O que é o HoYoFair e por que ele parou Los Angeles?
Desde que o fenômeno genshin impact (RPG de ação de mundo aberto) foi lançado, a HoYoverse (desenvolvedora global de jogos) cultivou uma das comunidades mais apaixonadas e criativas do mundo dos games. O HoYoFair nasceu originalmente como um concurso de fan arts, mas evoluiu para um festival de filmes e música patrocinado, onde criadores recebem fundos para produzir animações e vídeos musicais de alta qualidade. Em 2026, para comemorar seu quinto aniversário, o evento deu um passo além com o concerto "Once Upon HoYoFair", realizado ao vivo em Los Angeles.
O evento não é apenas uma vitrine de talentos, mas uma validação do trabalho dos fãs, colocando produções independentes — conhecidas no Japão como obras doujin — no mesmo patamar das animações oficiais da empresa. Com trilhas sonoras que misturam o trabalho da HOYO-MiX (equipe musical interna da HoYoverse) e composições originais da comunidade, o show em Los Angeles foi um deleite visual, embora tenha revelado um desequilíbrio notável na atenção dada a cada franquia da casa.
Como Genshin Impact dominou o palco com criatividade?
Genshin Impact abriu a noite com uma energia de celebração absoluta. O que mais chamou a atenção foi a liberdade que os fãs tomaram com o cânone do jogo. Em vez de apenas reencenar batalhas épicas, vimos cenários hipotéticos divertidos e inusitados. Arlecchino (uma das Mensageiras dos Fatui), por exemplo, liderou uma boy band sendo a única mulher no grupo, enquanto Furina (a ex-Arconte Hydro) transformou personagens como Lumine e Venti em ídolos de J-Pop.
Um dos momentos mais memoráveis foi a performance de "The Diagnosis". Nela, o ciúme de Kaveh em relação a Alhaitham foi explorado através de uma sessão de terapia musical inspirada no estilo do musical Hamilton. Esse tipo de abordagem lúdica contrastou perfeitamente com as músicas oficiais mais sombrias, como "Emberfire" e "La vaguelette", mostrando que a comunidade sabe transitar entre o drama épico e o humor nerd sem perder a essência dos personagens.
Destaques das performances de Genshin Impact:
- Nightfall Ops: Ayato liderando uma equipe de agentes secretos em uma estética de filme de espionagem.
- OH MY MY: Um grupo de K-pop formado por Yelan, Ei, Yae Miko e Eula.
- Circus Addiction: Venti trocando sua lira de bardo por acrobacias circenses.
- The Heavens full-course: A pequena Siegwinne invadindo um programa de culinária caótico.
honkai: star rail e a conexão profunda com a história
Enquanto Genshin apostou na galhofa e em mundos alternativos, Honkai: Star Rail (RPG de turnos com temática espacial) focou em obras que pareciam extensões diretas de sua narrativa, especialmente focadas no arco de Amphoreous. Músicas como "Proi Proi" e "Ripples of Past Reverie" trouxeram um peso emocional que ressoou com quem acompanha a jornada dos Desbravadores pelo cosmos.
Mas nem tudo foi seriedade. O lado caótico de Star Rail brilhou com a "TRASH CAN SONG", uma ode aos infames latões de lixo de Penacony que se tornaram um meme vivo entre os jogadores. Outro ponto alto foi "Dr. Ratio’s Metaphysics of Bathing", onde o personagem Dr. Ratio (um intelectual excêntrico) protagoniza uma cena bizarra e hilária focada em seus pensamentos durante o banho. Essa dualidade entre o épico espacial e o humor nonsense é o que define a identidade da fanbase de Star Rail.
Por que zenless zone zero e honkai impact 3rd foram escanteados?
Apesar de estarem no pôster oficial, Zenless Zone Zero (ZZZ, o RPG de ação urbana com estética retrô-analog) e Honkai Impact 3rd (o título mais antigo da linhagem moderna da empresa) tiveram uma participação decepcionante em termos de volume. Enquanto os dois gigantes citados anteriormente dominaram mais da metade do setlist, ZZZ contou com apenas três músicas.
O destaque de ZZZ foi, sem dúvida, "MoeChakkaFire", focada na personagem Ellen Joe. A música tornou-se tão viral que até sua dubladora japonesa (seiyuu), Shion Wakayama, lançou um cover oficial. No entanto, para um jogo com uma estética musical tão rica e urbana, a sensação foi de que havia muito mais potencial a ser explorado. Já Honkai Impact 3rd sofreu ainda mais: não houve músicas feitas por fãs no palco, apenas faixas oficiais como "Rubia" e "Da Capo". Para os fãs veteranos de Kiana e Mei, o evento pareceu mais uma homenagem aos sucessos recentes do que uma celebração de todo o legado da HoYoverse.
O veredito sobre o HoYoFair 2026 em Los Angeles
O HoYoFair 2026 "Once Upon a Time" provou que a barreira entre criador e fã está cada vez mais tênue. Ver animações que começaram como projetos de paixão ganharem um palco físico em Los Angeles, com orquestra e performances ao vivo, é um marco para a cultura geek. A qualidade técnica das produções independentes rivaliza com grandes estúdios de animação, o que justifica o investimento da HoYoverse nesse ecossistema.
Entretanto, como editor, é preciso apontar que o evento precisa de um melhor equilíbrio editorial. Se a proposta é celebrar o universo da desenvolvedora, títulos como ZZZ e HI3 não podem ser tratados apenas como "faixas bônus". O HoYoFair é impressionante, visualmente estonteante e musicalmente impecável, mas ainda precisa aprender a dividir os holofotes de forma mais justa entre suas estrelas.
"O HoYoFair recompensa a paixão dos fãs ao mostrar que suas obras pertencem ao mesmo espaço que as oficiais, mesmo que certas propriedades brilhem mais que outras."
Por que isso importa?
- Validação da Comunidade: O evento transforma o conteúdo gerado pelo usuário (UGC) em um espetáculo profissional de nível global.
- Marketing Orgânico: Músicas virais como "MoeChakkaFire" mostram como os fãs podem impulsionar a marca de forma mais eficaz que anúncios tradicionais.
- Futuro dos Eventos Live: A transição do digital para o palco físico em LA indica que a HoYoverse pretende expandir sua presença em eventos presenciais no Ocidente.
- Desequilíbrio de Franquias: O foco excessivo em Genshin e Star Rail pode alienar nichos menores da comunidade, algo que a empresa precisará ajustar em edições futuras.


