Jon Bernthal retorna como Frank Castle em uma ponte para o futuro do MCU
Jon Bernthal — ator conhecido por interpretar Frank Castle — está oficialmente de volta ao papel do Justiceiro em The Punisher: One Last Kill, a nova Apresentação Especial da Marvel Studios para o Disney+. O lançamento ocorre pouco mais de um ano após sua última aparição confirmada no final da primeira temporada de Daredevil: Born Again (série do Demolidor). Este novo capítulo não é apenas uma história isolada de vingança; ele serve como o alicerce narrativo para a participação do anti-herói em Spider-Man: Brand New Day, longa-metragem do Homem-Aranha previsto para julho.
A grande questão que cercava a produção era como a Marvel integraria um personagem notoriamente violento e classificado como "R-Rated" (para maiores de 18 anos) em um universo mais familiar como o do Homem-Aranha de Tom Holland. Embora One Last Kill não entregue uma resposta mastigada sobre a mudança de tom, a obra reposiciona as peças no tabuleiro do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel) para justificar por que Frank Castle estaria operando como um herói de rua convencional em Nova York.
O Easter Egg de 6:47 e a conexão direta com os quadrinhos
Uma das referências mais precisas do especial envolve a vilã Ma Gnucci — antagonista clássica do Justiceiro nos quadrinhos de Garth Ennis. Durante a trama, ela revela que seu filho mais novo, Carlo, foi morto exatamente às 6:47. Esse horário se torna uma obsessão para a personagem, que publica o endereço de Frank Castle para todos os criminosos da cidade às 6:47, como uma forma de homenagem póstuma e vingança.
Para os leitores veteranos da Marvel Comics, o número 6:47 é um código claro. Ele faz referência direta a The Amazing Spider-Man #647, edição publicada em 2010 que marcou o encerramento da fase Brand New Day (Um Novo Dia) nos quadrinhos. Ao utilizar esse número específico, o MCU sinaliza que o Justiceiro está encerrando um ciclo de isolamento para iniciar uma nova era, espelhando a transição que o Homem-Aranha também enfrentará nos cinemas.
Frank Castle: O vigilante de aluguel vs. O herói urbano
Para entender como o personagem evoluiu, é necessário comparar as duas abordagens principais que a Marvel apresentou para o Justiceiro nos últimos anos. Abaixo, detalhamos as diferenças fundamentais que preparam o terreno para Spider-Man: Brand New Day.
| Atributo | Versão Netflix / Born Again | Versão One Last Kill / Brand New Day |
|---|---|---|
| Motivação | Vingança pessoal e trauma familiar. | Dever cívico e proteção de inocentes. |
| Método | Extermínio sistemático de alvos em uma lista. | Intervenção tática em crimes de rua. |
| Relacionamento | Conflito ideológico com outros heróis. | Aliança funcional por um bem maior. |
| Status Quo | Foragido e operando nas sombras. | Vigilante ativo e visível em Nova York. |
A ausência inexplicada em Daredevil: Born Again
Um ponto que gerou debate entre os fãs é o fato de One Last Kill ignorar completamente os eventos da segunda temporada de Daredevil: Born Again. Na última vez que vimos Frank, ele estava escapando da prisão de Red Hook, controlada pela AVTF (Anti-Vigilante Task Force) de Wilson Fisk — o Rei do Crime. Seria natural esperar que Frank buscasse retaliação contra Fisk, mas o especial o mostra em um estado de semi-aposentadoria, tendo supostamente completado sua "lista de mortes".
Essa lacuna narrativa sugere que a Marvel optou por um "soft reboot" psicológico. Em vez de prender o Justiceiro a tramas políticas complexas, o especial foca em sua deterioração mental e posterior redenção. A presença de Curtis Hoyle — interpretado por Jason R. Moore e antigo aliado de Frank — aparece como uma alucinação, questionando o propósito de Castle agora que seus inimigos diretos foram eliminados. É esse conflito interno que o leva a aceitar seu papel como um "fazedor do bem", ainda que através de métodos brutais.
Elementos-chave que definem o novo status do Justiceiro:
- Aniquilação da Família Gnucci: Estabelece Frank como a força dominante no submundo de Nova York.
- Redenção via Proteção: O salvamento da família na cafeteria serve como o gatilho emocional para ele voltar à ativa.
- equipamento militar: O trailer de Brand New Day já mostrou Frank operando tanques e armamento pesado, algo que One Last Kill justifica ao mostrá-lo retomando sua mentalidade de soldado de elite.
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Se você é um fã que prioriza a continuidade absoluta e o realismo sombrio da era Netflix, a transição apresentada em One Last Kill pode parecer abrupta. O roteiro escolhe ignorar pontas soltas de Born Again para focar em uma ação estilizada que lembra filmes como Duro de Matar. Para esse perfil, o especial vale mais pela performance visceral de Bernthal do que pela coesão cronológica.
Já para o espectador que deseja ver o Justiceiro finalmente integrado ao núcleo principal do MCU e interagindo com o Homem-Aranha, este especial é indispensável. Ele limpa o passado traumático de Frank e o coloca em uma posição onde ele pode ser um aliado útil — embora perigoso — para Peter Parker. O foco aqui é a transformação de um homem movido pelo passado em um guerreiro focado no presente.
Qual escolher
A escolha entre o Justiceiro "raiz" e o novo Justiceiro do MCU depende do que você busca na experiência Marvel. Se o seu interesse é a fidelidade aos quadrinhos de Garth Ennis e a violência sem filtros, The Punisher: One Last Kill entrega o conteúdo mais explícito já produzido pelo Marvel Studios, sendo a escolha ideal para quem sentia falta da pegada da fase Marvel Knights.
Por outro lado, se você está acompanhando a saga do Multiverso e a reconstrução de Nova York pós-Rei do Crime, o especial funciona como o "Episódio 0" de Spider-Man: Brand New Day. Ele prepara o terreno para uma dinâmica de "policial bom e policial mau" entre o Aranha e o Justiceiro que promete ser o destaque da Fase 5. No fim das contas, Jon Bernthal prova que, independente do tom, ele ainda é a personificação definitiva de Frank Castle nas telas.


