O programa matinal Oha Suta vai estrear, no fim de novembro, um anime de quatro episódios inspirado no seu quadro onde crianças jogam identity v.
Essa iniciativa mistura entretenimento infantil, horror de sobrevivência e produção de anime, gerando dúvidas sobre a eficácia da estratégia.
O que aconteceu
O segmento Daigo Gakuen – parte do programa infantil Oha Suta – traz apresentadores como Subaru Kimura (conhecido como Suba‑nii) e o elenco de "Oha Kids" experimentando as últimas atualizações do jogo de sobrevivência Identity V, da NetEase Games. A segunda temporada do quadro começou em 8 de setembro e, agora, a produtora Joker Studio (em parceria com ShoPro) anunciou que a mesma fórmula será recontada em forma de anime curto, com quatro episódios que mostrarão a rotina escolar da jardineira Emma e dos demais sobreviventes, tendo o personagem Jack (ou The Ripper) como professor.
O anime será exibido dentro do próprio programa Oha Suta, nas manhãs de segunda a sexta, às 7h05, na TV Tokyo e afiliadas.
Como chegamos aqui
Desde seu lançamento em 2018, Identity V acumulou mais de 400 milhões de usuários ao redor do mundo, tornando‑se um dos maiores sucessos de horror de sobrevivência para celular. A estratégia da NetEase de levar o jogo para a TV japonesa surgiu como forma de ampliar o alcance demográfico, introduzindo o título a crianças que, de outra forma, não teriam contato com um jogo de temática sombria.
O quadro Daigo Gakuen funcionou como um laboratório de teste: ao colocar apresentadores carismáticos e jovens participantes jogando, a empresa conseguiu medir a receptividade do público infantil ao universo de Identity V. O sucesso de audiência e a curiosidade gerada nas redes sociais incentivaram a NetEase a explorar novos formatos, culminando na produção do anime.
Do ponto de vista da indústria de anime, a tendência de adaptar jogos para curtas séries tem crescido. Produções como Pokémon Evolutions ou Pokémon: Mewtwo Strikes Back – Evolution mostraram que curtas podem ser veículos eficazes para manter a marca viva entre os fãs entre temporadas principais. O caso de Oha Suta segue essa lógica, mas com o diferencial de ser inserido em um programa matinal infantil.
O que vem depois
O lançamento do anime traz duas linhas de impacto distintas:
- Expansão de público: crianças que assistem Oha Suta podem se interessar pelo jogo, gerando novos usuários para a NetEase.
- Risco de diluição da marca: ao transformar um jogo de horror em conteúdo infantil, há o perigo de alienar fãs mais antigos que valorizam o clima sombrio original.
- Potencial de merchandising: personagens como Emma e Jack podem ganhar linhas de brinquedos, roupas escolares e material de papelaria, ampliando a receita.
- Teste de aceitação para futuras temporadas: o desempenho do anime pode determinar se a NetEase investirá em séries mais longas ou em spin‑offs.
Do ponto de vista crítico, a qualidade da animação será decisiva. Se a produção mantiver o padrão de estética e narrativa que os fãs esperam de um título como Identity V, a adaptação pode ser vista como um movimento inteligente de cross‑media. Por outro lado, um visual barato ou roteiros forçados podem transformar a iniciativa em um exemplo de marketing vazio.
Além disso, a presença constante de Subaru Kimura como mentor no quadro ao vivo pode criar um elo emocional que o anime não conseguirá replicar, já que a interação direta com o público infantil será substituída por personagens animados. Isso levanta a questão: será que a magia do live‑action será perdida?
Onde isso pode dar
Se o anime alcançar bons índices de audiência, a NetEase pode considerar expandir o universo de Identity V para outras faixas etárias, talvez lançando um spin‑off mais maduro que explore a história dos caçadores. Também é possível que outras franquias de jogos da empresa sigam o mesmo caminho, adotando curtas dentro de programas de TV para crianças.
Entretanto, caso a recepção seja morna, a empresa pode recuar e focar novamente em campanhas digitais tradicionais, evitando arriscar a reputação do jogo ao ser associado a um formato que não se alinha ao seu tom original.
Em suma, a aposta da NetEase e da Joker Studio é ousada: transformar um segmento de gameplay em anime infantil pode abrir portas para novos públicos, mas também corre o risco de comprometer a identidade sombria que fez Identity V um fenômeno global.
"A inovação está em transformar o horror em diversão matinal, mas a linha entre adaptação criativa e descaracterização é tênue."
Para quem acompanha Oha Suta, a estreia do anime será um ponto de referência. Para os fãs de Identity V, será o teste de como a franquia pode se reinventar sem perder a essência.


