O final da segunda temporada de Monarch: Legacy of Monsters (série de ficção científica do Apple TV+) deixou os fãs do Monsterverse (universo cinematográfico de monstros da Legendary) com a cabeça fervendo. No centro de toda a trama emocional está Keiko, a cientista deslocada no tempo interpretada por Mari Yamamoto. Após passar décadas presa no Eixo Mundi — um reino entre mundos onde o tempo corre de forma diferente — Keiko retornou ao presente para descobrir que o mundo que ela ajudou a mapear agora é dominado por organizações sombrias e titãs colossais.
Em uma entrevista exclusiva ao portal ComicBook, Yamamoto mergulhou profundamente na psique de sua personagem, explicando como Keiko está lidando com o choque cultural e biológico de estar no século XXI, além de comentar sobre o retorno triunfal de rodan (o clássico pterossauro gigante da franquia Toho) e as complexas relações familiares que movem a série.
Como Keiko reagiu à revelação sobre Lee Shaw?
Um dos momentos mais impactantes do final da temporada foi a descoberta de que Lee Shaw (personagem interpretado por Kurt Russell) também esteve no Eixo Mundi quando Keiko foi deixada para trás. Para a cientista, essa informação não foi apenas um choque técnico, mas uma traição devastadora. Yamamoto explica que Keiko passou o que pareciam ser dois meses para ela (mas quase 60 anos no mundo real) conversando mentalmente com Shaw e seus entes queridos, mantendo a sanidade através dessa conexão imaginária.
A atriz destaca que o sentimento predominante é o de tempo roubado. Ao saber que Shaw teve a oportunidade de resgatá-la ou de estar com ela e não o fez da maneira esperada, Keiko sente que perdeu a chance de ver seu filho crescer. De acordo com Yamamoto, o foco da personagem não é a vingança, mas o luto pelo que poderia ter sido. É uma abordagem humana e vulnerável em meio a um cenário de destruição em massa causado por monstros gigantes.
Quais foram os desafios das cenas de ação na Ilha da Caveira?
O episódio final, intitulado "We Belong Here", leva o Time Monarch para a icônica Ilha da Caveira (lar do kong). As sequências de ação envolveram perseguições de jipe e fugas desesperadas de titãs como o Titan X (também conhecido como Co’cai). Yamamoto revelou detalhes curiosos sobre os bastidores da produção:
- Direção Real: Embora pareça que ela está pilotando o jipe em alta velocidade, a produção utilizou um veículo modificado com um motorista escondido na parte traseira, permitindo que os atores focassem na atuação enquanto o dublê controlava o carro.
- Corrida de Cientista: Diferente de Anna Sawai (que interpreta Cate e tem uma corrida atlética comparada à de Tom Cruise), Yamamoto decidiu que Keiko deveria correr como uma pessoa comum, uma cientista que não está acostumada com o treinamento militar, trazendo mais realismo à tensão da cena.
- Locações: As filmagens ocorreram em cenários deslumbrantes na Austrália e na Tailândia, utilizando efeitos práticos sempre que possível para aumentar a imersão.
O que o retorno de Rodan significa para o futuro da série?
Para os aficionados pela lore dos kaijus, a menção e a aparição iminente de Rodan é o ponto alto. Rodan é um dos monstros mais antigos e respeitados da franquia godzilla, conhecido por sua velocidade supersônica e natureza volátil. Yamamoto expressou grande entusiasmo com a introdução de criaturas clássicas, mencionando que Keiko, como cientista, vê esses seres com um misto de terror e fascinação acadêmica.
A atriz também citou uma referência obscura inserida na temporada: Pulgasari. Para quem não sabe, Pulgasari é um monstro do folclore coreano que virou filme em uma produção polêmica da Coreia do Norte nos anos 80. Esse tipo de "deep cut" (referência profunda) mostra que os roteiristas de Monarch: Legacy of Monsters estão comprometidos em expandir o bestiário da série para além do óbvio, honrando a história do cinema de monstros asiático.
A formação da Monarch 2.0 e o papel de Keiko
Com o fim da segunda temporada, vemos o surgimento do que pode ser chamado de "Monarch 2.0". Keiko agora tenta encontrar seu lugar em uma organização que ela mesma ajudou a fundar, mas que se tornou algo irreconhecível. Yamamoto descreve a jornada de sua personagem nesta temporada como "sofrer enquanto corre". Em apenas dez dias cronológicos dentro da história, ela teve que processar a morte de seu marido, de seu filho e a mudança radical do mundo.
A âncora de Keiko no presente é sua neta, Cate. A conexão entre as duas é baseada na curiosidade científica e na coragem de acreditar no impossível. Enquanto Keiko luta para se conectar com seu neto Kentaro (interpretado por Ren Watabe), em quem ela vê muito de seu falecido filho Hiroshi, sua relação com Cate floresce através do estudo dos monstros. Para Keiko, os titãs não são apenas ameaças; eles são a única coisa familiar que restou de seu tempo original.
"Keiko é uma pessoa que ama ferozmente. Todos que ela conhecia morreram ou partiram. Ter alguém para amar, como Cate, dá a ela um propósito para ficar neste novo mundo", afirmou Yamamoto.
Por que isso importa para o Monsterverse?
A evolução de Monarch: Legacy of Monsters sinaliza que o Apple TV+ e a Legendary estão dispostos a investir em uma narrativa mais densa e focada em personagens, sem abrir mão do espetáculo visual. A inclusão de Rodan sugere que a terceira temporada (ainda não confirmada oficialmente, mas amplamente esperada) elevará a escala dos confrontos.
O que esperar do futuro:
- Conexão com os filmes: A série deve começar a se alinhar mais diretamente com os eventos de Godzilla: Rei dos Monstros e Godzilla vs. Kong.
- Exploração do Eixo Mundi: Mais segredos sobre como a física funciona nesse reino devem ser revelados, especialmente agora que Apex Cybernetics está envolvida.
- Desenvolvimento de Keiko: A personagem deve assumir um papel de liderança intelectual na nova Monarch, possivelmente tentando encontrar formas de comunicação com os Titãs.
- Novos (e velhos) Kaijus: Além de Rodan, a expectativa é que outros monstros da Toho façam aparições especiais ou sejam mencionados em arquivos da Monarch.


