TL;DR: Sony vendeu 43 patentes americanas de realidade virtual para a Meta e, junto a um acordo que transfere 419 patentes globais, confirmou que está abandonando o psvr2. A decisão deixa o futuro da VR da PlayStation em aberto.
O que aconteceu
Entre junho e setembro de 2026, a Sony transferiu 43 patentes dos EUA relacionadas a realidade aumentada, virtual, realidade mista e sistemas de head‑mounted displays para a Meta, conforme noticiado por Road to VR e ZDNet Korea. A operação faz parte de um acordo mais amplo firmado em dezembro de 2025, que prevê a migração de 419 patentes globais – 180 dos EUA e 239 de outras regiões – para o portfólio da Meta.
Ao mesmo tempo, a produção do PSVR2 foi pausada, com a Bloomberg revelando que a Sony fabricou pouco mais de 2 milhões de unidades, muito abaixo das metas esperadas. O preço de US$ 549,99, superior ao do console, e a escassa biblioteca de lançamentos contribuíram para o fraco desempenho comercial.
O catálogo oficial da Sony para o PSVR2 conta apenas três títulos próprios: Horizon Call of the Mountain, Firewall Ultra e My First Gran Turismo. Enquanto o primeiro recebeu críticas mistas, o segundo falhou a ponto de fechar seu estúdio desenvolvedor em quatro meses, e o terceiro acabou ofuscado por Gran Turismo 7, que recebeu suporte limitado ao headset.
Como chegamos aqui
O abandono do PSVR2 não foi um salto inesperado. Desde o lançamento em 2023, o suporte da Sony ao headset foi mínimo. A empresa não trouxe remasterizações de sucessos como Astro Bot Rescue Mission ou Blood & Truth, deixando a biblioteca dependente de desenvolvedores terceiros e indies. Mesmo a parceria com a Capcom, que incluiu um pagamento de US$ 5 milhões para adaptar Resident Evil 7: Biohazard ao PSVR, pareceu um esforço pontual em vez de uma estratégia de longo prazo.
Em junho de 2024, a Sony anunciou o adaptador psvr2‑pc, permitindo que os usuários conectassem o headset a um PC potente. Embora tenha ampliado o acesso a títulos de Steam, a medida foi percebida como um reconhecimento de que a Sony não conseguiria sustentar um ecossistema próprio.
A crise da VR como indústria também influenciou a decisão. Grandes estúdios como Polyarc, Mighty Coconut e Cloudhead Games fecharam ou reduziram equipes nos últimos anos, enquanto a Meta encerrou vários de seus próprios estúdios de VR. Esse cenário reduzido diminuiu ainda mais as perspectivas de retorno para a Sony.
O que vem depois
Com a transferência de patentes, a Meta ganha acesso a tecnologias desenvolvidas ao longo de mais de uma década, potencialmente reforçando seu ecossistema de realidade mista. Para a Sony, a estratégia parece estar voltada para concentrar recursos em áreas que já dominam, como jogos de console tradicionais e streaming.
Entretanto, a comunidade de VR ainda encontra esperança em iniciativas independentes. A editora Impact Inked, por exemplo, lançou a campanha "Unlock the Vault" em agosto, prometendo portar diversos títulos desconhecidos para o PSVR2, mantendo viva uma base de usuários dedicada.
Em termos de hardware, a Sony ainda não anunciou substitutos ou novos projetos de realidade virtual. Se a empresa decidir voltar ao segmento, provavelmente precisará de um headset com preço mais acessível e um catálogo robusto de lançamentos de primeira linha – algo que o PSVR2 não conseguiu oferecer.
O lado que ninguém está vendo
Argumentar que a Sony abandonou a VR porque o mercado está morto é simplista. A realidade é que a empresa ainda possui um vasto portfólio de patentes que podem ser licenciadas ou reutilizadas em projetos futuros, talvez em realidade aumentada para o PlayStation 5 ou em integração com o próximo console de próxima geração.
- Pró: Liberar capital e foco para áreas mais rentáveis, como jogos AAA e streaming.
- Contra: Perde a oportunidade de liderar a próxima onda de experiências imersivas, cedendo terreno à Meta e a concorrentes emergentes.
- Pró: A transferência de patentes pode gerar receitas de licenciamento que compensam o investimento inicial.
- Contra: A comunidade de desenvolvedores indie pode se sentir abandonada, reduzindo a inovação no ecossistema PlayStation.
Em suma, a Sony pode estar jogando uma partida de longo prazo, trocando a presença imediata no mercado de VR por ganhos estratégicos mais amplos. Resta observar se essa aposta renderá frutos ou se a empresa deixará a realidade virtual para sempre nas mãos da Meta.
Para ficar no radar
Fique atento a anúncios oficiais da Sony sobre possíveis novos projetos de realidade aumentada, bem como a evolução da campanha "Unlock the Vault" da Impact Inked. Enquanto isso, os desenvolvedores indie continuam a explorar o PSVR2, mantendo viva a esperança de que a plataforma ainda tenha algo a oferecer.


