GoPro demite 23% dos funcionários em nova onda de cortes globais

fa63088a9c22dccafb8b65dcc74d7eb3

Sumário:

Pontos-chave

  • A GoPro anunciou o corte de 23% de sua força de trabalho, totalizando 145 funcionários demitidos.
  • A decisão ocorre após a empresa não atingir a meta de lucratividade para o ano fiscal de 2025.
  • Os custos com indenizações e benefícios devem chegar a US$ 15 milhões.
  • A empresa enfrenta uma pressão crescente de rivais como DJI e Insta360, que dominam nichos de mercado.
  • A esperança da companhia reside no lançamento de novas câmeras com o processador GP3, focadas no mercado profissional.

O fim de uma era ou um ajuste necessário?

Se você viveu a febre do início dos anos 2010, provavelmente se lembra de quando ter uma GoPro era o ápice da ostentação para qualquer entusiasta de esportes radicais ou aspirante a criador de conteúdo. A pequena caixa de policarbonato era onipresente: em capacetes de ciclistas, guidões de motos e até em drones amadores que mal conseguiam voar por cinco minutos. No entanto, o tempo passou, o mercado mudou drasticamente e, hoje, a realidade da GoPro é bem menos glamorosa do que as imagens em 4K que ela captura.

Recentemente, a notícia que abalou os corredores do Vale do Silício — e que ecoa aqui no Culpa do Lag com um tom de preocupação — é a decisão da GoPro de cortar 23% de sua força de trabalho. Não estamos falando de ajustes triviais, mas de uma reestruturação profunda. Em um mercado onde a agilidade é a palavra de ordem, a GoPro parece estar tentando nadar contra uma correnteza que se tornou forte demais. A pergunta que fica no ar, e que vamos dissecar aqui, é: será que a empresa ainda consegue se reinventar, ou estamos assistindo ao lento declínio de um ícone da era digital?

A matemática da sobrevivência: 145 vidas em jogo

Por trás dos números frios de um relatório 8-K enviado à SEC, existem 145 famílias que agora encaram a incerteza. A GoPro, que já foi uma gigante indiscutível, viu seu quadro de funcionários de 631 pessoas ser reduzido drasticamente. O custo dessa operação? Cerca de 15 milhões de dólares destinados a rescisões e benefícios de saúde. É um preço alto, não apenas financeiramente, mas culturalmente para uma marca que sempre se vendeu como “jovem e vibrante”.

O que torna essa situação particularmente dolorosa é que não é a primeira vez. Em 2024, a empresa já havia passado por duas rodadas de cortes. Quando uma organização precisa recorrer a demissões em massa repetidas vezes em um curto intervalo de tempo, o diagnóstico é claro: o modelo de negócios atual não está sustentando a estrutura que foi montada para tempos de vacas gordas. A meta de voltar à lucratividade em 2025 falhou miseravelmente, e o resultado final foi um rombo nas contas que forçou a diretoria a tomar essa medida drástica.

A pressão dos acionistas vs. a realidade do chão de fábrica

É fácil para o mercado financeiro aplaudir cortes de custos. Ações podem subir temporariamente após o anúncio de “eficiência operacional”. Mas, para nós, que acompanhamos a tecnologia de perto, fica o questionamento: quem está inovando dentro da empresa se o pessoal está sendo mandado embora? A criatividade não nasce de um ambiente de medo e insegurança. Ao reduzir sua força de trabalho em quase um quarto, a GoPro corre o risco de perder o “DNA” que a tornou especial, transformando-se em uma empresa de prateleira, sem o brilho da inovação que a caracterizava.

O fantasma da concorrência: DJI e Insta360

Se você perguntar a qualquer entusiasta de fotografia hoje em dia qual câmera ele compraria para gravar vlogs ou esportes, a resposta raramente é “GoPro” de imediato. A DJI, com sua linha Osmo, e a Insta360, com sua abordagem agressiva e criativa, simplesmente comeram o almoço da GoPro. Enquanto a GoPro se manteve presa a um design que pouco mudou em uma década, a concorrência trouxe sensores maiores, estabilização de imagem que parece mágica e formatos de câmera que se adaptam a qualquer lugar.

A DJI, por exemplo, não vende apenas câmeras; ela vende um ecossistema. Se você já tem um drone da marca, a integração com a câmera de ação é orgânica. A Insta360, por outro lado, abraçou a criatividade com câmeras modulares e de 360 graus que permitem ângulos impossíveis. A GoPro, por sua vez, parecia estar em um ciclo de “mais do mesmo”, lançando versões anuais que pouco empolgavam o consumidor médio. A GoPro Max2, lançada em setembro de 2025, foi uma tentativa de retomar o terreno, mas o mercado já havia se movido para outras direções.

O processador GP3 e a aposta na profissionalização

Em meio ao caos das demissões, a GoPro tenta acalmar os investidores e os fãs com uma promessa: o novo processador GP3. A ideia é abandonar um pouco o foco no “usuário casual” — que hoje em dia já está satisfeito com a câmera do seu iPhone 16 ou Galaxy S25 — e mirar no mercado profissional. A promessa é de câmeras “mais profissionalmente focadas do que nunca”, que serão apresentadas na NAB (National Association of Broadcasters) deste mês.

Será que isso é o suficiente? O mercado profissional é exigente. Eles buscam fidelidade de cores, suporte a codecs de alto nível, integração com fluxos de trabalho complexos e, acima de tudo, confiabilidade. A GoPro tem a reputação de ser uma câmera “pau para toda obra”, mas transformar essa imagem em uma ferramenta de produção de cinema é um salto enorme. O GP3 precisa ser um divisor de águas, algo que coloque a empresa no mesmo patamar de marcas como Sony ou Blackmagic em termos de processamento de imagem, o que é uma tarefa hercúlea para uma empresa que está lutando para manter suas luzes acesas.

O desafio do nicho

O problema de focar no profissional é que o mercado é pequeno. A GoPro cresceu vendendo milhões de unidades para pessoas comuns que queriam filmar suas férias. Ao se afastar desse público para tentar agradar o cineasta de elite, a empresa pode estar diminuindo seu mercado endereçável a um ponto onde a sobrevivência se torna ainda mais difícil. É uma aposta de alto risco: ou o GP3 entrega uma qualidade de imagem que redefine o mercado, ou a empresa se tornará um produto de nicho, caro e pouco relevante para a massa.

O futuro da GoPro: Entre a inovação e o abismo

Como jornalista que cobre essa indústria há anos, sinto uma ponta de nostalgia ao ver a GoPro tropeçar. É uma marca que definiu uma geração de criadores. No entanto, o mercado de tecnologia não perdoa a estagnação. O fato de a empresa ter terminado o ano fiscal de 2025 no vermelho, mesmo após prometer lucratividade, mostra que o problema é sistêmico. Não é apenas uma questão de marketing, mas de relevância do produto.

O que veremos nos próximos meses será decisivo. Se a GoPro conseguir emplacar essas novas câmeras com o GP3 e, simultaneamente, otimizar sua estrutura de custos de forma que a empresa se torne saudável financeiramente, talvez tenhamos uma história de redenção. Mas, se as demissões continuarem e os produtos não trouxerem aquela “faísca” que a marca precisa, a GoPro pode acabar sendo absorvida por um dos gigantes que hoje a suplantam.

Por fim, fica o alerta para nós, entusiastas: o mercado de câmeras de ação é um reflexo claro de como a inovação pode ser efêmera. Hoje, você é o rei do mundo com uma câmera presa no peito; amanhã, você está lutando para provar que ainda tem valor. Ficaremos de olho na NAB, nos próximos lançamentos e, claro, no impacto que essas mudanças terão na cultura geek. A GoPro pode estar em queda livre, mas, como toda boa câmera de ação, ela certamente vai tentar capturar cada segundo dessa descida — resta saber se ela terá fôlego para abrir o paraquedas antes de atingir o solo.

E você, caro leitor do Culpa do Lag? Ainda usa uma GoPro ou já migrou para a concorrência? Acha que a empresa ainda tem salvação ou o tempo das câmeras de ação dedicadas já passou? Deixe sua opinião nos comentários, porque o debate está apenas começando.