TL;DR: Em 2020 a Disney lançou Mulan direto no Disney+ via premier access, cobrando extra dos assinantes e pulando a estreia tradicional nos cinemas, o que provocou revolta nas redes de salas de todo o mundo.
Por que a Disney lançou Mulan direto no Disney+?
A pandemia de COVID‑19 fez com que a maioria dos grandes lançamentos de 2020 fosse adiada. Em vez de empurrar a data de Mulan para 2021, a Disney decidiu manter o cronograma original de setembro e oferecer o filme como "Premier Access" no seu serviço de streaming, cobrando US$ 29,99 dos assinantes nos EUA. A ideia era gerar receita rápida enquanto as salas ainda estavam vazias, mas acabou ignorando a janela tradicional de exibição nos cinemas.
Como a estratégia de "Premier Access" afetou a bilheteria?
O modelo de acesso antecipado fez com que a maior parte do público norte‑americano assistisse ao filme em casa, reduzindo drasticamente a arrecadação nos cinemas. Enquanto o Mulan original de 1998 faturou mais de US$ 300 milhões, a versão live‑action arrecadou apenas cerca de US$ 69 milhões mundialmente, número bem abaixo das expectativas para um título da Disney.
Qual foi a reação das redes de cinema?
As cadeias de cinema — especialmente a AMC e a Cinemark — ficaram indignadas. Elas perderam a chance de lucrar com um blockbuster que, em condições normais, teria sido um dos maiores impulsionadores de receita pós‑pandemia. Um proprietário de cinema na França chegou a destruir um outdoor de Mulan com um taco de críquete, vídeo que viralizou como símbolo da frustração do setor.
Mulan iniciou uma tendência para outros lançamentos da Disney?
Sim. Depois de Mulan, a Disney repetiu o modelo de Premier Access com Raya and the Last Dragon, Cruella, Black Widow e Jungle Cruise ao longo de 2021. Embora esses filmes tenham arrecadado mais que Mulan, todos ficaram aquém dos orçamentos gigantescos, reforçando a percepção de que a Disney estava priorizando assinantes em detrimento das salas.
Como a estratégia impactou a Pixar?
A Pixar também sentiu o efeito colateral. Onward teve seu desempenho de bilheteria prejudicado pela pandemia, e os lançamentos subsequentes — Soul, Turning Red e Luca — foram disponibilizados no Disney+ sem custo extra, tirando ainda mais potenciais receitas das salas. Isso alimentou a ideia de que a Disney estava usando o streaming como principal fonte de lucro, deixando os cinemas cada vez mais desconfiados.
O que mudou depois de 2022?
A partir de 2022 a Disney pareceu esfriar a estratégia de Premier Access. O modelo não foi mais usado e a empresa voltou a lançar alguns títulos simultaneamente nos cinemas e no Disney+, mas com janelas mais tradicionais. Ainda assim, a relação entre Disney e redes de cinema ficou marcada por desconfiança, e o episódio de Mulan continua como referência de como um lançamento pode "pirar" o mercado.
Para ficar no radar
Se você acompanha o cenário de lançamentos, vale ficar de olho nas próximas decisões da Disney sobre janelas de exibição. A empresa ainda tem vários remakes ao vivo em produção, e a forma como eles serão distribuídos pode mudar novamente a dinâmica entre streaming e salas de cinema. Enquanto isso, as redes de cinema continuam pressionando por acordos que garantam uma fatia justa da receita, especialmente em um mundo onde o streaming já é parte do cotidiano.


