Leviticus estreou nos cinemas australianos em 19 de junho de 2026, trazendo terror psicológico ao retratar terapia de conversão e um ente que assume a forma da pessoa desejada.
O que aconteceu?
O longa‑série de estreia de Adrian Chiarella, Leviticus, acompanha Naim (Joe Bird) e Ryan (Stacy Clausen), dois adolescentes que são submetidos a um programa experimental de "cura" chamado "deliverance healing". O procedimento desperta uma entidade mutante que se apresenta como o maior desejo de cada um – o próprio parceiro. A trama se desenvolve em um vilarejo rural da Austrália, onde a comunidade religiosa impõe regras rígidas e vê a homossexualidade como pecado.
Ao longo de 108 minutos, o filme alterna cenas de intimidade roubada em um moinho abandonado com momentos de perseguição sobrenatural. Cada aparição da entidade aumenta a tensão, pois o medo não vem apenas do monstro, mas da própria necessidade de ser aceito.
Como chegamos aqui?
O conceito de Leviticus nasce da experiência pessoal do roteirista, que relata ter sido confrontado com a realidade de terapias de conversão ao reconectar-se com uma antiga paixão que foi enviada a um colégio católico. Essa história real serviu de base para a criação de um horror que critica diretamente a prática de "cura" gay, ainda presente em algumas comunidades conservadoras.
Durante a produção, Chiarella optou por filmar em locações autênticas da região de New South Wales, usando luz natural para acentuar o clima opressivo. A escolha de atores emergentes, como Bird, que havia se destacado em "Talk to Me", e Clausen, reforça a sensação de vulnerabilidade juvenil. A participação de Mia Wasikowska como Arlene, mãe de Naim, traz peso dramático ao papel de quem acredita estar salvando o filho.
O filme também incorpora referências ao clássico It Follows, mas se diferencia ao colocar a sexualidade como ponto central da ameaça. A entidade não é apenas um predador; ela personifica o medo internalizado de ser rejeitado pelo próprio desejo.
O que vem depois?
Leviticus já está em cartaz nas principais salas da Austrália e tem distribuição limitada nos EUA via plataformas de streaming indie. A crítica tem elogiado a abordagem corajosa e a performance dos protagonistas, apontando o filme como um dos melhores do gênero queer de 2026. Ainda não há confirmação de prêmios, mas o festival de cinema de Sydney incluiu a obra em sua seção de estreia internacional.
Para quem acompanha a discussão sobre terapias de conversão, o filme pode servir como ferramenta educativa, pois evidencia o dano psicológico causado por essas práticas. Organizações de direitos LGBTQ indicam o longa como material de apoio em campanhas de conscientização.
Qual o impacto cultural de Leviticus?
- Visibilidade LGBTQ+: ao colocar um romance gay no centro da narrativa de horror, o filme amplia a representatividade em um gênero historicamente heteronormativo.
- Crítica social: a obra denuncia a persistência de terapias de conversão, reforçando dados de que essas práticas custam bilhões de dólares ao sistema de saúde americano.
- Influência estética: a combinação de ambientes rurais desolados com efeitos práticos de maquiagem cria um estilo visual que pode inspirar futuros diretores de horror indie.
Onde encontrar Leviticus?
Atualmente, a produção está em exibição nas salas de cinema da Austrália, Nova Zelândia e alguns mercados europeus selecionados. Nos Estados Unidos, a data de estreia em streaming ainda não foi anunciada, mas a distribuidora Neon indica que o filme chegará a plataformas digitais no segundo semestre de 2026.
O que falta saber
Embora o roteiro revele muito sobre o processo de conversão, alguns detalhes permanecem obscuros:
- O orçamento exato da produção não foi divulgado – estimativas apontam entre US$ 3 e 5 milhões.
- Não há informações confirmadas sobre uma sequência ou spin‑off.
- Os números de bilheteria ainda são preliminares; a estreia gerou US$ 1,2 milhão nas primeiras duas semanas.
Para ficar no radar
Leviticus demonstra que o horror pode ser ferramenta de crítica social eficaz, especialmente ao abordar temas como a homofobia institucional. Seu sucesso pode abrir caminho para mais produções que explorem a intersecção entre medo sobrenatural e opressão real.
O veredito
Com direção confiante, atuações intensas e um roteiro que une medo interno e externo, Leviticus se consolida como um dos melhores filmes de terror de 2026. Ele não só entrega sustos calculados, mas também provoca reflexão sobre a violência psicológica imposta por dogmas religiosos. Para quem busca horror com conteúdo relevante, a obra é indispensável.


