TL;DR: Jonah Hex (2010) e Supergirl (2025) levaram ao raso o mesmo plano de contar histórias com elencos de peso, mas foram arruinados por cortes de orçamento, mudanças de direção e decisões de classificação que sacrificaram a identidade dos personagens.
Jonah Hex: O que prometia e onde tropeçou
Quando Warner Bros. anunciou Jonah Hex, o público esperava um western sombrio estrelado por Josh Brolin — já conhecido por papéis de vilão em Avengers — e um apoio de nomes como John Malkovich, Michael Fassbender e Michael Shannon. A premissa era simples: um caçador de recompensas desfigurado persegue seu antigo comandante em uma trama pós‑guerra cheia de tiroteios e até uma batalha da Guerra Civil. O orçamento inicial de US$ 80 milhões foi inesperadamente reduzido para US$ 40 milhões, mas o script manteve uma ambição que incluía um grande set de navio e cenas de batalha épicas.
Essa dissonância entre ambição e recursos gerou um caos de produção. reshoots — que custaram cerca de US$ 25 milhões — foram usados para tentar salvar o filme, acrescentando um “super‑weapon” e reduzindo papéis de atores como Michael Shannon e Will Arnett a breves aparições. O resultado foi um corte de 66 páginas reescrito em apenas doze dias, deixando o filme com um aspecto de “patchwork” evidente. A mudança de classificação de R‑rated para PG‑13, imposta pela Warner, ainda piorou o problema: cenas violentas foram atenuadas de maneira artificial, criando um ritmo irregular que confundiu a audiência.
O desastre nas bilheterias foi imediato: abertura de US$ 5,4 milhões e total de US$ 11 milhões ao final da exibição, números que não cobriram nem metade do investimento original. Mesmo com um elenco que mais tarde brilharia em franquias como Avengers (Brolin como Thanos) e X‑Men (Fassbender como Magneto), a produção não conseguiu transformar talento em lucro.
Supergirl: Expectativas altas e queda brutal
Em contraste, Supergirl chegou ao cinema após o sucesso de Superman (2025), que havia revitalizado a confiança da DC Studios sob a liderança de James Gunn e Peter Safran. O filme trouxe Milly Alcock como Kara Zor‑El, a prima de Superman, e contou com David Corenswet reprisando o papel de Clark Kent. A expectativa era alta: um universo interconectado, marketing massivo e um elenco que prometia expandir a narrativa da DC.
Entretanto, o filme não conseguiu traduzir o hype em bilheteria. O faturamento mundial ficou em US$ 125,9 milhões, gerando uma perda estimada de US$ 200 milhões para a Warner Bros. O problema não foi falta de talento — o elenco recebeu elogios críticos — mas sim uma combinação de roteiro inflado, decisões de marketing que confundiram o público e um timing de lançamento que competiu diretamente com blockbusters de outras franquias.
A crítica apontou que o filme tentou ser tudo ao mesmo tempo: uma história de origem, um romance, e um setup para futuros crossovers, resultando em um tom inconsistente. Além disso, a ausência de um diretor com experiência em super‑heroínas acabou por deixar o filme sem uma visão coesa, um ponto que muitos fãs e analistas consideram tão fatal quanto os problemas de orçamento de Jonah Hex.
Comparativo de falhas: Jonah Hex vs Supergirl
| Aspecto | Jonah Hex (2010) | Supergirl (2025) |
|---|---|---|
| Elenco principal | Josh Brolin, John Malkovich, Michael Fassbender, Michael Shannon | Milly Alcock, David Corenswet, elenco de apoio da DC |
| Orçamento declarado | US$ 80 milhões (cortado para US$ 40 milhões, depois retomado) | Não divulgado, mas produção de alto custo |
| Classificação | Originalmente R‑rated, mudado para PG‑13 | PG‑13 |
| Direção | Jimmy Hayward (animador) substituindo Neveldine/Taylor; reshoots por Francis Lawrence | Diretor não mencionado, mas falta de visão coesa apontada |
| Bilheteria global | US$ 11 milhões | US$ 125,9 milhões (perda de US$ 200 milhões) |
| Recepção crítica | Mista; nota CinemaScore C+ | Positiva, mas com críticas ao tom inconsistente |
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Se você é um fanático por direção autoral, a lição aqui é clara: um diretor experiente em seu gênero (como um western tradicional) faz diferença. Jonah Hex sofreu com a troca de um diretor de ação para um animador, resultando em uma estética desconexa. Para quem acompanha a DC Studios, Supergirl demonstra que mesmo um elenco forte não salva um roteiro sem foco.
- Para quem busca consistência tonal: evite filmes que mudam de classificação a meio caminho — a experiência PG‑13 de Jonah Hex mostra como isso pode diluir a identidade.
- Para quem valoriza universo conectado: Supergirl falhou ao tentar servir a múltiplas narrativas ao mesmo tempo; prefira produções que se concentrem em uma história central antes de expandir.
- Para quem acompanha a indústria: ambos os casos reforçam que um orçamento bem alinhado ao escopo da história é essencial. Cortes repentinos ou inflacionamento de custos em reshoots são sinais de alerta.
Em resumo, o que une Jonah Hex e Supergirl não é apenas o faturamento ruim, mas a falta de respeito ao DNA dos personagens e à lógica de produção. A DC Studios ainda tem espaço para aprender, mas esses dois exemplos servem como lembretes dolorosos de que elenco estrelado não garante sucesso se a execução for comprometida.
O lado que ninguém tá vendo
Por trás das manchetes de “bombas”, há uma verdade menos comentada: o impacto dessas falhas no futuro dos projetos da DC. Cada perda de centena de milhões diminui o orçamento disponível para experimentos mais ousados, empurrando a Warner Bros. a apostar em fórmulas seguras e, muitas vezes, repetitivas. Isso cria um círculo vicioso onde o risco criativo é penalizado, e a única saída pode ser uma reavaliação completa da estratégia de produção — algo que James Gunn e Peter Safran já começaram a discutir após o fracasso de Supergirl.


