TL;DR: Claire Stapleton, ex‑comunicadora da google, afirma que a empresa abandonou o lema "Don't be evil" e adotou práticas cada vez mais tóxicas, culminando em sua saída após a greve de 2018.
Como era a cultura da Google em 2007?
Quando Stapleton entrou na Google logo após a faculdade, ela descreve a experiência como "ganhar o bilhete dourado" – um ambiente de inovação, transparência e um forte compromisso com a missão de organizar a informação mundial. A empresa ainda carregava o famoso código de conduta que incluía a frase "Don't be evil" (Não seja mal).
O que mudou na prática?
| Aspecto | 2007 – Ideais fundadores | 2023 – Realidade percebida |
|---|---|---|
| Comunicação interna | Transparência, feedback aberto e valorização da opinião dos funcionários. | Silenciamento de vozes críticas, demissões estratégicas após protestos. |
| gestão de crises | Responsabilidade pública e rápida correção de falhas. | Reações defensivas, acusações de retaliação contra organizadores de greves. |
| Ambiente de trabalho | Espaços colaborativos, incentivo à criatividade e projetos experimentais. | Estruturas rígidas, falta de direção clara e projetos de "tecnologia otimista" vazios. |
| política de diversidade | Compromisso com inclusão e igualdade de oportunidades. | Escândalos de assédio sexual e respostas questionáveis da liderança. |
Quais foram os principais gatilhos da mudança?
Stapleton aponta três momentos críticos que marcaram a ruptura entre os ideais e a prática:
- Transferência para o Google Creative Lab (NY): um ambiente que, segundo ela, misturava utopia e distopia, sem diretrizes claras.
- Greve de 2018: mais de 20 mil funcionários protestaram contra a forma como a empresa lidou com casos de assédio sexual.
- Reestruturação de 2019: a autora foi rebaixada, o que ela interpreta como retaliação por sua participação na greve.
O que a ex-funcionária fez depois da saída?
Após deixar a Google, Claire escreveu um ensaio para a Elle que chamou de "tentativa psíquica de encerrar" sua fase na empresa. O texto gerou interesse de agentes literários e, eventualmente, resultou no livro Don't Be Evil: Bad Bosses, Fake Promises, and My Escape from Big Tech. Além disso, ela passou a escrever colunas de aconselhamento profissional e a prestar serviços de comunicação para um fundo de capital de risco fundado por Bill Maris, outro ex‑Google.
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Se você é um profissional de tecnologia que busca entender como grandes corporações podem desvirtuar seus valores fundadores, o relato de Stapleton oferece um panorama honesto e crítico. Para quem está pensando em ingressar em empresas de Big Tech, a história serve como alerta sobre a importância de avaliar a cultura interna antes de aceitar uma proposta.
Para ficar no radar
O caso da Google reforça a necessidade de acompanhar não apenas os produtos lançados, mas também as políticas internas das gigantes de tecnologia. A transparência corporativa ainda é um assunto quente, e novas denúncias podem surgir a qualquer momento, impactando investidores, usuários e futuros talentos.


