O cofundador da Nothing, Akis Evangelidis, anunciou no X que o próximo telefone da linha CMF não será lançado ainda este ano. O motivo? O preço da memória RAM subiu a níveis que inviabilizam o custo‑benefício do aparelho.
O que aconteceu
Em um post divulgado na rede social X, Evangelidis explicou que a empresa estava pronta para iniciar a produção de um sucessor ao CMF Phone 2 Pro, mas que o aumento inesperado nos custos das memórias RAM — um fenômeno que a imprensa tem chamado de "RAMageddon" — tornou o projeto financeiramente inviável. Segundo o site 9to5Google, a Nothing ainda não definiu se o cancelamento será definitivo ou se haverá um reposicionamento da linha para 2027.
Como chegamos aqui
Para entender o impacto desse anúncio, é preciso recuar alguns meses. A Nothing, fundada em 2020 por Carl Pei — ex‑cofundador da OnePlus —, ganhou notoriedade ao lançar o Nothing Phone (1), um smartphone com design transparente que recebeu elogios por originalidade, mas críticas por preço elevado. Em 2024, a empresa lançou o CMF Phone 2 Pro, um modelo focado em modularidade e personalização, que trouxe um módulo de câmera extra e um slot para upgrade de memória.
O sucesso moderado do CMF 2 Pro gerou expectativas de um modelo de entrada, mais barato, que poderia alcançar um público mais amplo. No entanto, a cadeia de suprimentos global tem enfrentado escassez de semicondutores desde 2022, e a memória RAM não foi exceção. Vários analistas apontam que a produção de chips DRAM está concentrada em poucos fabricantes, e que a demanda explosiva de IA generativa aumentou a pressão sobre os preços.
- Escassez de produção: fábricas de DRAM operam próximo da capacidade máxima, limitando a oferta.
- Demanda de IA: data centers e servidores consomem mais memória, elevando o preço para o mercado de consumo.
- Custos logísticos: transporte e tarifas aumentaram, encarecendo ainda mais o componente.
Esses fatores convergiram para tornar o custo da RAM — componente essencial para qualquer smartphone — tão alto que a Nothing teria que elevar o preço final do novo CMF Phone a patamares que poderiam afastar seu público‑alvo.
O que vem depois
Com o cancelamento do modelo de 2026, a Nothing agora precisa redefinir sua estratégia de produto. Algumas possibilidades que a comunidade de fãs e analistas já especulam incluem:
- Revisão do roadmap: a empresa pode adiar o lançamento para 2027, dando tempo ao mercado de memória para se estabilizar.
- Explorar alternativas de hardware: substituir a RAM tradicional por soluções de memória mais econômicas, como lpddr4x em vez de lpddr5.
- Foco em software: melhorar a experiência de usuário com otimizações de sistema operacional, reduzindo a necessidade de grandes quantidades de RAM.
- Parcerias estratégicas: negociar acordos com fabricantes de chips para garantir preços mais competitivos.
Para o fã brasileiro, o ponto crítico é a disponibilidade de um smartphone com preço acessível que ainda carregue a identidade visual da Nothing — o design translúcido e a interface minimalista. Enquanto a empresa não anuncia um novo modelo, os consumidores podem considerar alternativas como o Google pixel 8a ou o Samsung galaxy a54, que oferecem boas especificações por menos de R$ 2.500.
Para ficar no radar
Mesmo sem um novo lançamento imediato, a Nothing continua a ser uma marca que desperta curiosidade no cenário tech brasileiro. Vale acompanhar os próximos comunicados oficiais, pois a empresa tem histórico de surpreender com soluções inovadoras. Fique atento a:
- Atualizações de preço da RAM nos relatórios trimestrais de analistas de semicondutores.
- Eventuais anúncios de parcerias com fabricantes de memória, como SK Hynix ou Micron.
- Novas versões de software que possam otimizar o uso de memória em dispositivos existentes.
Em resumo, o cancelamento do telefone CMF de 2026 evidencia como a cadeia de suprimentos global ainda influencia diretamente a experiência do consumidor final, especialmente em um mercado tão sensível a preço como o brasileiro.
O veredito
Para quem acompanha a Nothing como um movimento de design e inovação, o atraso é frustrante, mas não definitivo. A realidade dos custos de RAM é um obstáculo real, e a empresa precisará encontrar um equilíbrio entre a proposta estética e a viabilidade econômica. Enquanto isso, o consumidor brasileiro tem opções mais acessíveis que podem suprir a necessidade de um smartphone premium sem comprometer o bolso.


