Naoki Hamaguchi reconhece que a Platina de Final Fantasy VII Rebirth foi excessiva
Naoki Hamaguchi, diretor de Final Fantasy 7 Rebirth — a segunda parte da trilogia de remakes do clássico RPG da Square Enix —, admitiu publicamente que os requisitos para conquistar o troféu de Platina no playstation 5 foram desproporcionais. Em entrevista recente, o desenvolvedor refletiu sobre o design do jogo e como a estrutura de conquistas acabou gerando uma pressão indesejada sobre os jogadores que buscavam o 100%.
O objetivo inicial da equipe de desenvolvimento era oferecer um mundo vasto, repleto de atividades opcionais, permitindo que cada jogador escolhesse o que desejava explorar. No entanto, a implementação do sistema de troféus acabou forçando os usuários a dominarem praticamente todas as mecânicas e desafios secundários para alcançar o nível máximo de conclusão, contradizendo a liberdade de escolha proposta pelo design do mapa.
Contexto: por que importa
A discussão sobre o nível de dificuldade de Platinas em jogos de mundo aberto é recorrente na comunidade gamer. Em Final Fantasy 7 Rebirth, o obstáculo principal para os caçadores de troféus é o troféu "7-Star hotel", que exige que o jogador complete praticamente todos os aspectos do jogo, incluindo desafios de combate de alta dificuldade e minijogos complexos.
De acordo com guias especializados, como o Powerpyx, o tempo necessário para obter a Platina varia entre 150 a 200 horas de jogo. Esse volume de horas, aliado à exigência de perfeição em minigames que nem sempre possuem um apelo unânime, transformou o que deveria ser uma celebração da jornada em uma tarefa exaustiva. Hamaguchi destacou que, em retrospecto, a equipe percebeu que a intenção de expandir a experiência acabou criando uma barreira de entrada e um nível de estresse que não condiz com a proposta de entretenimento do título.
Reação dos fãs e do mercado
A declaração de Hamaguchi foi recebida com alívio por boa parte da comunidade, que há meses vinha debatendo a rigidez dos critérios de conquista. Entre os pontos mais criticados pelos jogadores, destacam-se:
- Excesso de minigames obrigatórios: A necessidade de atingir pontuações perfeitas em atividades secundárias para progredir no troféu de Platina.
- Barreira de tempo: O investimento de tempo superior a 150 horas, que afasta jogadores que possuem agendas mais restritas.
- Dificuldade desbalanceada: Alguns desafios de combate exigem um nível de maestria que frustra jogadores casuais.
A transparência do diretor ao admitir o erro é vista como um movimento positivo de aproximação com o público. Ao reconhecer que a busca pelo troféu deve ser um processo prazeroso, e não uma restrição à liberdade do jogador, a Square Enix sinaliza uma mudança de postura para o encerramento da trilogia.
O que esperar
Olhando para o futuro, o terceiro e último capítulo da trilogia Final Fantasy VII Remake promete lições aprendidas. Hamaguchi garantiu que o design do próximo título será focado em oferecer um mundo ainda mais diversificado, mas com um sistema de conquistas muito mais equilibrado. A promessa é que os desenvolvedores avaliarão se a obtenção de cada troféu é, de fato, uma experiência recompensadora por si só, evitando que a busca pela Platina limite a exploração orgânica do jogo.
O que falta saber
Embora a promessa de um sistema de troféus mais acessível seja clara, detalhes técnicos sobre como isso será aplicado na prática ainda não foram confirmados. A expectativa é que a Square Enix mantenha o nível de desafio nas missões principais, mas torne os objetivos de "completismo" mais flexíveis.
Para os jogadores que ainda estão se aventurando em Final Fantasy 7 Rebirth, resta o conforto de saber que a desenvolvedora está atenta ao feedback. Enquanto aguardamos o desfecho da trilogia, a lição de que o conteúdo deve servir ao jogador, e não o contrário, parece ter sido assimilada pelo alto escalão da produção.


