Um complexo de parques temáticos de 6 bilhões de euros vai surgir a cerca de 30 km de Paris, com um dos projetos dedicado ao universo de Dragon Ball. A iniciativa, firmada entre o governo francês e a companhia saudita Qiddiya Investment Company, promete milhares de empregos e um novo ponto de referência para os fãs de mangá na Europa.
Fato: o que foi anunciado?
Durante uma visita oficial ao Palácio do Eliseu, o presidente francês Emmanuel Macron revelou que três parques serão construídos em Cergy‑Pontoise, uma zona de desenvolvimento a 30 km da capital. Um deles será “manga‑themed”, e fontes da The Japan Times e da BBC apontam que o foco será a série Dragon Ball. O investimento total chega a 6 bilhões de euros (aproximadamente US$ 7 bilhões) e a previsão de criação de 22 mil empregos.
O acordo foi oficializado em um memorando de entendimento assinado durante a visita de dois dias do príncipe herdeiro saudita Mohammad bin Salman à França. Segundo relatos locais, o parque poderia ocupar o antigo terreno da Mirapolis, um parque que fechou em 1991 no Val‑d’Oise.
Contexto: por que importa?
O anúncio chega num momento em que a França busca revitalizar a sua indústria de turismo de entretenimento, ainda marcada pelo sucesso — e pelos altos custos — da Disneyland Paris. Um parque dedicado a um mangá tão icônico quanto Dragon Ball tem potencial para atrair não apenas turistas europeus, mas também fãs de anime de todo o mundo, reforçando a posição de Paris como um hub cultural global.
Além da dimensão econômica, a parceria com a Arábia Saudita levanta questões diplomáticas. A Qiddiya Investment Company já financia o parque temático de Dragon Ball que está sendo construído em Riyadh, e a colaboração francesa pode ser vista como um movimento estratégico para estreitar laços comerciais com o Oriente Médio, apesar das críticas recorrentes ao histórico de direitos humanos do reino.
Do ponto de vista cultural, o projeto sinaliza uma aceitação ainda maior da cultura pop japonesa no Ocidente. Enquanto o anime já tem presença consolidada em festivais, streaming e merchandising, a materialização de um parque temático dedicado a um mangá demonstra que o interesse vai além de consumo digital — ele se traduz em infraestrutura física de grande escala.
Reação dos fãs e do mercado
Nas redes sociais, a comunidade geek reagiu com entusiasmo misturado a ceticismo. Usuários do Twitter e do Reddit celebraram a ideia de “ver o Kamehameha ao vivo”, enquanto outros questionaram a viabilidade de replicar a estética exagerada de Dragon Ball em atrações reais.
- Fãs de longa data elogiaram a oportunidade de ter um ponto de encontro oficial para cosplayers e torcedores.
- Analistas de turismo apontaram que o investimento pode gerar um aumento de 10 % no fluxo de visitantes estrangeiros à região de Île‑de‑France nos próximos cinco anos.
- Grupos de direitos humanos criticaram a aliança com a Arábia Saudita, lembrando casos como o assassinato de Jamal Khashoggi.
Empresas de entretenimento e desenvolvedores de jogos também mostraram interesse em possíveis colaborações, desde licenciamento de atrações interativas até a criação de experiências de realidade aumentada que integrem o universo de Dragon Ball ao parque.
O que esperar
Embora datas de construção e inauguração ainda não tenham sido divulgadas, alguns indicadores dão pistas sobre o que pode estar por vir:
- Arquitetura inspirada nos mangás: Expectativa de torres coloridas, áreas temáticas que reproduzem a paisagem de Namek, e estátuas gigantes de personagens como Goku e Vegeta.
- Rides de alta tecnologia: Simuladores de combate, montanhas‑russas com loops que lembram o ataque “Final Flash”, e zonas de realidade virtual para treinar técnicas de ki.
- Espaços de merchandising premium: Lojas oficiais que vendem itens exclusivos, como kimonos de artes marciais, figuras de edição limitada e até alimentos temáticos (pense em ramen de “Turtle Hermit”).
- Programação de eventos ao vivo: Torneios de artes marciais, shows de música J‑pop, e convenções de cosplay que podem rivalizar com a Comic‑Con de Paris.
- Compromisso com sustentabilidade: Relatórios preliminares sugerem que o parque pretende usar energia solar e sistemas de reciclagem avançados, alinhado à política verde da UE.
Se tudo ocorrer como planejado, o parque pode se tornar o maior ponto de convergência entre cultura japonesa e turismo europeu, rivalizando com atrações como a Universal Studios Japan.
Para ficar no radar
Até o momento, não há cronograma oficial de obras ou de abertura ao público. Contudo, a parceria entre França e Arábia Saudita indica que os próximos meses trarão anúncios de licitações, projetos arquitetônicos e, possivelmente, a revelação de outras duas áreas temáticas que comporão o complexo de Cergy‑Pontoise. Fique de olho nos canais oficiais do governo francês e da Qiddiya Investment Company para atualizações sobre permissões de construção, datas de início de obras e, claro, os primeiros teasers das atrações.
Enquanto isso, a comunidade geek pode começar a preparar seus trajes de Super Saiyajin e a fazer listas de desejos de produtos exclusivos. Afinal, quando um parque temático de 6 bilhões de euros promete transformar a paisagem cultural de Paris, o hype já começa antes mesmo da primeira pedra ser lançada.


