TL;DR: O clube BDSM de Hellraiser: Revival acaba sendo o ponto alto inesperado, enquanto o resto do jogo parece forçado e constrangedor. A sequência de cenas sensuais faz o horror tradicional perder a graça.
O que é Hellraiser: Revival?
Hellraiser: Revival é a mais recente tentativa de trazer a icônica franquia de Clive Barker para os consoles modernos, desenvolvido pela Saber Interactive. Você controla Aidan, um cara que se mete em encrenca ao brincar com a lendária caixa puzzle dourada, desencadeando o retorno dos Cenobites, demônios que misturam prazer e dor em um espetáculo macabro.
Como funciona o clube BDSM dentro do jogo?
Logo nas primeiras horas, o jogador é lançado num clube underground que parece ter saído de um filme de culto dos anos 90. O ambiente está repleto de luzes neon, cadeiras de couro, máscaras com spikes e uma pista de dança onde os frequentadores exibem poses de bondage. O objetivo principal é conseguir um passe VIP, que exige que o protagonista encontre alguns objetos eróticos – um paddle, um spreader e, claro, o maior dildo que o inventário permita.
O clube serve como um ponto de pausa entre as masmorras sangrentas, oferecendo ao jogador um contraste visual e narrativo. Enquanto você navega pelos corredores, placas de segurança sexual surgem como easter eggs, ironizando a seriedade excessiva de outros jogos de horror que tentam ser "sensuais".
Por que o clube parece mais engraçado que o resto do jogo?
O humor vem da própria dissonância: você troca a ação de atirar com o gatilho direito contra criaturas grotescas por apertar o mesmo botão para colocar algemas ou girar um dildo. Essa sobreposição de controles gera situações absurdas, como tentar “cortar” um inimigo e, de repente, estar “amarrando” alguém num canto da pista.
Além disso, o design do clube lembra outras franquias de FPS – pense em Hitman 2016 com um toque de BioShock – mas com um toque de auto‑ironia que faz o jogador rir da própria falta de coerência. A presença de NPCs que parecem estar em uma festa normal, trocando ideias sobre o fim de semana, reforça o clima de “isso é tão real que dá pra acreditar”.
Quais são as críticas ao restante de Hellraiser: Revival?
Fora do clube, o jogo peca em alguns aspectos:
- Missões de coleta e crafting que parecem forçadas, lembrando tutoriais de jogos de sobrevivência.
- Armas que se deterioram rapidamente, forçando o jogador a ficar constantemente recolhendo recursos.
- Ambientes que misturam referências de BioShock, Condemned 2 e Amnesia, resultando em um visual “colagem” sem identidade própria.
- Um protagonista, Aidan, que falta carisma e parece mais um coadjuvante de piada do que um herói.
Esses elementos dão a impressão de que o jogo tenta ser tudo ao mesmo tempo – horror, ação, exploração – mas acaba não acertando em nenhum dos pilares.
O que o clube BDSM revela sobre a abordagem de horror sexual nos games?
Historicamente, títulos que tentam misturar sexo e terror acabam caindo em estereótipos ou em tentativas de chocar sem profundidade. Hellraiser: Revival, ao incluir um clube BDSM que funciona como um espaço quase “normal”, evidencia essa dicotomia: enquanto a série original de Clive Barker sempre explorou o prazer como forma de tortura, o jogo moderno parece hesitar entre representar o fetiche de forma consensual e usar o tema como mero adereço visual.
Ao colocar o clube como uma “pausa cômica”, os desenvolvedores reconhecem, talvez inconscientemente, que a representação de BDSM em jogos ainda é um terreno delicado. O resultado é um espaço que, embora bem produzido, serve mais para contrastar o resto do jogo do que para aprofundar a temática.
Vale a pena jogar Hellraiser: Revival?
Se você é fã da franquia e aguarda uma experiência que misture horror clássico com ação de FPS, o jogo tem seus momentos, mas prepare-se para uma jornada que pode parecer mais “cringe” que aterrorizante. O clube BDSM é, sem dúvida, o destaque e oferece um alívio cômico que faz o restante parecer ainda mais forçado.
Em resumo, se a sua expectativa é mergulhar num universo sombrio com uma narrativa coerente, talvez o jogo não entregue. Porém, se você curte descobrir easter eggs, rir de situações absurdas e apreciar um bom design de club house underground, Hellraiser: Revival tem algo a oferecer.
O clube, apesar de sua estética polida, ainda carrega a assinatura da série: sangue, dor e um toque de perversidade. Mas, ao invés de ser um elemento de terror, ele funciona como um espelho que reflete o quão desconexo o restante do jogo pode ser.
Para ficar no radar
Hellraiser: Revival ainda tem cerca de oito horas de conteúdo planejado pelos desenvolvedores, então pode haver ajustes e melhorias nas próximas atualizações. Enquanto isso, a comunidade de jogadores tem apontado que o clube BDSM é o melhor “easter egg” que o título oferece.
Se você pretende mergulhar no universo de Clive Barker, lembre‑se de levar um mindset aberto: o jogo vai te fazer rir, se sentir desconfortável e, quem sabe, até questionar se o horror realmente precisa de um toque de prazer para ser assustador.



