O estúdio criado por Toshihiro Nagoshi, responsável pela franquia Yakuza/Like a Dragon, foi oficialmente dissolvido após a NetEase retirar o financiamento que sustentava seu único projeto anunciado, Gang of Dragon. A decisão foi confirmada no Kanpo, o diário oficial do governo japonês, em 2 de novembro de 2026.
Nagoshi Studio – o que levou ao fechamento?
Fundado em janeiro de 2022 com capital da gigante chinesa NetEase Games, o Nagoshi Studio tinha como objetivo criar títulos de alta produção para consoles, algo raro para a empresa predominantemente focada em mobile. O primeiro anúncio público veio nos Game Awards de dezembro de 2025, quando Gang of Dragon foi apresentado como um RPG de ação com ambientação feudal japonesa.
Entretanto, em março de 2026, a Bloomberg divulgou que a NetEase encontrou necessidade de um investimento adicional de aproximadamente 7 bilhões de ienes (cerca de US$44 milhões) para concluir o desenvolvimento. A empresa decidiu, então, cortar o aporte, alegando que o retorno esperado não justificava o risco financeiro.
Sem o capital necessário, o estúdio não conseguiu manter sua equipe. O produtor Daisuke Satō, que havia se identificado como ex-funcionário nas redes sociais em junho, confirmou que a maioria dos desenvolvedores foi dispensada. A dissolução formal ocorreu após reunião de acionistas em 31 de outubro.
Ouka Studios – outro caso de corte de financiamento pela NetEase
Ouka Studios, responsável por Visions of Mana, foi outro projeto ambicioso da NetEase que acabou sendo abandonado. A empresa havia contratado talentos de grandes nomes como capcom, Bandai Namco e Square Enix para montar uma equipe focada em consoles, mas acabou encerrando as atividades em final de 2024 após demissões massivas.
O cenário foi semelhante: a NetEase percebeu que os custos de desenvolvimento estavam ultrapassando as projeções iniciais e, ao invés de injetar mais recursos, optou por fechar o estúdio e realocar alguns profissionais, como Ryosuke Yoshida, que migrou para a Square Enix.
Comparativo entre Nagoshi Studio e Ouka Studios
| Aspecto | Nagoshi Studio | Ouka Studios |
|---|---|---|
| Ano de fundação | 2022 | 2020 |
| Projeto principal | Gang of Dragon | Visions of Mana |
| Financiamento inicial da NetEase | ≈ US$30 mi | ≈ US$25 mi |
| Investimento extra solicitado | ≈ US$44 mi | ≈ US$35 mi |
| Decisão da NetEase | Retirada de apoio – estúdio dissolvido | Encerramento – equipe reduzida |
| Impacto no mercado | Incerteza sobre futuro da franquia Yakuza | Descontinuação de um IP ainda em fase de concepção |
O que esses fechamentos revelam sobre a estratégia da NetEase?
Alguns analistas apontam que a empresa está reavaliando seu portfólio de jogos de console, priorizando projetos com retorno mais rápido. Outros defendem que a decisão é consequência de pressões regulatórias na China, que têm forçado gigantes de tecnologia a reduzir investimentos de risco no exterior.
- Foco em mobile: NetEase tem consolidado seu domínio no mercado de jogos para smartphones, onde a margem de lucro costuma ser maior.
- Risco de desenvolvimento AAA: Títulos de alta produção exigem investimentos de longo prazo e não garantem sucesso imediato.
- Pressões regulatórias: Novas políticas chinesas podem limitar a capacidade de capitalizar projetos internacionais.
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Para fãs de Yakuza/Like a Dragon: o encerramento do Nagoshi Studio deixa a franquia em um limbo criativo. Enquanto Toshihiro Nagoshi ainda pode atuar como consultor independente, a ausência de um estúdio dedicado pode atrasar novos lançamentos.
Para desenvolvedores independentes: o caso demonstra que depender de grandes financiadores pode ser perigoso. Buscar múltiplas fontes de capital ou adotar modelos híbridos (crowdfunding + investimento privado) pode mitigar riscos.
Para investidores da NetEase: a retirada de apoio a projetos AAA indica que a empresa está priorizando rentabilidade de curto prazo. Avaliar a exposição a títulos de console pode ser crucial ao montar a carteira.
Qual escolher
Não há “escolha” no sentido tradicional, mas entender as lições desses dois casos pode orientar diferentes perfis:
- Jogadores que buscam novidades rápidas: mantenha o foco em franquias que já têm pipelines consolidados, como Yakuza sob a bandeira da sega.
- Desenvolvedores que almejam projetos ambiciosos: considere parcerias com publishers que tenham histórico de apoio contínuo a títulos AAA, evitando depender exclusivamente de um único investidor.
- Analistas de mercado: monitore a postura da NetEase em relação a investimentos internacionais; mudanças de política podem sinalizar novas oportunidades ou riscos.
Onde isso pode dar
Se a NetEase decidir reverter a estratégia e voltar a investir em jogos de console, poderemos ver um renascimento de estúdios como o Nagoshi Studio, talvez com novos parceiros ocidentais. Por outro lado, se a tendência de corte continuar, o cenário de desenvolvimento AAA fora da China pode se tornar ainda mais concentrado em gigantes como a sony, microsoft e nintendo.
Enquanto isso, a comunidade de fãs de Yakuza permanece na expectativa de anúncios oficiais da Sega ou de algum novo acordo que traga Toshihiro Nagoshi de volta ao volante criativo. O futuro ainda é incerto, mas o fechamento do Nagoshi Studio certamente deixa uma lacuna que outros estúdios poderão tentar preencher.


