Na última terça-feira, Instagram anunciou uma série de novidades para seu aplicativo em smart TVs, com o objetivo de fazer os usuários passarem mais tempo no app em telas maiores. A novidade inclui Reels verticais, Stories que desaparecem, vídeos horizontais e um plano futuro de conteúdo episódico e transmissões ao vivo focadas em criadores.
O que aconteceu
O Instagram, que já estava disponível em amazon fire tv, google tv e Samsung Smart TVs, agora expande sua funcionalidade com três recursos principais:
- Reels verticais – os curtos vídeos em formato vertical, que já dominam o feed móvel, agora aparecem em telas de TV, mantendo a mesma proporção 9:16.
- Stories desaparecendo – os Stories que desaparecem após 24 horas continuam disponíveis, mas agora podem ser assistidos em modo de tela inteira, com a mesma sensação de exclusividade.
- Vídeos horizontais – além do formato vertical, o app passa a suportar vídeos em 16:9, semelhantes aos encontrados no YouTube, permitindo que criadores publiquem conteúdo mais tradicional.
Além disso, a Meta revelou planos de lançar “conteúdo longo, episódico e experiências ao vivo de criadores voltadas para a TV”. Esses projetos ainda não têm data de lançamento, mas indicam uma mudança estratégica para transformar a plataforma em um concorrente direto de serviços de streaming e redes sociais de vídeo.
Como chegamos aqui
Para entender a decisão, é preciso olhar a trajetória do Instagram em relação ao vídeo e à monetização. Desde 2016, o app introduziu os primeiros vídeos curtos, mas só em 2020, com o Reels, ele realmente rivalizou com o TikTok. O foco sempre foi a retenção: mais tempo no app = mais anúncios.
Com a pandemia, o consumo de conteúdo em casa disparou, e as smart TVs se tornaram um palco natural para novas experiências digitais. A Meta, que já possui o Facebook Watch e o meta quest, viu no Instagram TV um canal para explorar a tela grande sem abrir mão da familiaridade da interface. A escolha de suportar Amazon fire tv, Google TV e Samsung Smart TVs foi estratégica, pois esses dispositivos representam a maior fatia de mercado no Brasil.
Além disso, o Instagram já experimentou com “IGTV” (atualizado para “Reels”) e “Live” em dispositivos móveis. A adaptação para TV segue a mesma lógica: transformar o consumo passivo de vídeo em uma experiência interativa e, principalmente, aumentar o tempo de permanência do usuário, algo que gera mais receita de anúncios.
O que vem depois
O que se segue são iniciativas de conteúdo mais estruturado: séries de episódios, transmissões ao vivo de criadores em formato de show e até mesmo a possibilidade de monetizar diretamente através de assinaturas ou patrocínios. A Meta já anunciou que vai integrar ferramentas de edição e métricas avançadas para criadores que desejam produzir conteúdo exclusivo para a TV.
Para os fãs brasileiros, isso abre portas para:
- Ver as séries de influenciadores que já são populares no TikTok e Reels em um formato mais longo.
- Acompanhar transmissões ao vivo de criadores que costumam fazer “takeovers” nos feeds, agora com qualidade de áudio e vídeo de TV.
- Participar de experiências interativas, como votações em tempo real e chats em tela.
Essas mudanças também trazem desafios: a necessidade de adaptar a linguagem para o público de TV, garantir que os anúncios se encaixem sem interromper a experiência de visualização e, claro, a competição com plataformas já consolidadas como YouTube, Twitch e Netflix.
Datas e o que vem depois
Até o momento, a Meta não divulgou datas concretas para o lançamento das funcionalidades de conteúdo longo e transmissões ao vivo. O que se sabe é que o lançamento inicial de Reels verticais e Stories desaparecendo já está ativo em dispositivos selecionados. A expectativa é que, nos próximos meses, a plataforma expanda o suporte a mais dispositivos e introduza ferramentas de monetização para criadores.
Para quem quer se manter atualizado, recomenda-se acompanhar as atualizações da Meta no site oficial e nas comunidades de criadores no Brasil, onde costumam surgir detalhes sobre novas funcionalidades e requisitos técnicos.
O que falta saber
Embora as novidades sejam promissoras, ainda faltam respostas sobre:
- Como o Instagram vai monetizar o conteúdo de TV – anúncios em vídeo, assinaturas ou parcerias?
- Se haverá suporte para conteúdo em português e legendas automáticas, algo essencial para o público brasileiro.
- Quais métricas de engajamento serão disponibilizadas para criadores que produzirem para a TV.
Esses pontos serão cruciais para avaliar se o Instagram TV realmente se tornará uma plataforma relevante no ecossistema de streaming brasileiro.


