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Cinema e Series

Margaret Atwood e o problema dos dragões em Game of Thrones

· · 4 min de leitura
Pessoa lendo um livro de fantasia enquanto se alonga em um tapete de yoga ao lado de uma garrafa de água e frutas
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O que aconteceu

Quem diria que a mente brilhante por trás de O Conto da Aia (a obra distópica que virou série de sucesso) também estava de olho nas tretas de Westeros? Em 2015, a escritora canadense Margaret Atwood publicou um artigo no jornal The Guardian que, hoje, soa como uma profecia (bem errada, diga-se de passagem) sobre o destino de Daenerys Targaryen e seus "filhos" escamosos em Game of Thrones, a épica série de fantasia da HBO.

Atwood não poupou críticas à forma como os dragões foram adaptados para a telinha. Enquanto na literatura de fantasia clássica — como nas obras de Ursula K. Le Guin ou no próprio Beowulf — os dragões costumam ser criaturas sábias, enigmáticas ou guardiãs de tesouros, em Westeros a coisa é bem diferente. Para a autora, os dragões de George R.R. Martin funcionam mais como “bazucas de superarmas” do que como seres mitológicos complexos. Eles são visualmente atraentes, claro, mas faltava aquele toque de inteligência ou diálogo que a gente espera de um dragão de respeito.

Como chegamos aqui

A análise de Atwood veio em um momento em que a série estava no auge da popularidade, com Daenerys (interpretada por Emilia Clarke) consolidando seu poder. Na visão da escritora, a "Mãe dos Dragões" era uma líder promissora, alguém com sangue de heróis lendários correndo nas veias. Ela chegou a comparar o estilo de Daenerys ao de elfos da Terra Média, embora tenha feito questão de notar que, ao contrário de Galadriel, a Targaryen não tinha orelhas pontudas.

Atwood parecia genuinamente torcer pela personagem, vendo nela uma figura forte, alinhada com as protagonistas complexas que ela mesma costuma criar em seus livros. Mas, como todo bom fã de fantasia que gosta de fazer teorias, ela se empolgou na hora de prever o final:

  • Acreditava que Daenerys derrotaria o "Rei da Neve" (o Rei da Noite).
  • Sugeria que Dany poderia se casar e ter herdeiros.
  • Descartou qualquer chance de um romance entre ela e Tyrion Lannister.
  • Esperava que Tyrion sobrevivesse ao caos político de Porto Real sem perder a cabeça (ou ser transformado em algo bizarro).

É engraçado olhar para trás e ver como essas expectativas foram completamente atropeladas pelo roteiro da série. Enquanto Atwood esperava uma ascensão gloriosa, a realidade de Game of Thrones foi um mergulho na loucura, com Daenerys queimando tudo o que via pela frente e o Tyrion terminando como o grande estrategista de um novo rei escolhido a dedo.

O que vem depois

Se as previsões de Atwood sobre o final da série foram um "fail" monumental, a crítica sobre os dragões continua sendo um ponto de discussão válido entre os puristas da fantasia. Afinal, a série nunca tentou dar aos dragões de Daenerys uma personalidade falante ou uma sabedoria ancestral; eles sempre foram, de fato, as armas nucleares de um mundo medieval. E, sejamos honestos, isso foi o que tornou as cenas de batalha tão icônicas e destrutivas.

Hoje, com a franquia expandida através de House of the Dragon — o derivado focado na dinastia Targaryen que retorna para sua terceira temporada em 21 de junho —, resta saber se a HBO conseguiu dar mais profundidade a essas criaturas. Se Atwood estivesse assistindo agora, será que ela acharia que os dragões de Rhaenyra e Daemon têm mais "personalidade" do que os de Daenerys? Ou será que eles continuam sendo apenas ferramentas de guerra com um design mais apurado?

O fato é que, mesmo errando feio no bolão do final da série, Margaret Atwood provou que até os maiores autores de ficção caem na armadilha de tentar adivinhar o caos imprevisível de Westeros. E, no fim das contas, talvez o maior problema de Game of Thrones não fosse a falta de conversa dos dragões, mas o roteiro que decidiu ignorar qualquer lógica narrativa em prol do choque. Se você ainda tem esperança de ver dragões mais "Zen" como os de Le Guin, talvez seja melhor continuar lendo os livros e esquecer o que aconteceu naquela última temporada.

Perguntas frequentes

O que Margaret Atwood achava dos dragões de Game of Thrones?
Atwood criticou os dragões por serem apenas armas de destruição em massa, comparando-os a 'bazucas' sem a inteligência ou a capacidade de fala presentes em outras obras de fantasia clássica.
Margaret Atwood acertou o final de Game of Thrones?
Não, ela estava completamente errada. Ela previu que Daenerys venceria o Rei da Noite e governaria, mas a personagem acabou se tornando uma vilã e sendo morta por Jon Snow.
Quais dragões Margaret Atwood usou como comparação?
Ela citou os dragões da mitologia chinesa, o folclore galês, os dragões de São Jorge e, principalmente, os dragões sábios e enigmáticos da série Terramar, de Ursula K. Le Guin.
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