Mortal Kombat II, a mais nova adaptação cinematográfica da icônica franquia de jogos de luta, chegou aos cinemas com a força de um Fatality. O longa não apenas conquistou uma aprovação impressionante de 90% do público no Rotten Tomatoes (site agregador de críticas), como também garantiu uma bilheteria estimada em US$ 41 milhões em seu final de semana de estreia. Com esse sucesso estrondoso, as conversas sobre Mortal Kombat 3 já começaram a circular, mas uma revelação recente do roteirista Jeremy Slater pode dividir a base de fãs: a sequência pode não apresentar um torneio tradicional.
Mortal Kombat 3 terá ou não um torneio oficial?
Em uma entrevista exclusiva ao portal norte-americano ComicBook, Jeremy Slater, o roteirista responsável por Mortal Kombat II, abriu o jogo sobre os desafios de estruturar uma trilogia baseada em um universo tão rico e, ao mesmo tempo, focado em uma premissa específica. Segundo Slater, a equipe ainda não bateu o martelo sobre a presença de uma competição formal no terceiro capítulo da saga.
"Acho que existem maneiras de obter a sensação de um torneio sem ter um torneio específico", afirmou Slater. "É uma questão contínua e maior para a qual não tenho uma resposta de 'sim' ou 'não' no momento. Mas acredito que, independentemente de haver um torneio ou não, existem formas de manter aquela sensação de duas pessoas lutando até a morte, mantendo os riscos elevados que o formato de torneio proporciona."
Essa declaração acende um sinal amarelo para os puristas. Afinal, uma das maiores críticas ao primeiro filme do reboot, lançado em 2021, foi justamente a ausência do torneio que dá nome à franquia. Naquela ocasião, a trama focou na preparação dos campeões da Terra e na introdução de Cole Young (personagem inédito criado para o cinema), deixando o combate oficial para uma sequência que, agora, finalmente entregou o que os fãs pediam.
Por que evitar o formato de torneio em Mortal Kombat 3?
A preocupação de Slater parece ser menos sobre ignorar o material original e mais sobre evitar a estagnação criativa. Para o roteirista, repetir a estrutura de chaves de luta, rodadas e uma arena centralizada pode soar derivativo após o que foi apresentado em Mortal Kombat II. O objetivo é surpreender o público, algo difícil de fazer se você segue exatamente a mesma receita de bolo duas vezes seguidas.
Slater explicou sua visão sobre o que faz o torneio funcionar para a audiência:
- Suspense constante: O público entende que a derrota significa a morte definitiva de personagens queridos.
- Ritmo acelerado: A cada 10 ou 15 minutos, o espectador sabe que será recompensado com um combate visceral um-contra-um.
- Clareza de objetivos: As regras são simples, o que permite que o foco fique na coreografia e nos poderes dos lutadores.
Para Mortal Kombat 3, o desafio será emular essa urgência e essa frequência de lutas sem necessariamente precisar de um mestre de cerimônias ou de uma contagem de pontos oficial. No universo dos games de Mortal Kombat (desenvolvidos pela NetherRealm Studios), muitas das histórias mais memoráveis acontecem fora das arenas, como invasões em larga escala entre reinos ou guerras civis na Exoterra (Outworld).
O histórico da franquia Mortal Kombat nos cinemas
Para entender o peso dessa decisão, precisamos olhar para o passado. A franquia nunca foi exatamente a queridinha da crítica especializada, mas sempre teve uma relação passional com o público nerd. O filme original de 1995, dirigido por Paul W.S. Anderson, detém 44% de aprovação crítica e 58% do público, sendo até hoje lembrado por sua trilha sonora icônica e pela fidelidade ao clima dos jogos da época. Ele foi o único a ultrapassar a marca de US$ 100 milhões globalmente até então.
Já a sequência de 1997, Mortal Kombat: Aniquilação, foi um desastre retumbante, com apenas 4% de aprovação da crítica e 24% do público. O reboot de 2021 tentou limpar o nome da marca e conseguiu números sólidos: 55% da crítica e 85% do público, arrecadando US$ 84 milhões em um período ainda afetado pela pandemia. Mortal Kombat II, no entanto, elevou o patamar, e a expectativa é que ele supere a arrecadação do filme anterior e chegue perto do recorde do longa de 95.
O que o futuro reserva para os kombatentes?
Se Jeremy Slater e a Warner Bros. (estúdio responsável pela produção) optarem por um caminho sem torneio, é provável que vejamos uma escalada no conflito. Com a introdução de figuras como Johnny Cage (o astro de Hollywood interpretado por Karl Urban) e a consolidação de vilões clássicos, o terceiro filme tem terreno fértil para explorar uma guerra total. O risco, claro, é cair na armadilha do primeiro filme de 2021, onde a falta de uma estrutura de torneio fez com que o ritmo da narrativa fosse questionado por muitos espectadores.
Ainda não há uma data de lançamento confirmada para Mortal Kombat 3, e o projeto depende da performance final de bilheteria do segundo filme para receber o sinal verde definitivo. No entanto, dado o entusiasmo atual, é difícil imaginar que a jornada de Liu Kang, Scorpion e companhia termine agora.
Por que isso importa?
A decisão de manter ou não o torneio em Mortal Kombat 3 define a identidade da franquia no cinema. Aqui estão os pontos principais para ficar de olho:
- Inovação vs. Tradição: Abandonar o torneio permite explorar tramas de invasão e guerra, mas corre o risco de descaracterizar o nome da marca.
- Manutenção do Ritmo: O roteirista Jeremy Slater precisa garantir que a ação frenética não se perca em meio a uma trama política ou de aventura.
- Fidelidade aos Games: Muitos jogos da série, como MK9, MKX e MK11, focam em narrativas cinematográficas que vão muito além de um simples torneio de artes marciais.
- Expectativa dos Fãs: Após a recepção mista do filme de 2021, a produção sabe que o público quer ver sangue, fatalities e lutas icônicas, com ou sem chaves de torneio.


