Em 29 de agosto de 1997, Kevin Sorbo estreou como King Kull em Kull the Conqueror, um filme que nasceu de um roteiro originalmente pensado para Conan, mas acabou virando um clássico cult de espada e feitiçaria.
Fato: Kevin Sorbo assumiu o trono de King Kull em 1997
O ator canadense‑americano, famoso por encarnar Hércules na série Hercules: The Legendary Journeys, foi escalado para substituir Arnold Schwarzenegger quando este recusou voltar a interpretar Conan. O projeto, que começou como Conan the Barbarian, acabou sendo reescrito, mudando o protagonista para o menos conhecido, porém mais antigo, King Kull, criado por Robert E. Howard.
O filme, dirigido por John Nicolella e com roteiro de Charles Edward Pogue, trouxe uma trama que misturava batalhas épicas, magia negra e a famosa bruxa Akivasha. Apesar do orçamento de cerca de US$35 milhões, a produção arrecadou apenas US$6,1 milhões e recebeu críticas péssimas (21% no Rotten Tomatoes).
Contexto: por que importa a troca de Conan por Kull?
Robert E. Howard é o pai do subgênero espada e feitiçaria, responsável por personagens icônicos como Conan, Solomon Kane e, claro, Kull of Atlantis. Enquanto Conan nasceu em 1932, Kull foi criado em 1929, sendo o primeiro herói de Howard a empunhar espada e enfrentar deuses antigos.
A escolha de trocar Conan por Kull não foi só uma questão de elenco; foi um teste de como o público reagiria a um herói menos conhecido, mas mais filosófico. Kull, ao contrário de Conan, costuma refletir sobre moralidade e o peso da liderança, o que poderia ter trazido uma camada extra de profundidade ao filme.
Além disso, a mudança aconteceu num momento em que Hollywood tentava capitalizar o sucesso de séries de fantasia da década de 90, como Hercules e Xena: Warrior Princess. A esperança era que a popularidade de Sorbo atraísse o mesmo público para as telonas.
Reação dos fãs e do mercado
O resultado foi um desastre de bilheteria, mas a história não acabou aí. Enquanto o público de cinema rejeitou o filme, os fãs de quadrinhos abraçaram Kull como um personagem digno de mais atenção. Marvel Comics, que já tinha licenciado Kull nos anos 70, lançou novas séries e graphic novels que mantiveram o herói vivo nas prateleiras.
Alguns pontos que a comunidade nerd costuma citar:
- O “efeito Sorbo”: a presença de Kevin Sorbo trouxe humor involuntário, lembrando as piadas de Hercules que já eram clichês.
- Comparação com Conan: a maioria dos críticos apontou que a mudança de nome não salvou o roteiro, que ainda parecia um “Conan 2.0” de mau gosto.
- Legado nos quadrinhos: Kull continuou aparecendo em crossovers da Marvel, como X‑Men Annual #13 e Doctor Strange, Sorcerer Supreme #11, reforçando sua importância no universo dos super‑heróis.
Hoje, o filme tem status de cult entre colecionadores de DVDs e streamers que curtem a estética dos anos 90. A capa de Kull the Conqueror ainda aparece em leilões de memorabilia, e memes de “Kull vs. Conan” circulam nas redes, sempre acompanhados de legendas como “quando o orçamento falha, a filosofia salva”.
O que esperar do futuro de Kull e da obra de Howard
Embora o filme de 1997 tenha sido esquecido pela grande mídia, o interesse por Kull está longe de morrer. Várias editoras — Dark Horse, IDW, Titan Comics — já adquiriram os direitos para novas histórias, prometendo adaptações mais fiéis ao tom sombrio e introspectivo do personagem.
Além dos quadrinhos, há rumores de que serviços de streaming estejam avaliando projetos de séries baseadas em Kull, aproveitando o boom de conteúdo de fantasia que vemos hoje. Se acontecer, a lição do passado pode ser clara: não tente transformar um herói filosófico em um “muscle‑bound” de ação sem antes entender sua essência.
Para quem ainda não deu uma chance ao filme, a recomendação é assistir com a mentalidade de “filme ruim que vale a pena por causa do charme dos anos 90”. E, se quiser mergulhar mais fundo, vale conferir as graphic novels da Marvel dos anos 80, onde Kull ainda brilha como um anti‑herói que questiona o próprio mito.
Para ficar no radar
Fique de olho nas próximas notícias de lançamentos de quadrinhos e possíveis séries de streaming. Enquanto isso, revisite Kull the Conqueror como um lembrete de que, às vezes, uma troca de ator pode gerar um legado inesperado — e que o universo de Robert E. Howard ainda tem muito a oferecer aos fãs de espada, feitiçaria e filosofia de barbearia.


