Mass Effect 5 foi cancelado após a decisão da EA de fechar a BioWare, mas a equipe revelou que o jogo pretendia oferecer um grau de autonomia e escolha ainda não visto nos RPGs de grande orçamento.
O anúncio gerou frustração entre os fãs, que esperavam um título capaz de elevar a série ao patamar de Baldur's Gate 3 ou The Witcher 3. A seguir, analisamos o que o projeto prometia e comparamos suas ambições a outros RPGs que marcaram a última década.
Mass Effect 5 vs Baldur's Gate 3: liberdade de decisão
Segundo Tony de Waal, supervisor de cinematografia da BioWare, a proposta central era criar "um nível de autonomia e escolha que nenhum outro jogo alcançou". Em Baldur's Gate 3, a liberdade está atrelada ao sistema D&D 5e, onde cada jogada de dado pode mudar o rumo da história. A diferença apontada pelos desenvolvedores do Mass Effect 5 seria a integração dessa liberdade ao universo de ficção científica, permitindo que decisões de nível galáctico (ex.: alianças interplanetárias) influenciassem diretamente a mecânica de combate e a progressão de personagens.
Mass Effect 5 vs The Witcher 3: profundidade narrativa
Enquanto The Witcher 3 se destaca pela narrativa ramificada e consequências de longo prazo, o plano da BioWare incluía um sistema de "cascata de escolhas" que afetaria não só missões individuais, mas também a estrutura política de civilizações inteiras. O objetivo era que cada decisão criasse ramificações que se retroalimentassem, algo que ainda não foi visto em nenhum RPG mainstream.
Mass Effect 5 vs Cyberpunk 2077: integração de mundo aberto
Cyberpunk 2077 oferece um mundo aberto rico, porém suas escolhas são frequentemente limitadas a missões específicas. O próximo Mass Effect pretendia combinar um mundo aberto espacial com missões que alterassem a geopolítica da Via Lactea, permitindo que o jogador moldasse a história de forma dinâmica, semelhante ao que Larian Studios fez em Divinity: Original Sin 2, porém em escala interplanetária.
| Aspecto | Mass Effect 5 (proposta) | Baldur's Gate 3 | The Witcher 3 | Cyberpunk 2077 |
|---|---|---|---|---|
| Escala de escolha | Decisões que alteram facções galácticas e rotas de viagem | Impacto baseado em regras D&D, limitado a grupos menores | Consequências de missões que afetam regiões específicas | Escolhas impactam quests, mas pouca mudança no mapa global |
| Integração narrativa/combatente | Sistema de "cascata" que altera habilidades e diálogos em tempo real | Diálogos ramificados, combate separado | Missões principais influenciam finais, combate independente | Combate hack‑and‑slash, narrativa paralela |
| Rejogabilidade | Altas, devido a múltiplas linhas de história galácticas | Elevada, mas centrada em combos de classe | Boa, porém os finais são limitados | Moderada, com poucos caminhos alternativos |
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Com base nas comparações acima, fica claro que o que o Mass Effect 5 prometia não era apenas mais um título da série, mas um salto conceitual em liberdade de escolha. Para diferentes tipos de jogadores brasileiros, a escolha ideal varia:
- Fãs de narrativa profunda: The Witcher 3 ainda oferece a experiência mais madura em termos de storytelling, apesar de sua escala menor.
- Entusiastas de mecânicas de mesa: Baldur's Gate 3 traz o sabor D&D que agrada quem gosta de rolagens e regras complexas.
- Jogadores que buscam liberdade total: O conceito de Mass Effect 5, se tivesse sido concluído, teria sido o ponto de encontro entre estas duas vertentes, mas na prática, Divinity: Original Sin 2 (Larian) oferece a maior autonomia dentro de um RPG de sci‑fi/fantasia.
- Quem prefere ação rápida em mundo aberto: Cyberpunk 2077 ainda lidera, apesar de seus problemas iniciais.
Em resumo, enquanto o futuro de Mass Effect 5 permanece incerto, a comunidade já tem alternativas que cobrem partes da promessa original. O que falta, porém, é um título que una a escala galáctica da franquia com a profundidade de escolha que Larian e CD Projekt demonstraram nos últimos anos.
O que falta saber
Até o momento, a BioWare não divulgou detalhes técnicos sobre como o sistema de autonomia seria implementado, nem há confirmação de que algum protótipo tenha sido preservado. O que se sabe é que mais de 50 profissionais foram dispensados, incluindo Tony de Waal, que descreveu o projeto como "algo especial". Caso a EA recupere parte do talento ou que algum ex‑funcionário compartilhe documentos internos, poderemos ter uma visão mais clara do que poderia ter sido.
Enquanto isso, os fãs continuam a especular nas redes sociais, mantendo viva a esperança de que um futuro título da série possa retomar essas ambições. Até lá, a melhor estratégia é explorar os RPGs que já entregam partes da experiência prometida e ficar atento a anúncios de novos projetos da BioWare ou de estúdios parceiros.


