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Leonard Nimoy – Funny About Love odiado por Roger Ebert

· · 6 min de leitura
Imagem de Gene Wilder — Leonard Nimoy – Funny About Love odiado por Roger Ebert
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Roger Ebert deu nota quase zero a funny about love, a tentativa de comédia romântica de 1990 dirigida por Leonard Nimoy, e o filme acabou afundando nas bilheterias, arrecadando menos da metade do orçamento.

O que aconteceu

Em 1990, Funny About Love chegou aos cinemas com Gene Wilder no papel de Duffy Berman, um cartunista que se apaixona pela chef gourmet Meg Lloyd (interpretada por Christine Lahti). A trama segue o casal enquanto tenta ter um filho, enfrenta a morte da mãe de Duffy e, eventualmente, se separa. Duffy então viaja ao Arizona, faz um discurso em um congresso de “deuses do amor” – a única parte que realmente tem ligação com o artigo de Bob Greene, “Convention of the Love Goddesses”, publicado na esquire magazine – e conhece a jovem Daphne Delillo (Mary Stuart Masterson). O filme tenta misturar humor, drama e romance, mas tropeça em diálogos forçados e situações que parecem mais “ensaiadas” que espontâneas.

Roger Ebert, então crítico do Chicago Sun‑Times, não poupou palavras: descreveu o longa como “uma alienação incrível de qualquer norma humana conhecida” e criticou duramente a atuação de Wilder, acusando‑o de “maneirismos não vocais” que pareciam mais um esforço para “ensinar a si mesmo como se masturbar”. O crítico deu ao filme apenas meia estrela, classificando‑o como “o mais meloso, inane e irritante diálogo que já ouvi”. O resultado? Um score de 0% no Rotten Tomatoes e um faturamento de US$ 8,1 milhões contra um orçamento de US$ 12 milhões.

Como chegamos aqui

Antes de Funny About Love, Leonard Nimoy já havia provado que sabia dirigir. Seu maior sucesso foi Three Men and a Baby (1987), que arrecadou mais de US$ 167 milhões mundialmente e recebeu elogios moderados. Contudo, a sequência de projetos logo começou a declinar. Em 1988, Nimoy dirigiu The Good Mother, drama estrelado por Liam Neeson e Diane Keaton, que recebeu críticas negativas e acabou atrasando a produção de star trek V: The Final Frontier, já que Nimoy estava sobrecarregado com a direção.

Esses tropeços já deixavam indícios de que a transição de ator icônico de Star Trek para diretor estava longe de ser fluida. Quando decidiu encarar Funny About Love, Nimoy parecia buscar redenção, apostando em um gênero totalmente diferente – a comédia romântica – e em um elenco de peso. O risco, porém, não foi calculado: o roteiro, baseado em um artigo de revista, acabou sendo reduzido a um único discurso, enquanto o restante do filme parecia improvisado. A crítica de Ebert, embora severa, refletiu um consenso mais amplo: o filme não entregava nem risadas nem emoção.

Além da falha criativa, o contexto da época também contribuiu para o fracasso. 1990 foi um ano de grandes lançamentos – home alone, ghost e dances with wolves dominavam as bilheterias – e um filme com pouca promoção, dirigido por alguém mais conhecido por seu papel de spock do que por sua visão de diretor, tinha pouca chance de se destacar.

O que vem depois

Quase quatro décadas depois, Funny About Love ainda não ganhou um culto de fãs que transformou seu desastre em curiosidade nostálgica. O filme raramente aparece em listas de “piores filmes de Hollywood” e, quando o faz, costuma ser citado como um exemplo de “bom ator, péssimo diretor”. No entanto, a obra tem um pequeno nicho de colecionadores que apreciam o fato de ser um dos raros filmes dirigidos por Nimoy que ainda não foram totalmente apagados da memória cinematográfica.

Para os estudiosos de cinema, o longa serve como estudo de caso sobre como a reputação de um artista pode influenciar (ou não) a recepção de seu trabalho fora do gênero que o consagrou. Também funciona como alerta para estúdios que apostam em talentos de atuação sem considerar sua experiência real de direção. Em termos de legado, o filme reforça a ideia de que nem todo talento é transferível e que a crítica especializada – como a de Ebert – ainda tem peso para definir a trajetória de um filme.

Se houver alguma redenção possível, ela viria de uma reavaliação crítica que reconheça, apesar de tudo, alguns pontos positivos: a química inesperada entre Wilder e Lahti, a tentativa de abordar a infertilidade de forma sensível (ainda que mal executada) e a curiosa inclusão de um discurso inspirado em um artigo da Esquire. Mas, até que um crítico de renome decida revisitar o filme com uma lente mais benevolente, Funny About Love continuará sendo lembrado principalmente como o filme que Roger Ebert odiou.

O lado que ninguém está vendo

Embora a maioria concorde que Funny About Love falhou em quase todos os níveis, há um detalhe que costuma passar despercebido: a tentativa de Nimoy de explorar temas de vulnerabilidade masculina e de construção de identidade fora da figura do “engenheiro” ou “cientista” que ele interpretou como Spock. O personagem de Wilder, Duffy, luta contra a própria masculinidade ao tentar conceber um filho, ao mesmo tempo em que se vê forçado a assumir papéis tradicionalmente femininos (como cuidar da casa e lidar com a perda da mãe). Essa camada, ainda que mal desenvolvida, poderia ser vista como uma semente de discussões atuais sobre paternidade e pressão social.

Além disso, a escolha de adaptar um artigo de revista – algo raramente visto em grandes produções da época – demonstra uma ousadia que, se bem executada, poderia ter aberto caminho para adaptações mais experimentais. O fracasso, portanto, não está apenas no roteiro ou nas performances, mas também na falta de visão de produção para transformar essa ideia em algo coeso.

Em resumo, o filme pode ser um desastre, mas também é um lembrete de que até os maiores talentos podem tropeçar quando se aventuram fora de sua zona de conforto. E, talvez, a crítica de Ebert, tão implacável, tenha sido o catalisador que impediu que Nimoy continuasse a dirigir, preservando seu legado como o icônico Spock que o público ainda ama.

Datas e o que falta saber

  • Data de lançamento: 1990 (Estados Unidos).
  • Orçamento estimado: US$ 12 milhões.
  • Bilheteria mundial: aproximadamente US$ 8,1 milhões.
  • Nota no Rotten Tomatoes: 0% (crítica).
  • Nota de Roger Ebert: ½ estrela.

FAQ

  • Por que Roger Ebert odiou "Funny About Love"? Ebert considerou o roteiro “inane”, a atuação de Gene Wilder forçada e os diálogos “o mais meloso e irritante” que já ouviu, resultando em uma nota de meia estrela.
  • O filme foi um fracasso financeiro? Sim. Com um orçamento de US$ 12 milhões, arrecadou apenas cerca de US$ 8,1 milhões, ficando abaixo da margem de lucro.
  • Existe alguma redenção para o filme hoje? Pouco. O título ainda é citado como exemplo de mau filme, embora alguns apreciem a tentativa de abordar vulnerabilidade masculina.
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