 'amaldiçoado' o autor mais quer ver traduzido?
Granba. A história mostra uma idosa lutando sozinha contra centenas de monstros. Uma livraria chegou a pedir para ele nunca mais desenhar algo tão 'autoindulgente', o que só aumentou o status de cult da obra.
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