O fim da era das cuecas de pelo em Eternia
Se você cresceu assistindo ao desenho clássico ou brincando com os bonecos da Mattel — a gigante dos brinquedos responsável por imortalizar o herói —, sabe que o visual do He-Man sempre foi, digamos, peculiar. A boa notícia para quem temia um desastre estético no novo live-action dirigido por Travis Knight é que o icônico traje de pelúcia foi oficialmente aposentado. O figurinista Richard Sale confirmou que a produção decidiu seguir um caminho mais realista e menos... bem, menos "merkin" para o príncipe de Eternia.
A decisão não foi apenas por medo de virar meme (embora a gente saiba que a internet não perdoa). Segundo Sale, trazer as cuecas de pelo para o mundo real sem parecer algo saído de um filme de baixo orçamento dos anos 80 era uma missão quase impossível. Em vez disso, o He-Man de Nicholas Galitzine — ator conhecido por seus papéis em produções recentes de streaming — ostentará uma saia de couro no estilo gladiador, tecnicamente chamada de pteruges. Além de evitar o visual duvidoso, a escolha garante um ar de proteção real para o combate, algo que um guerreiro que enfrenta o Esqueleto realmente precisa.
Por que o visual do He-Man mudou tanto?
O desafio de adaptar um personagem tão icônico para as telonas vai muito além de escolher a cor da roupa. A equipe de produção teve que lidar com uma série de fatores que mostram como o cinema moderno leva a sério a construção de um herói:
- Funcionalidade acima de tudo: As tiras de couro protegem as pernas e dão mobilidade, algo que a cueca de pelo original nunca ofereceu em termos de design tático.
- História e profundidade: O objetivo de Richard Sale foi criar um traje que parecesse ter uma origem, com texturas e detalhes que contam a história do personagem, em vez de apenas reproduzir o plástico flat dos anos 80.
- Realismo físico: O traje precisou ser ajustado constantemente, já que Galitzine estava em um processo intenso de ganho de massa muscular durante toda a pré-produção.
- Proporções heroicas: Com o desenvolvimento dos músculos do trapézio e ombros do ator, a equipe teve que recalibrar o tamanho dos emblemas e das ombreiras para garantir que o visual ficasse equilibrado.
- O fator "nipples": Sim, até a posição dos mamilos na armadura foi um tópico de debate técnico para garantir que a peça assentasse perfeitamente no peitoral do ator.
É engraçado pensar que, nos bastidores, a equipe ainda brincava com o ator, ameaçando colocá-lo nas famosas calças de pelo só para ver a reação dele. Galitzine, por sua vez, mostrou uma dedicação de dar inveja, mantendo o foco no treino até nos intervalos das conversas com a equipe de produção. O resultado é uma armadura que, segundo o designer Guy Hendrix Dyas, precisou ser finalizada praticamente na semana anterior ao início das filmagens para acompanhar o crescimento físico do protagonista.
O peso da espada do Poder
Não dá para falar de He-Man sem mencionar sua arma principal. A produção criou cerca de doze versões da Espada do Poder para atender às diferentes necessidades das cenas de ação. A "espada heroica", aquela usada nos momentos de maior impacto, é pesada de verdade. A ideia é que, quando Nicholas Galitzine levantá-la acima da cabeça, o esforço físico seja visível, fazendo com que seus bíceps saltem de forma natural, sem precisar de truques de câmera. É o tipo de detalhe que os fãs mais puristas costumam notar e valorizar.
Para ficar no radar
A expectativa para Masters of the Universe é alta, especialmente com a promessa de um visual que respeita a essência do material original sem cair nas armadilhas do passado. Com estreia agendada para 5 de junho de 2026, o filme tem a difícil tarefa de agradar tanto os colecionadores da velha guarda quanto o público que nunca ouviu falar de Grayskull.
Por enquanto, o que nos resta é observar os próximos trailers e ver se o tom épico prometido pela equipe de Knight vai se sustentar. A aposta da redação? O filme deve brilhar se conseguir equilibrar esse novo visual mais "pé no chão" com a fantasia exagerada que define a franquia. Se o He-Man vai ser o novo padrão de herói de ação, só o tempo (e a bilheteria) dirá.


