Para marcar seus 15 anos, a MAPPA participou do animagic, na Alemanha, onde presidente Manabu Otsuka e diretora Kaori Makita conversaram sobre a trajetória da produtora e os rumos da indústria de anime.
O que aconteceu
No fim de setembro, a MAPPA aproveitou a presença no AnimagiC para exibir o filme chainsaw man – The Movie: Reze Arc e organizar um painel exclusivo com fãs europeus. Durante o encontro, Otsuka – presidente e CEO – e Makita – diretora de episódios – responderam perguntas sobre produção, expansão regional e a influência do público internacional.
Os dois ressaltaram que, apesar de 15 anos de história, a empresa não identifica um único ponto de virada; destaca‑se, porém, o sucesso de terror in resonance (2014) e yuri!!! on ice (2016) como marcos que ampliaram a visibilidade da MAPPA.
Em relação ao tempo de produção, Otsuka explicou que, nos primeiros anos, o ciclo de um anime era de cerca de dois anos, enquanto hoje projetos de grande porte exigem três a cinco anos, desde o planejamento até a transmissão.
Como chegamos aqui
O crescimento da MAPPA reflete mudanças estruturais na indústria. A produtora passou de um modelo focado apenas na parte criativa – delegando distribuição a comitês de produção – para um modelo integrado, onde cria e distribui seus próprios títulos, como foi testado com Chainsaw Man. Essa estratégia visa preservar a visão dos criadores e melhorar a relação entre produção e público.
Além da estratégia de financiamento, a MAPPA tem investido em descentralização. Historicamente, a maior parte dos estúdios de animação está concentrada em Tóquio, o que dificulta o acesso de talentos de outras regiões. Para mudar esse cenário, a MAPPA abriu filiais em Tohoku e Osaka, permitindo que jovens de Shizuoka, por exemplo, trabalhem sem precisar se mudar para a capital.
O foco em jovens animadores também está presente nas políticas de contratação. Makita, que começou como coordenadora de design na década passada, destaca que a energia criativa dos profissionais na faixa dos vinte anos tem sido decisiva para obras como kakegurui twin e punch line. A empresa busca manter um ciclo de projetos contínuo, evitando a rotina que poderia estagnar a qualidade.
- Descentralização: filiais em Tohoku e Osaka.
- Integração criativa: produção + distribuição própria.
- Valorização de jovens talentos: oportunidades para animadores na casa dos 20 anos.
Quanto à influência internacional, Otsuka admite que o mercado externo tem peso nas decisões, mas alerta contra a perda da identidade japonesa. A equipe procura equilibrar aprendizados globais com a essência que caracteriza o anime tradicional.
Sobre tecnologia, a MAPPA vê ferramentas digitais – 3D, IA e softwares de pintura – como auxiliares que podem otimizar fluxos, mas nunca substituirão a criatividade humana. “A emoção vem das pessoas”, afirma Otsuka.
O que vem depois
O futuro da MAPPA será marcado por três linhas de ação principais:
- Expansão de projetos globais: continuar testando modelos de financiamento e distribuição que permitam maior autonomia criativa.
- Fortalecimento das filiais regionais: ampliar a presença em cidades fora de Tóquio, facilitando a captação de talentos de todo o Japão.
- Investimento em formação: criar programas de mentoria e estágios que garantam carreiras duradouras para animadores iniciantes.
Para o público brasileiro, esses movimentos significam maior diversidade de títulos e, possivelmente, mais legendas e dublagens que reflitam a variedade de estilos que a MAPPA tem produzido. A presença da MAPPA em convenções internacionais também abre espaço para interações diretas com fãs, o que pode resultar em eventos e lançamentos exclusivos no Brasil.
O último ponto abordado no painel foi a experiência no AnimagiC. Tanto Otsuka quanto Makita relataram que o público europeu demonstra um nível de respeito e conhecimento semelhante ao dos fãs japoneses, reforçando a ideia de que o anime é uma linguagem universal.
Para ficar no radar
Os fãs que acompanham a MAPPA devem ficar atentos ao MAPPA EXPO 15th Anniversary, em exibição no Museu YURAKUCHO até 7 de dezembro de 2026, e às próximas estreias de obras que ainda não foram anunciadas oficialmente. Enquanto a empresa refina seu modelo de produção, a expectativa é que novos títulos continuem a surpreender tanto o público nacional quanto o internacional.


