PEGI passou a exigir classificação PEGI 16 para jogos que contenham loot boxes e itens aleatórios pagos, visando reduzir o acesso de menores a essas mecânicas.
Fato: PEGI eleva rating de loot boxes para PEGI 16
A agência europeia de classificação de jogos, PEGI, anunciou que a partir de agora todos os títulos que incluam loot boxes, gacha ou qualquer outro tipo de item aleatório pago receberão, no mínimo, a classificação PEGI 16. A mudança faz parte de um plano iniciado em março de 2026, que tem como objetivo tornar essas mecânicas menos acessíveis a menores de idade.
Conforme comunicado do responsável de políticas, Connor Hinde, "jogos digitais atualmente classificados como PEGI 3, 7 ou 12 e que apresentam itens aleatórios pagos terão sua classificação atualizada para PEGI 16 – Itens aleatórios pagos". A atualização será aplicada retroativamente a títulos já lançados e, progressivamente, a novos lançamentos.
Contexto: por que importa
O debate sobre loot boxes como forma de jogo de azar tem ganhado força nos últimos anos. Em 2018, o governo belga declarou que loot boxes configuram prática de gambling, impondo multas a desenvolvedoras que não se adequassem. Nos Estados Unidos, a procuradora-geral de Nova Iorque entrou com ação judicial contra a Valve em 2026, acusando a empresa de oferecer loot boxes que violariam leis estaduais de jogo.
Essas pressões regulatórias motivaram a PEGI a rever sua política de classificação. O órgão já havia sinalizado, em março, a intenção de elevar o rating padrão para jogos que utilizam "itens aleatórios pagos". Além da mudança para PEGI 16, foram discutidas outras medidas, como atribuir PEGI 12 a jogos com passes de batalha limitados no tempo e PEGI 18 a títulos que incluam nfts ou mecanismos baseados em blockchain. Contudo, essas propostas ainda não foram confirmadas oficialmente.
A decisão da PEGI tem implicações diretas no mercado europeu, que representa cerca de 25% das vendas globais de videogames. Uma classificação mais alta pode limitar a exposição de menores a essas mecânicas, forçando desenvolvedoras a repensar modelos de monetização baseados em sorteios aleatórios.
Reação dos fãs e do mercado
As primeiras reclassificações já foram divulgadas. Pocket Gamer informou que pokémon tcg pocket recebeu a classificação PEGI 16, assim como fire emblem heroes, título que, até então, era exceção dentro da franquia por incorporar um sistema gacha.
Desenvolvedoras de grande porte, como a Valve, ainda não se pronunciaram oficialmente sobre a mudança, embora a empresa tenha argumentado em processos anteriores que "as pessoas gostam de surpresas" ao defender a legalidade das loot boxes. A comunidade de jogadores mostrou respostas divididas: enquanto alguns celebram a medida como um passo necessário para proteger menores, outros temem que a elevação de rating possa impactar a acessibilidade e a receita de jogos free‑to‑play.
- Desenvolvedoras podem migrar para modelos de monetização baseados em compras diretas, sem elemento aleatório.
- Plataformas de distribuição (Steam, Epic, etc.) precisarão atualizar suas etiquetas de idade para refletir as novas classificações.
- Consumidores que já possuíam jogos reclassificados não enfrentarão restrições de acesso, mas futuros conteúdos pagos poderão ser limitados.
O PEGI também abriu um canal de suporte, o PEGI Helpdesk, para que publishers e desenvolvedores tirem dúvidas sobre o processo de reclassificação. O comunicado destaca que "um grande volume de mudanças de classificação ocorrerá em curto prazo", indicando que a transição pode se estender por vários meses.
O que esperar
Nos próximos meses, espera‑se que a lista de títulos reclassificados cresça significativamente. A seguir, alguns pontos que podem definir o rumo da indústria:
- Adaptação de modelos de monetização: Empresas podem reduzir a dependência de loot boxes, investindo em conteúdo premium, passes de temporada não aleatórios ou microtransações cosméticas garantidas.
- Impacto nas vendas: Jogos que dependem fortemente de loot boxes podem registrar queda de receita, ao passo que títulos que adotarem estratégias transparentes podem ganhar confiança do consumidor.
- Pressão regulatória adicional: Se a medida da PEGI se mostrar eficaz, outras regiões (como a América Latina) podem seguir o exemplo, introduzindo legislações semelhantes.
- Reação dos consumidores: A comunidade gamer tende a monitorar de perto como as mudanças afetam a experiência de jogo, especialmente em títulos competitivos que utilizam skins ou itens cosméticos como parte do ecossistema.
| Jogo | Classificação anterior | Nova classificação |
|---|---|---|
| Pokémon TCG Pocket | PEGI 12 | PEGI 16 |
| Fire Emblem Heroes | PEGI 12 | PEGI 16 |
| counter‑strike 2 (exemplo de título com loot boxes) | PEGI 7 | PEGI 16 (previsto) |
Embora a PEGI ainda não tenha confirmado a aplicação das outras propostas de classificação (battle passes, NFTs, play‑by‑appointment), o movimento sinaliza uma tendência clara: reguladores estão dispostos a agir contra práticas que se assemelham a jogos de azar, mesmo quando disfarçadas sob a fachada de “cosméticos” ou “itens colecionáveis”.
Para desenvolvedoras, a recomendação imediata é revisar o design de monetização antes que a nova classificação seja imposta a novos lançamentos. Para os consumidores, a mudança traz maior transparência sobre o conteúdo dos jogos e reforça a proteção de menores contra mecanismos de aposta encobertos.
Para ficar no radar
Fique atento às atualizações do PEGI nos próximos boletins oficiais, pois a lista de títulos reclassificados será ampliada. Além disso, acompanhe as respostas de grandes estúdios e plataformas de distribuição, que podem anunciar alterações nos seus modelos de negócio em resposta à nova política. O debate sobre loot boxes ainda está em curso, e a classificação PEGI 16 pode ser apenas o primeiro passo de um processo regulatório mais amplo.


