TL;DR: Lazarus, o anime mais aguardado de Shinichirō Watanabe, chegou com enorme hype, mas acabou sendo esquecido após um ano devido a roteiro frágil e falta de distribuição.
O que prometia o hype de Lazarus?
Quando a netflix e a MAPPA anunciaram a parceria com Shinichirō Watanabe – diretor de Cowboy Bebop e Samurai Champloo – o anúncio foi acompanhado de um trailer que mostrava sequências de ação coreografadas por Chad Stahelski, diretor da franquia John Wick. A combinação de um mestre da narrativa anime com um especialista em ação ao vivo gerou expectativa de um espetáculo visual sem precedentes.
- Diretor renomado (Watanabe)
- Estúdio de alta qualidade (MAPPA)
- Coreografia de ação de nível Hollywood (Stahelski)
- Distribuição global (Netflix)
Para o público brasileiro, que acompanha fervorosamente cada anúncio nas redes da Crunchyroll e da AnimesBrasil, a promessa era clara: um anime que uniria estilo noir, trilha sonora memorável e lutas dignas de cinema.
Como foi a recepção real?
A série estreou em 6 de abril de 2025 e encerrou sua única temporada com 13 episódios em 29 de junho de 2026. Embora não tenha sido um desastre absoluto – alguns críticos elogiaram a animação da MAPPA – a maioria das avaliações apontou para um roteiro inconsistente, personagens rasos e, sobretudo, uma comparação desfavorável com obras anteriores de Watanabe.
Além disso, a ausência da série nas plataformas de streaming mais populares no Brasil, como Crunchyroll e Netflix, limitou drasticamente seu alcance. Quem conseguiu assistir, fez isso quase exclusivamente via VPN ou em eventos de fãs, o que acabou reforçando a sensação de que Lazarus foi um projeto “fechado” para um público restrito.
Comparativo de pontos fortes e fracos
| Critério | Lazarus (2025‑2026) | Cowboy Bebop (1998) | Samurai Champloo (2004) |
|---|---|---|---|
| Direção | Watanabe + ação de Stahelski – boa, mas sem identidade própria | Watanabe – icônica, mistura música e estilo | Watanabe – inovadora, fusão cultural |
| Roteiro | Previsível, foco em ação ao invés de profundidade | Complexo, personagens com passado rico | Irreverente, narrativas episódicas bem amarradas |
| Animação | MAPPA – alta qualidade visual, mas pouco inovadora | Sunrise – estética clássica, ainda referência | Studio Manglobe – estilo único, fluidez nas lutas |
| Distribuição BR | Limitada, sem presença nas principais plataformas | Disponível em múltiplas plataformas, legendas PT | Amplamente legendado, fácil acesso |
| Impacto cultural | Baixo, quase esquecido após um ano | Massivo, cultuado por gerações | Forte, influenciou moda e música |
Por que o público brasileiro não abraçou Lazarus?
Alguns fatores específicos ao mercado nacional explicam a frustração:
- Falta de legendas em português: A maioria dos episódios só chegou com legendas em inglês, o que afastou quem depende de PT.
- Distribuição fragmentada: Sem presença na Netflix BR ou Crunchyroll, o anime ficou restrito a nichos.
- Comparação inevitável: Watanabe tem um legado enorme; qualquer obra nova será medida contra Cowboy Bebop, que ainda é referência nas maratonas de CCXP.
- Expectativa de ação constante: A presença de Stahelski gerou a ideia de lutas nonstop, mas a série acabou priorizando diálogos expositivos que não entregaram o "punch" esperado.
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Nem todo fã tem os mesmos critérios ao escolher um anime. A seguir, indicamos para quem vale a pena dar uma chance a Lazarus e para quem é melhor pular.
- Fãs de coreografia de luta: Se você é apaixonado por sequências de ação ao estilo Hollywood, vale assistir os episódios 4 a 7, que concentram os melhores confrontos.
- Amantes de narrativa profunda: Melhor focar em Cowboy Bebop ou Samurai Champloo, onde o desenvolvimento de personagens é mais consistente.
- Colecionadores de obras de Watanabe: Mesmo com falhas, Lazarus completa o catálogo do diretor e pode ser relevante para quem quer analisar a evolução de seu estilo.
- Quem busca acessibilidade: Opte por animes já legendados em PT e com distribuição ampla; Lazarus ainda não cumpre esse requisito.
O que falta saber?
Até o momento, não há confirmação oficial de uma segunda temporada. Em entrevista ao Collider, Michael Ouweleen, presidente da Cartoon Network, citou a frase de Watanabe: “That’s all I got!” – indicando que o diretor ainda não tem planos concretos. Enquanto isso, rumores de um spin‑off focado no personagem Axel Gilberto circulam em fóruns, mas nada foi confirmado.
Para os fãs que ainda guardam esperança, a única saída é pressionar as plataformas de streaming a incluir Lazarus em seus catálogos e demandar legendas em português. Caso contrário, o anime corre o risco de se tornar apenas um capítulo obscuro na filmografia de um dos maiores diretores do Japão.
Qual será o futuro de Lazarus?
Se a série não conseguir um renascimento via streaming ou um spin‑off, provavelmente será lembrada apenas como um experimento ambicioso que não entregou o esperado. No cenário brasileiro, onde a comunidade valoriza tanto a qualidade quanto a acessibilidade, Lazarus servirá de alerta para futuros projetos que dependam excessivamente de hype sem garantir uma base sólida de distribuição e narrativa.
“Um anime pode ter ação de alto nível, mas sem história para sustentar, ele desaparece tão rápido quanto o hype que o trouxe.” – Análise da Redação GeekBR
Para ficar no radar
Fique atento às próximas edições da CCXP 2027, onde estúdios costumam anunciar renovações de projetos esquecidos. Também acompanhe o Twitter oficial da MAPPA e do próprio Shinichirō Watanabe para possíveis teasers de novos projetos que possam substituir Lazarus no calendário de lançamentos.
Enquanto isso, a comunidade pode revisitar os clássicos que definiram a carreira do diretor e que ainda brilham nas plataformas brasileiras.


