Nia DaCosta admite decepção com os números de The Bone Temple
O retorno da franquia que redefiniu o gênero de zumbis nos anos 2000 parece ter batido em um muro financeiro inesperado. Nia DaCosta — cineasta conhecida por As Marvels e pelo reboot de Candyman — admitiu publicamente sua frustração com o desempenho comercial de 28 Years Later: The Bone Temple (sequência direta do ainda inédito no Brasil 28 Years Later). Mesmo com uma recepção crítica calorosa, o longa não conseguiu converter o prestígio em ingressos vendidos, deixando um sinal de alerta para a Sony Pictures (estúdio responsável pela distribuição).
Em entrevista recente à revista Empire, DaCosta foi enfática ao dizer que, embora todos os indicadores qualitativos fossem positivos, a conta simplesmente não fechou. Segundo a diretora, as métricas de audiência que a indústria utiliza para medir o interesse do público estavam "nas alturas", mas isso não se refletiu nos caixas dos cinemas. Para o fã brasileiro, que acompanhou o impacto de Extermínio (filme original de 2002 dirigido por Danny Boyle), a notícia soa como um balde de água fria em um momento onde o terror de sobrevivência parecia estar em alta.
Contexto: Por que a estratégia da Sony pode ter falhado?
O que explica um filme elogiado pela crítica falhar nas bilheterias? A resposta pode estar em uma estratégia de lançamento agressiva demais, que beira a imprudência. A Sony Pictures optou por lançar 28 Years Later: The Bone Temple apenas alguns meses após o primeiro filme da nova trilogia. No mercado norte-americano, essa janela curta gerou um fenômeno de canibalização e, pior, confusão de marca.
Muitos espectadores acreditaram que o título The Bone Temple era apenas um subtítulo ou uma versão estendida do filme que haviam visto no verão anterior. Lançar uma sequência em janeiro — historicamente conhecido em Hollywood como um "mês de descarte" para produções que os estúdios não sabem como promover — também não ajudou. Nia DaCosta sugeriu que o público pode ter pensado: "Ah, eu já vi esse filme no ano passado", sem perceber que se tratava de uma história inédita e fundamental para a cronologia escrita por Alex Garland (roteirista de Guerra Civil e Extermínio).
Os principais fatores que prejudicaram o filme:
- Confusão de Títulos: A proximidade entre 28 Years Later e 28 Years Later: The Bone Temple confundiu o consumidor médio.
- Janela de Lançamento: O mês de janeiro é tradicionalmente fraco para blockbusters de terror psicológico.
- Marketing Ineficiente: A falta de diferenciação clara entre as duas produções nas peças publicitárias.
- Saturação: O público pode estar começando a sentir o peso de sequências lançadas em intervalos tão curtos.
Reação dos fãs e do mercado cinematográfico
A reação da comunidade geek e dos analistas de mercado tem sido de suporte à visão criativa de DaCosta, mas de crítica severa à gestão da franquia. Ralph Fiennes — o eterno Lord Voldemort da saga Harry Potter —, que interpreta o Dr. Kelson no longa, entrega uma atuação que muitos consideram o ponto alto da obra. No entanto, nem mesmo o peso de um elenco que conta com Jack O'Connell (Skins) e Erin Kellyman (Falcão e o soldado Invernal) foi suficiente para atrair as massas.
"Eu fiz um ótimo filme e estou muito orgulhosa dele. É engraçado porque todos os barômetros que usamos para determinar se um filme é bom diziam que sim, mas a bilheteria não estava lá", desabafou DaCosta.
No Brasil, onde a franquia Extermínio possui um status cult fortíssimo, o debate gira em torno da acessibilidade. Com a fragmentação dos serviços de streaming e o aumento do preço dos ingressos, o público tornou-se muito mais seletivo. Se um filme não é vendido como um "evento imperdível", ele acaba relegado à espera pelo lançamento digital. A Sony, ao tratar a sequência quase como um episódio de TV de alto orçamento lançado no cinema, pode ter subestimado a necessidade de criar um hype individual para The Bone Temple.
O que esperar do futuro da franquia Extermínio?
Apesar do tropeço financeiro, nem tudo está perdido para os infectados pelo vírus da raiva. A Sony Pictures ainda não cancelou oficialmente os planos para o encerramento da trilogia, e a esperança é que o filme recupere seu investimento através do mercado de VOD (Video on Demand) e streaming. A história de The Bone Temple foca na desumanidade dos sobreviventes, apresentando ameaças que vão além dos zumbis velozes, o que garante uma longevidade temática que costuma atrair fãs de nicho ao longo do tempo.
Para o espectador, fica a lição de que o nome da marca nem sempre é suficiente para sustentar uma bilheteria se a estratégia de distribuição for confusa. Nia DaCosta permanece otimista de que o público "encontrará o filme" eventualmente. Resta saber se a Sony terá a mesma paciência ou se veremos uma mudança drástica de tom (ou de orçamento) para o capítulo final.
Por que isso importa para o fã brasileiro?
- Continuidade da Saga: O desempenho de The Bone Temple dita se veremos a conclusão da história de Danny Boyle e Alex Garland nos cinemas ou direto no streaming.
- Qualidade vs. Lucro: O filme prova que o selo de aprovação da crítica nem sempre garante sucesso comercial na era pós-pandemia.
- Ralph Fiennes em Destaque: A performance do ator como Dr. Kelson é citada como obrigatória para fãs de dramas de sobrevivência.
- Janelas de Lançamento: O caso serve de alerta para outros estúdios que tentam saturar o mercado com sequências anuais.


