Adam Wingard, diretor de O Hospedeiro e Godzilla vs. Kong, estreia Onslaught nos cinemas brasileiros com distribuição da A24. Em sessão de perguntas e respostas após exibição, o cineasta admitiu seu único arrependimento na produção: não ter capturado um close de um morador do trailer park queimando vivo em uma churrasqueira — gag visual que reaparece ao longo do filme.
O que aconteceu
Durante a pós-estreia de Onslaught, Wingard explicou que, apesar do orçamento superior aos seus filmes iniciais (O Hospedeiro e Você é o Próximo), a produção ainda se enquadra como "baixo orçamento pelos padrões atuais". O filme foi rodado em apenas 35 dias, o que deixou margem zero para cenas deletadas ou refilmagens. "Praticamente cada p*** coisa está na tela porque é o que temos", disse o diretor.
A cena em questão envolve um morador do trailer park que morre de forma horrível e termina apoiado em uma churrasqueira ainda acesa, queimando quietamente enquanto a ação prossegue ao redor. A gag funciona em planos gerais repetidos, mas Wingard percebeu tarde demais — ao assistir cópias em 35mm para o Vista Theater — que um close do crânio e da carne chiando na grelha teria elevado o humor negro e o impacto visceral. "Isso teria sido p*** incrível, mas não fizemos", lamentou.
Como chegamos aqui
Wingard construiu reputação fazendo muito com pouco. Você é o Próximo (2011), feito com orçamento ínfimo, rendeu bem nas bilheterias e lançou sua carreira. O Hospedeiro (2014) consolidou seu estilo: ação precisa, humor seco e violência coreografada. O salto para blockbusters como Godzilla vs. Kong (2021) e Godzilla e Kong: O Novo Império (2024) trouxe orçamentos de centenas de milhões, mas Onslaught marca retorno deliberado ao cinema original de escala contida.
O roteiro, coescrito com o parceiro habitual Simon Barrett, coloca Adria Arjona como Celeste, ex-atiradora de elite do Exército que vive em um trailer park no deserto. Quando um esquadrão de super-soldados geneticamente modificados escapa de uma instalação secreta próxima, ela vira a única barreira entre as máquinas de matar e a filha pequena. O elenco de apoio traz nomes de peso: Rebecca Hall, Dan Stevens (reunido com Wingard após O Hospedeiro), Eric Wareheim, Reginald VelJohnson (Duro de Matar), Michael Biehn (Aliens), Drew Starkey e o lutador do UFC Alex Pereira como "O Açougueiro".
A crítica especializada recebeu bem: o SlashFilm classificou o filme como "um deleite sangrento que vai full John Carpenter", referindo-se à tensão de cerco e à estética prática de efeitos — marca registrada de Wingard.
O que vem depois
- Onslaught já está em cartaz nos cinemas brasileiros (verifique programação local).
- A A24 costuma lançar seus títulos em streaming (Max/Prime Video) cerca de 3 a 6 meses após a estreia teatral — janela exata ainda não confirmada.
- Wingard e Barrett têm projeto de terror original em desenvolvimento, mas sem data ou estúdio anunciados.
- Para fãs do estilo "cerco em locação única", vale revisitar Assalto à 13ª DP (1976) e O Nevoeiro (2007) — referências assumidas pela dupla.
Datas e o que fica no radar
Onslaught entrega exatamente o que promete: ação suja, prática e sem gordura, feita por quem conhece cada centavo do orçamento. O arrependimento de Wingard — um close de 3 segundos — resume a realidade de filmar em 35 dias: decisões de corte acontecem no set, não na ilha de edição. Para o público brasileiro, fica a chance de ver um blockbuster de verdade (com Michael Biehn e Reginald VelJohnson no elenco!) em tela grande antes que vá para o catálogo. Se você gosta de O Hospedeiro, já sabe: compre o ingresso.


