O que aconteceu
Muitos fãs associam o início da hegemonia da Marvel no cinema ao lançamento de Homem de Ferro (2008), o marco inicial do Universo Cinematográfico Marvel (MCU). No entanto, a história das adaptações de quadrinhos da editora é muito mais antiga e, em alguns casos, bastante peculiar. Quatro décadas atrás, o público foi apresentado a Howard, o Super-Herói (1986), uma produção que, apesar de ser o primeiro filme oficial da Marvel, permanece como um dos projetos mais estranhos e incompreendidos da cultura pop.
Diferente das produções modernas, que utilizam tecnologia de ponta e CGI (computação gráfica) para criar personagens como Rocket Raccoon em Guardiões da Galáxia, Howard, o Super-Herói apostou em métodos práticos. O protagonista é um pato antropomórfico — um pato que caminha, fala e age como um humano — trazido à vida através de uma combinação complexa de atores usando trajes, marionetes e animatrônicos. O resultado é uma experiência visual que, para os padrões atuais, parece saída de um sonho febril.
Como chegamos aqui
A trama acompanha Howard, um pato alienígena de um mundo habitado por patos inteligentes, que acaba sendo transportado para a Terra, especificamente para Cleveland, nos Estados Unidos. A partir daí, o filme mergulha em uma narrativa que mistura ficção científica com uma comédia romântica extremamente desconfortável.
Um dos pontos mais comentados até hoje é o relacionamento entre Howard e a personagem Beverly Switzler, interpretada pela atriz Lea Thompson. O filme não apenas sugere uma atração, mas dedica tempo de tela a interações físicas entre um humano e um pato que, mesmo para a época, geraram estranheza. Além disso, o vilão, o "Dark Overlord" (Senhor das Trevas), que possui o corpo do Dr. Jenning, apresenta efeitos visuais e uma atuação carregada que beira o caricato, tornando o filme uma obra de culto absoluto.
Alguns elementos que tornam o filme uma experiência única incluem:
- Efeitos práticos: O uso de trajes e animatrônicos cria uma estética "tátil" que é impossível de replicar com o CGI moderno.
- Tom inconsistente: O filme transita entre ser uma comédia ingênua e um terror bizarro com elementos de ficção científica.
- Reação do mundo: A facilidade com que os personagens humanos aceitam a existência de um pato falante é um dos furos de roteiro mais divertidos da produção.
O que vem depois
Embora o filme de 1986 tenha sido um fracasso crítico e comercial na época, o personagem nunca foi totalmente esquecido pela Marvel. Nos últimos anos, Howard encontrou um lugar peculiar dentro do MCU moderno, servindo como um "easter egg" (referência escondida) recorrente. Ele apareceu brevemente na coleção do Colecionador em Guardiões da Galáxia e teve uma participação especial durante a batalha final em Vingadores: Ultimato.
Mais recentemente, o personagem ganhou destaque na série animada What If...?, da Disney+, onde o dublador Seth Green deu voz ao pato em episódios que exploram variantes multiversais, incluindo uma trama focada em um romance inusitado com Darcy Lewis. Apesar das aparições, o futuro do personagem parece limitado a participações especiais.
Onde isso pode dar
Com o passar das décadas, a pergunta que surge é: existe chance de um novo filme solo de Howard?
A resposta, segundo o próprio Seth Green, é que o personagem funciona melhor em doses homeopáticas. A natureza absurda de Howard dificilmente sustentaria um longa-metragem nos moldes atuais do MCU, que exige uma coesão narrativa maior. Portanto, os fãs que desejam ver o pato em ação têm dois caminhos:
- Revisitar o clássico de 1986 como uma cápsula do tempo do cinema dos anos 80.
- Acompanhar as participações pontuais e bem-humoradas do personagem em produções animadas e cameos nos grandes filmes da franquia.


