O filme "The Odyssey", de Christopher Nolan, já ultrapassou US$ 700 milhões em bilheteria mundial, sendo exibido em formato IMAX 70mm de forma integral.
O que aconteceu?
Em 2026, Nolan lançou a adaptação de 173 minutos da épica de Homero, filmada exclusivamente com câmeras IMAX 70mm. O resultado foi um visual de imersão sem precedentes, com clareza de textura que poucos filmes conseguem alcançar. A produção contou com um orçamento de US$ 250 milhões, dos quais uma parcela significativa foi destinada ao aluguel e operação das câmeras, reconhecidas por seu tamanho e ruído característico.
O sucesso de bilheteria e a nota "A" do Cinemascore reforçaram a eficácia da escolha estética, mas também evidenciaram os obstáculos que ainda limitam a adoção generalizada desse formato.
Como chegamos aqui?
O uso de formatos gigantes não é novidade. David Lean, diretor de "Lawrence of Arabia", utilizou Super Panavision 70mm para criar imagens monumentais. Nolan, inspirado por Lean, prefere o 70mm IMAX por sua capacidade de oferecer detalhes incomparáveis. Contudo, duas barreiras principais se destacam:
- Custo elevado: Alugar uma câmera imax 70mm pode chegar a dezenas de milhares de dólares por dia, além dos custos de manutenção, transporte e equipe especializada.
- Ruído mecânico: As câmeras geram um som de alta frequência comparado a um cortador de grama, exigindo soluções de isolamento acústico (blimps) que aumentam o peso e a complexidade da produção.
Essas dificuldades foram destacadas em entrevista à Variety, onde um representante da IMAX confirmou que o ruído ainda representa um desafio para atores e equipe de som. Matt Damon chegou a comparar a experiência a ter "um Cuisinart na cara".
Outros diretores, como Ryan Coogler ("Sinners") e Denis Villeneuve (trilogia "Dune"), utilizaram a câmera IMAX 70mm apenas em trechos selecionados, preferindo versões digitais para cenas de desertos ou para facilitar a pós‑produção. A maioria dos filmes hoje é filmada em formatos digitais e posteriormente upscaled para exibição em salas IMAX, reduzindo riscos financeiros.
O que vem depois?
O futuro da IMAX 70mm depende de três fatores críticos:
- Redução de custos: Se fabricantes conseguirem produzir câmeras mais leves e menos onerosas, mais estúdios poderão considerar o formato para projetos de médio porte.
- Inovações de áudio: Tecnologias de supressão de ruído ou microfones direcionais podem mitigar o problema acústico, tornando o set mais confortável para atores.
- Demanda do público: Se o público continuar a valorizar a experiência premium IMIMAX, os cinemas podem justificar investimentos maiores em projeção 70mm.
Enquanto isso, Nolan permanece como o único diretor a assumir o risco total de filmar um longa‑metraje inteiro em IMAX 70mm. A combinação de seu poder de negociação, orçamento robusto e visão estética única o coloca em posição privilegiada para experimentar o formato, mas a maioria dos estúdios ainda opta por abordagens híbridas.
Para ficar no radar
Os profissionais de produção devem monitorar as seguintes tendências:
- Desenvolvimento de câmeras 70mm mais compactas por parte de fabricantes como arri e RED.
- Parcerias entre estúdios e a IMAX para programas de compartilhamento de equipamentos.
- Feedback de audiências em salas IMAX sobre a percepção de valor versus preço do ingresso.
Esses indicadores determinarão se a IMAX 70mm evoluirá de nicho exclusivo para uma ferramenta padrão em grandes produções.


