Um relatório da Bloomberg confirma que a Sony ordenou a remoção dos componentes de live service de Horizon Hunters Gathering — o projeto multiplayer ambientado no universo de horizon zero dawn e horizon forbidden west. O estúdio Guerrilla Games, responsável pela franquia principal, tem até dezembro para apresentar uma versão reformulada que agrade à diretoria da PlayStation.
O que aconteceu
Segundo a reportagem, a decisão veio depois de sessões de teste fechadas com jogadores que reagiram mal à proposta original. O título era desenhado como um jogo como serviço (live service), com atualizações contínuas, passes de batalha e economia de longo prazo — modelo que a Sony tem tentado emplacar sem sucesso repetido nos últimos anos. Diante da rejeição, a direção do projeto foi alterada em junho: o escopo encolheu drasticamente e o foco migrou para uma experiência cooperativa mais tradicional, com campanha narrativa e progressão finita.
Como chegamos aqui
A estratégia da Sony para jogos como serviço acumula tropeços públicos. concord — shooter de heróis da Firewalk Studios — foi retirado das lojas semanas após o lançamento por público ínfimo. the last of us online, desenvolvido pela Naughty Dog, foi cancelado antes de chegar ao mercado. Fairgame$ e marathon (reboot da Bungie) seguem sem datas firmes e com relatórios internos de desenvolvimento conturbado. Horizon Hunters Gathering era uma das apostas restantes para preencher a lacuna de receita recorrente que a empresa busca desde a compra da Bungie.
A Guerrilla Games, sediada em Amsterdã, construiu reputação com jogos single-player de mundo aberto, narrativa densa e tecnologia proprietária (a Decima Engine). Migrar a equipe para um modelo de serviço contínuo exigiria mudança cultural e técnica profunda — algo que os testes indicaram não estar funcionando. Fontes próximas ao projeto descrevem que o core loop de caça a máquinas, que brilha em campanha solo, não se traduzia bem em sessões repetíveis com monetização contínua.
O que vem depois
- O prazo de dezembro funciona como gate interno: a versão reformulada precisa demonstrar retenção e apelo comercial sem depender de microtransações agressivas.
- Se aprovado, o jogo deve chegar ao PS5 (e possivelmente PC) como título premium — compra única, sem passes de temporada obrigatórios.
- A Sony não comentou oficialmente; a Bloomberg cita fontes anônimas familiarizadas com o desenvolvimento.
Para a base de fãs de Horizon, a notícia traz alívio misto a ceticismo. A franquia sempre vendeu pela história de Aloy e pelo mistério do mundo pós-apocalíptico; um spin-off multiplayer sem esses pilares corria risco de parecer genérico. A volta ao formato narrativo coopera com o DNA do estúdio — mas a redução de escopo levanta dúvidas sobre longevidade e investimento futuro na IP fora da campanha principal.
Datas e o que vem depois
O próximo marco concreto é a revisão de dezembro junto à diretoria da PlayStation. Não há janela de lançamento anunciada, nem confirmação de plataformas além do PS5. A Guerrilla segue silenciosa em canais oficiais; o último comunicado público sobre o projeto data de 2022, quando a Sony listou o título entre seus jogos como serviço planejados. Enquanto isso, a comunidade acompanha se a lição aprendida com Concord e The Last of Us Online realmente mudará a abordagem da empresa — ou se veremos novo reboot daqui a alguns meses.
Se a versão cooperativa com campanha for bem recebida internamente, pode abrir precedente para outros projetos live service da Sony serem reconvertidos antes do lançamento. Caso contrário, a pressão por receita recorrente continuará empurrando a companhia para aquisições ou parcerias externas — estratégia que, até agora, não entregou o hit de serviço que o balanço financeiro exige.


