O terror visceral de Damian McCarthy
Damian McCarthy consolidou seu nome no cenário do terror independente após o desempenho surpreendente de Hokum — longa-metragem de suspense focado em um hotel mal-assombrado — nas bilheterias. Para quem foi fisgado pela direção precisa e pelo clima de desconforto constante da obra, que conta com a atuação de Adam Scott — ator conhecido pela série de comédia dramática Severance —, existe um ponto de partida obrigatório na filmografia do cineasta: Oddity.
Diferente de produções que dependem excessivamente de jumpscares — aqueles sustos repentinos com som alto para forçar uma reação —, McCarthy aposta na construção de uma tensão insuportável. Se Hokum flerta com referências estéticas que remetem ao mestre Stanley Kubrick, Oddity mergulha fundo em uma narrativa de horror sobrenatural que parece ter saído de um conto folclórico sombrio.
Oddity: o terror psicológico em foco
Oddity é um filme que se apoia no medo do desconhecido e na exploração de espaços confinados. A trama gira em torno de uma tragédia familiar e a presença de objetos amaldiçoados, um tropo clássico do gênero que, nas mãos de McCarthy, ganha uma roupagem nova e muito mais inquietante. O diretor utiliza a montagem para manipular o tempo e a percepção do espectador, garantindo que o público nunca se sinta seguro, mesmo nos momentos de aparente calmaria.
O que torna este longa uma experiência diferenciada é o compromisso com o horror prático. Em vez de recorrer a efeitos digitais excessivos, o filme utiliza elementos físicos, cenários claustrofóbicos e uma trilha sonora minimalista que atua diretamente no sistema nervoso de quem assiste. É uma obra que exige atenção aos detalhes, recompensando o espectador que observa as sombras e os cantos de cada cômodo apresentado na tela.
Hokum: a ascensão comercial
Por outro lado, Hokum representa uma evolução na escala de produção do diretor. Ao trabalhar com um elenco de maior projeção, McCarthy conseguiu traduzir sua visão autoral para um público mais amplo sem perder a identidade que o consagrou no circuito de festivais. O filme equilibra o suspense investigativo com elementos de horror gótico, provando que o cineasta consegue transitar entre o terror psicológico puro e o entretenimento de massa de alta qualidade.
| Característica | Oddity | Hokum |
|---|---|---|
| Estilo | Terror folclórico/sobrenatural | Suspense psicológico/estilizado |
| Foco narrativo | Atmosfera e objetos amaldiçoados | Tensão em locação única |
| Ritmo | Lento e opressor | Dinâmico e atmosférico |
Pra cada perfil, um vencedor
A escolha entre um ou outro depende muito do seu nível de tolerância e do que você busca em uma sessão de cinema:
- Para os puristas do horror: Oddity é a escolha certa. Se você aprecia filmes que focam na atmosfera, na sensação de pavor crescente e em elementos que desafiam a lógica, este longa é uma aula de como criar medo com poucos recursos.
- Para quem busca tensão moderna: Hokum entrega uma experiência mais polida, com uma cinematografia que homenageia clássicos do cinema e uma performance magnética de Adam Scott, ideal para quem prefere um terror com mais ritmo e reviravoltas.
Independentemente da escolha, Damian McCarthy provou ser um dos nomes mais promissores do terror contemporâneo. O cineasta entende que o medo não está no que você vê, mas no que você imagina que está escondido no escuro logo atrás de você. Se você ainda não explorou a filmografia dele, o momento é agora, antes que ele se torne um nome onipresente nas grandes produções de Hollywood.
O veredito
Se você precisa decidir por onde começar, a resposta é simples: comece por Oddity se quiser entender a essência do estilo de McCarthy. É um filme que não pede licença para assustar e que define perfeitamente o tom de sua carreira.
Já Hokum funciona como uma vitrine de como ele consegue elevar o orçamento e a escala sem perder a mão na direção. Ambas as obras são essenciais para qualquer fã de cinema de gênero que deseja acompanhar a trajetória de um diretor que, claramente, ainda tem muito a oferecer para o universo do medo.


