TL;DR: O final original de G.I. Joe: The Rise of Cobra teria piorado o filme ao deixar o icônico Snake Eyes falar, algo que vai contra a tradição do personagem e compromete a identidade da franquia.
Fato: O que realmente estava planejado?
Nos bastidores de G.I. Joe: The Rise of Cobra (2009), o produtor Lorenzo di Bonaventura revelou que, em uma versão preliminar do roteiro, Snake Eyes – interpretado por Ray Park – teria uma única linha de diálogo no clímax da história. A ideia era inserir um momento de humor, mas o plano foi abortado graças à intervenção de Larry Hama, criador original dos quadrinhos e consultor criativo do filme.
Hama insistiu que o silêncio de Snake Eyes era essencial, argumentando que “não importa o que vocês pensem, Snake Eyes não pode falar”. Assim, a cena foi cortada e o personagem permaneceu mudo, como nos quadrinhos.
Contexto: Por que isso importa para o público brasileiro?
O Brasil tem uma comunidade de fãs de G.I. Joe que acompanha tanto os brinquedos da Hasbro quanto as HQs da Marvel. Essa base valoriza a fidelidade ao material original, especialmente em relação a personagens emblemáticos como Snake Eyes. A decisão de manter o herói silencioso reforça o respeito à obra de Hama, que, além de veterano da Guerra do Vietnã, escreveu quase todas as 155 edições da série clássica.
Além disso, o mercado brasileiro costuma reagir de forma mais crítica a adaptações que sacrificam elementos essenciais por “apelo comercial”. O caso de Snake Eyes falando teria sido visto como mais uma tentativa de americanizar o personagem, afastando-o da identidade que o tornou popular entre colecionadores e leitores de quadrinhos.
Reação dos fãs/mercado
Quando a informação vazou, fóruns como Reddit, grupos no Discord e páginas de fãs no Facebook explodiram em debates. A maioria dos usuários celebrou a intervenção de Hama, citando a importância da “mística” do personagem. Alguns argumentaram que, se o filme tivesse mantido a fala, a crítica teria sido ainda mais severa, já que o público já reprova a falta de coerência dos outros personagens (como a Baroness, interpretada por Sienna Miller).
- Fãs de quadrinhos: elogiaram a preservação da tradição.
- Fãs de cinema: temiam que a fala fosse um recurso barato para gerar empatia.
- Mercado de colecionáveis: viu a decisão como positiva, pois reforça a autenticidade dos brinquedos.
Na prática, a crítica ao filme já era forte – Rotten Tomatoes marcava menos de 30% de aprovação – e a adição de um monólogo de Snake Eyes teria reforçado a percepção de que a produção não entendia o que faz o universo de G.I. Joe especial.
O que esperar das próximas adaptações
Com o spin‑off de 2021, Snake Eyes, a franquia tentou reinventar o herói, colocando Henry Golding (um ator de ascendência asiática) no papel e permitindo que o personagem falasse e tirasse a máscara. Embora a tentativa tenha gerado curiosidade, a recepção foi morna, e o filme ainda não provou que a mudança foi benéfica.
Para futuros projetos, os estúdios podem adotar duas estratégias:
- Respeitar a fonte: manter o silêncio de Snake Eyes e focar em coreografias de ação que expressem a personalidade do personagem sem diálogos.
- Reinventar com cautela: caso optem por dar voz ao herói, precisam criar uma motivação narrativa convincente, evitando o clichê de “momento de humor” que quase aconteceu em 2009.
O que fica claro é que o público brasileiro valoriza a consistência e a reverência ao legado. Qualquer desvio que pareça forçado tende a ser rejeitado rapidamente nas redes sociais, impactando não só a bilheteria, mas também as vendas de brinquedos e colecionáveis.
Para ficar no radar
Embora ainda não haja confirmação oficial, rumores apontam que a Paramount está avaliando um novo reboot da franquia, possivelmente ligado ao universo cinematográfico da Transformers. Se isso acontecer, a decisão sobre o silêncio de Snake Eyes será um dos pontos críticos observados pelos fãs brasileiros. Fique atento a anúncios oficiais e a possíveis entrevistas com Larry Hama, que continua sendo a voz mais autêntica da série.


