Um editorial publicado pelo site Push Square coloca explicitamente o cargo de Hermen Hulst — co-CEO da PlayStation Studios e ex-chefe da Guerrilla Games — sob escrutínio severo, argumentando que a recente redução de escopo do projeto live service Horizon Hunters Gathering representa o ponto de ruptura para a atual gestão dos estúdios first-party da Sony.
Fato: Push Square pede saída de Hermen Hulst após redução de Horizon Hunters Gathering
O texto assinado pelo colunista do Push Square não utiliza meias palavras: "Hermen Hulst pode precisar ser ejetado do cargo máximo na PS Studios imediatamente". A argumentação central apoia-se na notícia divulgada pelo próprio veículo de que a Sony estaria diminuindo os investimentos ou alterando drasticamente a estrutura de Horizon Hunters Gathering, o spin-off multiplayer ambientado no universo da franquia Horizon desenvolvido pela Guerrilla Games. Para o autor, este evento não é isolado, mas o "prego final no caixão" de uma estratégia de jogos como serviço (GaaS) que acumula insucessos.
Contexto: por que a estratégia de live service da Sony está sob fogo
A nomeação de Hulst para co-liderar a PlayStation Studios ao lado de Hideaki Nishino ocorreu em junho de 2024, com a expectativa de que sua experiência em desenvolvimento de jogos single-player de alto orçamento — como Horizon Zero Dawn e Horizon Forbidden West — equilibrasse a expansão agressiva da Sony no mercado de jogos como serviço. A meta interna, revelada em documentos financeiros anteriores, era lançar doze títulos live service até o final do ano fiscal de 2025.
O resultado prático até o momento contrasta com o planejamento. O fechamento do estúdio Firewalk e o cancelamento de Concord poucas semanas após o lançamento, somados aos relatos de reestruturação na Bungie (adquirida por US$ 3,6 bilhões) e agora a redução do projeto Horizon multiplayer, desenham um cenário de execução falha. Horizon Hunters Gathering era visto internamente como um pilar técnico para validar a engine Decima em ambientes multiplayer persistentes, função que agora parece comprometida.
- Concord: Lançado e retirado do ar em setembro de 2024; prejuízo estimado em centenas de milhões de dólares.
- Bungie: Demissões em massa e integração mais lenta que o previsto; Marathon adiado para 2025.
- Horizon Hunters Gathering: Projeto reduzido ou reestruturado, segundo reportagem do Push Square.
- Outros títulos: Projetos como o live service de God of War (Bluepoint) e The Last of Us Online (Naughty Dog) foram cancelados anteriormente.
Reação dos fãs e mercado: desconfiança com a gestão de estúdios first-party
A comunidade de jogadores e analistas de mercado reagem com ceticismo renovado. Fóruns como ResetEra e Reddit (r/PS5, r/Games) concentram discussões sobre a identidade da marca PlayStation. O argumento recorrente é que a força histórica da plataforma reside em experiências single-player narrativas — God of War Ragnarök, Spider-Man 2, Final Fantasy VII Rebirth — e que o desvio de recursos para GaaS enfraqueceu esse diferencial sem gerar retornos financeiros equivalentes.
"A Sony apostou a reputação de seus melhores estúdios em um gênero que não domina, e a conta chegou." — Comentário representativo em fórum especializado.
Do lado financeiro, ações da Sony Group Corporation (NYSE: SONY) apresentaram volatilidade nos relatórios de lucro trimestrais mais recentes, com a divisão de Games & Network Services (G&NS) alertando para margens de lucro pressionadas por custos de desenvolvimento elevados e baixa retenção em títulos multiplayer. Analistas da Macquarie e Jefferies revisaram projeções de receita para o segmento para baixo, citando especificamente a incerteza no pipeline de live service.
O que esperar: pressão por resultados e possíveis mudanças na liderança
Embora a Sony não comente rumores sobre mudanças executivas, a pressão por uma correção de rota é tangível. O ano fiscal de 2025 (encerrado em março de 2026) será decisivo. O lançamento de Ghost of Yōtei (Sucker Punch), Death Stranding 2: On the Beach (Kojima Productions) e Marvel's Wolverine (Insomniac) carrega o peso de provar que a capacidade de entregar blockbusters single-player permanece intacta sob a gestão atual.
Paralelamente, a integração da Bungie e o destino de Marathon e Destiny 2 (expansão The Final Shape e vindouras) servem como termômetro da competência da Sony em gerir ativos live service externos. Qualquer novo adiamento ou recepção morna pode acelerar pedidos por reestruturação na cúpula da PlayStation Studios.
O que está em jogo para a liderança da PlayStation Studios
A permanência de Hermen Hulst depende, fundamentalmente, da capacidade de estancar a hemorragia de credibilidade nos projetos multiplayer sem sacrificar a excelência single-player que define a marca. Se a redução de Horizon Hunters Gathering significar apenas um atraso para garantir qualidade, a narrativa de "falha" perde força. Se, contudo, o projeto for cancelado ou lançado em estado precário — repetindo o ciclo de Concord —, a pressão por uma troca de comando deixará de ser opinião de colunista para se tornar demanda de acionistas e conselho de administração.
O próximo relatório financeiro trimestral e eventuais anúncios no State of Play ou Tokyo Game Show 2025 serão os palcos onde a estratégia revisada — ou a manutenção do curso atual — será apresentada. Até lá, a gestão Hulst opera em modo de "prova de vida".


