Get Out (2017) encabeça a lista dos melhores filmes de horror sobre relacionamentos, provando que o medo mais assustador pode surgir quando confiamos cegamente em quem amamos.
O que aconteceu
Jordan Peele, em sua estreia como diretor, entregou um thriller psicológico que mistura racismo, manipulação e terror corporal. Daniel Kaluuya interpreta Chris Washington, um jovem negro que visita a família de sua namorada Rose (Alison Williams) em uma mansão isolada. O que começa como um jantar tenso rapidamente se transforma em um pesadelo de controle mental, onde o casal se vê preso a um ritual de troca de corpos. A trama revela que o amor pode ser usado como ferramenta de dominação, tornando a própria intimidade um campo de batalha.
Como chegamos aqui
O conceito de horror nos relacionamentos não é novidade; filmes como The Invisible Man (2020) e It Follows (2014) já mostravam como a intimidade pode gerar medo. No entanto, a maioria desses títulos abordava o terror de maneira mais literal – um assassino invisível ou uma maldição sexual transmissível. Get Out eleva a discussão ao colocar o medo dentro da própria dinâmica de casal, explorando a vulnerabilidade de quem se entrega a outra pessoa sem perceber o risco de ser consumido.
Essa evolução tem raízes em obras anteriores:
- Warm Bodies (2013) – um romance zumbi que usa a metáfora da falta de conexão emocional para gerar horror leve.
- Companion (2025) – apresenta um relacionamento com uma IA controlável, mostrando a perda de autonomia.
- Let the Right One In (2008) – traz um vampiro adolescente que, apesar de ser monstruoso, cria laços afetivos intensos.
Esses filmes abriram caminho para que Peele pudesse combinar crítica social e medo visceral, resultando em uma obra que funciona tanto como entretenimento quanto como comentário cultural.
O que vem depois
Com Get Out no topo, a tendência de usar o horror como lente para analisar relacionamentos parece estar apenas começando. Os próximos lançamentos que já despontam na lista – como Obsession (2026) e Together (2025) – prometem explorar ainda mais a intersecção entre medo e intimidade, seja através de pactos sobrenaturais ou de fusões corporais literal.
Além disso, a recepção crítica de Get Out impulsionou discussões sobre representatividade nos gêneros de terror. Estúdios maiores agora investem em narrativas que trazem perspectivas marginalizadas, o que pode gerar um novo ciclo de filmes que, ao mesmo tempo, assustam e educam.
Onde isso pode dar
O sucesso de Get Out demonstra que o horror pode ser um veículo poderoso para questionar normas de relacionamento. Se a indústria seguir essa linha, poderemos ver:
- Mais filmes que abordam abuso emocional como forma de terror, ampliando o conceito de “monstro” para além do físico.
- Explorações de tecnologia íntima – IA, realidade aumentada e biohacking – como novas fontes de medo dentro de pares românticos.
- Um renascimento de narrativas que misturam horror com romance, onde o final feliz não é garantido, mas sim um convite à reflexão sobre o que realmente sustenta um vínculo.
Em última análise, a lista completa, que inclui títulos como The Fly (1986), Possession (1981) e Let the Right One In (2008), serve como um mapa de como o gênero tem evoluído para refletir os medos mais íntimos da sociedade. Cada filme oferece uma lente diferente – seja a deterioração física, a possessão sobrenatural ou a manipulação psicológica – mas todos convergem na ideia de que o amor pode ser tanto a âncora quanto a corrente que nos prende ao terror.


