Em 23 de junho de 2013, Jim Carrey postou três mensagens curtas nas redes sociais, anunciando que não poderia apoiar a violência retratada em Kick‑Ass 2. A decisão gerou um rebuliço nos bastidores, mas o ator nunca voltou a comentar o assunto, mantendo silêncio total nos treze anos que se seguiram.
Quais são os três filmes de quadrinhos de Jim Carrey?
| Filme | Ano de lançamento | Personagem principal | Recepção crítica | Box office (US$) |
|---|---|---|---|---|
| The Mask | 1994 | Stanley Ipkiss / The Mask | Positiva (≈ 80% Rotten Tomatoes) | ≈ 350 mi |
| Batman Forever | 1995 | Bruce Wayne / Batman | Mista (≈ 30% Rotten Tomatoes) | ≈ 330 mi |
| Kick‑Ass 2 | 2013 | Sal Bertolinni / Colonel Stars and Stripes | Negativa (≈ 32% Rotten Tomatoes) | ≈ 61 mi |
O intervalo de quase duas décadas entre Batman Forever e Kick‑Ass 2 já é, por si só, um ponto de atenção para quem acompanha a carreira do comediante.
Por que Carrey se afastou de Kick‑Ass 2?
O motivo foi direto: o massacre de Sandy Hook, ocorrido em dezembro de 2012, mudou a consciência do ator. Em seu primeiro tuíte, Carrey escreveu que não podia “apoiar aquele nível de violência”. Doze minutos depois, completou a frase, pedindo desculpas aos colegas de produção e afirmando que não estava envergonhado, apenas que “eventos recentes mudaram seu coração”.
Ele não abandonou o filme, nem pediu cortes. A única ação foi recusar a campanha de divulgação – algo que a imprensa chamou de “distanciamento”.
O que Mark Millar, criador da HQ, disse?
Mark Millar respondeu no dia seguinte com um texto aberto no seu site, reconhecendo o posicionamento de Carrey e defendendo a ideia de que “violência em ficção não gera violência real”. Millar ainda ressaltou que o número de mortes no roteiro já era alto, mas que isso fazia parte da proposta da obra. Em seguida, elogiou a performance de Carrey, chegando a afirmar que o ator quase “roubava a cena”.
O comentário de Millar acabou sendo citado como a parte mais ponderada da controvérsia, pois ele não atacou Carrey e ainda destacou a coerência do ator com sua postura anti‑armas – algo que já havia demonstrado em um vídeo satírico chamado “Cold Dead Hand”.
Detalhe pouco divulgado: Colonel Stars and Stripes não usa armas de fogo
O personagem de Carrey, Sal Bertolinni, combate com um taco de beisebol e um cão de guarda chamado Eisenhower. Quando questionado por um seguidor sobre a contradição entre sua recusa em promover o filme e a presença de armas na história, Carrey respondeu que “a evolução” do personagem fez com que ele abandonasse as balas.
Mark Millar confirmou que a ausência de armas foi um ponto deliberado na escolha de Carrey para o papel, reforçando a coerência entre a mensagem pessoal do ator e a construção do personagem.
Como o filme se saiu nas bilheterias e nas críticas?
Kick‑Ass 2 custou cerca de US$ 28 mi e arrecadou pouco mais de US$ 60 mi mundialmente, bem abaixo dos US$ 96 mi do primeiro filme. A crítica foi ainda mais dura: 32 % de aprovação no Rotten Tomatoes, contra 78 % do original. Apesar do debate sobre a postura de Carrey, a maioria dos analistas atribui o desempenho fraco à falta de demanda por uma sequência que ninguém pediu.
Mesmo assim, Millar chegou a estimar que a polêmica gerou cerca de US$ 5 mi de “publicidade grátis”, embora isso não tenha sido suficiente para mudar o quadro geral.
Vereditos: o melhor pra cada perfil
- Fã de comédias de ação dos anos 90: The Mask continua a escolha óbvia, graças ao humor físico e à química de Carrey com a máscara.
- Entusiasta de universos de super‑heróis mais sombrios: Batman Forever oferece a estética típica da era pós‑“Batman” de Tim Burton, ainda que a crítica seja polarizada.
- Quem valoriza postura política do artista: Kick‑Ass 2 se destaca por ser o único filme onde Carrey alinhou seu personagem a uma mensagem anti‑violência, mesmo que isso não tenha salvado a produção.
Qual escolher
Se o objetivo é reviver a energia caótica que definiu a década de 90, The Mask é a escolha mais segura. Para quem busca um visual de super‑herói com pitadas de drama, Batman Forever oferece um ponto de intersecção entre ação e estilo. Já os espectadores que apreciam debates sobre responsabilidade social na cultura pop encontrarão em Kick‑Ass 2 um estudo de caso raro: um filme que, apesar de fracassar comercialmente, captura um momento de autoconsciência de um astro de Hollywood.
Independentemente da escolha, a trajetória de Jim Carrey nos filmes de quadrinhos revela como o timing, a mensagem e a recepção do público podem transformar um projeto em sucesso cult ou em ponto de inflexão na carreira de um ator.
Para ficar no radar
Embora Carrey não tenha anunciado planos de retornar a um filme de quadrinhos, seu retorno ao cinema com a franquia Sonic the Hedgehog demonstra que ele ainda pode aparecer em projetos de grande orçamento. Fique de olho nas próximas entrevistas, pois qualquer menção ao universo dos super‑heróis pode sinalizar um novo capítulo.
‘Kick‑Ass’ Reboot, ‘Kingsman’ Universe in the Works From Matthew Vaughn
Em resumo, a decisão de Jim Carrey de se afastar de Kick‑Ass 2 foi um gesto pessoal que acabou ecoando na história do filme, marcando o fim de sua participação em adaptações de quadrinhos – um ponto de inflexão que ainda gera discussões entre críticos e fãs.


