O que esperar de Ice Cream Man, o novo terror de Eli Roth?
Eli Roth — cineasta conhecido por popularizar o subgênero de tortura com a franquia Hostel e por obras como Cabin Fever — está de volta ao seu habitat natural. Após o tropeço crítico e comercial com a adaptação do jogo Borderlands, o diretor retorna ao terror visceral com Ice Cream Man. Diferente de muitos projetos atuais em Hollywood, o filme não é um remake, reboot ou adaptação de quadrinhos, mas sim um roteiro original que Roth guardou na gaveta por duas décadas, esperando o momento certo para executá-lo sem interferência de estúdios.
O primeiro trailer, lançado recentemente, estabelece o tom: uma vizinhança suburbana aparentemente pacata é corrompida pela presença de um vendedor de sorvetes, interpretado por Ari Millen (ator de Orphan Black). O que começa como uma oferta de guloseimas rapidamente descamba para o caos, com crianças sendo manipuladas para cometer atos de violência extrema. Roth descreve o projeto como o mais "aterrorizante e insano" de sua carreira, uma afirmação ousada vinda de alguém cujo currículo inclui o canibalismo de The Green Inferno e o slasher natalino Thanksgiving.
Por que Eli Roth precisou criar seu próprio selo para este filme?
A produção de Ice Cream Man é, por si só, um comentário sobre o estado atual da indústria cinematográfica. Roth revelou que, ao longo dos anos, diversos estúdios rejeitaram os rascunhos iniciais do roteiro por considerá-los excessivamente gráficos ou perturbadores. Para garantir que a visão criativa não fosse diluída, o diretor cofundou o selo The Horror Section.
Essa manobra estratégica permitiu que o filme fosse produzido sem as amarras das grandes distribuidoras, garantindo um lançamento nos cinemas sem classificação indicativa (unrated). A liberdade criativa parece ter sido total, com o trailer exibindo cenas gráficas que envolvem mutilação e manipulação visceral, reafirmando o compromisso de Roth com o terror que busca o desconforto genuíno do espectador.
Diferenças entre o filme e outras obras com o mesmo nome
Para evitar confusões, é importante pontuar que este Ice Cream Man não tem relação com outras obras consagradas que compartilham o título:
- O filme de 1995: Uma comédia de terror cult dirigida por Norman Apstein, focada em um vendedor traumatizado que serve sorvetes feitos de restos humanos.
- A HQ da Image Comics: Uma antologia de horror aclamada criada por W. Maxwell Prince e Martín Morazzo, que utiliza a figura do vendedor de sorvetes como uma entidade sobrenatural recorrente.
O projeto de Roth é uma história isolada, coescrita com Noah Belson, que se afasta de qualquer mitologia pré-existente para focar em uma narrativa de horror suburbano puro.
Onde isso pode dar?
A aposta de Eli Roth em Ice Cream Man reflete uma tendência crescente de diretores de gênero buscando autonomia total. Ao optar por um lançamento amplo em mais de 2.000 telas na América do Norte, ele testa se o público ainda está faminto por um terror agressivo, sem os filtros impostos por grandes conglomerados de mídia. Se o filme for bem-sucedido, pode abrir precedentes para que outros cineastas de renome sigam o caminho do "faça você mesmo" para viabilizar projetos que seriam considerados "arriscados demais" pelo mercado tradicional.
Para o fã brasileiro, resta aguardar a confirmação da distribuição local. Dado o histórico de Roth e a natureza "unrated" da obra, é provável que o filme chegue ao país com classificação etária elevada, mantendo a integridade da visão do diretor. O lançamento está marcado para o dia 7 de agosto de 2026, e a expectativa é que o longa se torne um divisor de águas na filmografia recente do cineasta, servindo como uma espécie de redenção após o fracasso de sua incursão no universo dos games.


