Ian McKellen usou o Instagram para se despedir de Patrick Stewart, morto aos 86 anos, com um texto que resume cinco décadas de cumplicidade — dos palcos da Royal Shakespeare Company até as bilheterias de X-Men e Star Trek: The Next Generation. O intérprete de Magneto revelou que tentou convencer o amigo a não aceitar o papel de Jean-Luc Picard, temendo que Hollywood o afastasse do teatro clássico. Stewart ignorou o conselho, virou ícone pop e manteve a carreira nos palcos, encenando Shakespeare, Ibsen e Beckett entre um blockbuster e outro.
Ian McKellen e Patrick Stewart: trajetórias que se cruzam
A amizade começou nos anos 1970, quando ambos integravam a Royal Shakespeare Company no Reino Unido. McKellen admite que, na época, achava o colega distante e intimidante. A dinâmica mudou quando Stewart pediu opinião sobre o convite para Star Trek. McKellen foi contra; Stewart topou mesmo assim. Anos depois, o próprio McKellen aceitaria viver Gandalf em O Senhor dos Anéis, seguindo lógica parecida: risco calculado que virou legado.
Do palco para a tela: escolhas que definiram gerações
- Patrick Stewart — Captain Picard (Star Trek: The Next Generation, 1987–1994) e Professor Xavier (franquia X-Men, 2000–2017).
- Ian McKellen — Gandalf (trilogia O Senhor dos Anéis, 2001–2003) e Magneto (franquia X-Men, 2000–2014).
- Ambos mantiveram carreiras teatrais paralelas: Stewart no West End e Broadway; McKellen em montagens clássicas e turnês solo.
O que McKellen destacou no tributo
No post, McKellen citou três marcos que considera essenciais na vida do amigo: o casamento com Sunny Ozell — que McKellen oficializou em 2013 —, a nomeação como chanceler da Universidade de Huddersfield (orgulho maior de Stewart, segundo o amigo) e a parceria nos filmes X-Men, onde dividiram cenas como Charles Xavier e Erik Lehnsherr. A foto escolhida para o Instagram mostra justamente Stewart na cerimônia de posse como chanceler.
"Ele assumiu o risco e, graças a isso, não só os trekkies devotos, mas plateias de cinema e teatro puderam admirar seu uso da celebridade internacional para estrelar sucessos de bilheteria (‘X-Men’, claro) e grandes peças clássicas."
— Ian McKellen, no Instagram
Última atuação confirmada: Avengers: Doomsday
McKellen também confirmou que a derradeira aparição de Stewart nas telas será em Avengers: Doomsday, próximo filme da Marvel Studios. O ator reprisará o Professor Xavier, papel que encerrou em Logan (2017). A produção ainda não tem data de estreia divulgada, mas a participação já foi oficializada pelo estúdio.
Repercussão entre colegas de elenco
Além de McKellen, Hugh Jackman, os irmãos Russo e Wil Wheaton publicaram mensagens nas redes sociais. Jackman, que contracenou com Stewart por quase duas décadas como Wolverine, chamou o ator de "mentor e padrão de excelência". Wheaton, que viveu Wesley Crusher em Star Trek: The Next Generation, destacou a generosidade de Stewart nos bastidores.
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Para fãs de teatro: a trajetória de Stewart prova que blockbuster não cancela carreira clássica — ele fez Rei Lear na Broadway enquanto filmava X-Men.
Para maratonistas de franquia: a dinâmica Xavier/Magneto continua o coração emocional dos mutantes no cinema; rever X-Men: Dias de um Futuro Esquecido mostra o auge dessa química.
Para quem valoriza bastidores: o relato de McKellen sobre o conselho ignorado em 1987 virou lição de carreira — às vezes o "erro" estratégico vira legado.
Para colecionadores de momentos: o casamento oficiado por Gandalf/Magneto permanece uma das imagens mais nerds e humanas da cultura pop recente.
O que fica da parceria Stewart-McKellen
A dupla transformou a rivalidade Professor X vs. Magneto em amizade real que durou mais que a franquia. Enquanto a Marvel prepara o reboot dos mutantes, o último suspiro do Xavier de Stewart chega em Avengers: Doomsday — e McKellen, aos 85 anos, segue ativo, provando que o conselho que deu (e que Stewart ignorou) valia para ele mesmo: arriscar no mainstream sem abandonar a origem. O testamento artístico dos dois está nos palcos que nunca deixaram, nos filmes que marcaram época e na foto de um chanceler sorrindo ao lado do amigo que o chamou de "homem a admirar".


