Forza Horizon 6 é realmente o ápice da franquia?
Forza Horizon 6 — o mais novo capítulo da celebrada série de corrida em mundo aberto da Playground Games — chega com a missão ingrata de superar o legado de seus antecessores. A resposta curta é que, visualmente e em termos de design de mundo, o jogo é um triunfo absoluto. Ao situar a ação no Japão, a desenvolvedora acertou na mosca: temos desde as luzes neon de Tóquio até as estradas sinuosas de montanhas que parecem saídas de um episódio de Initial D. É, sem dúvida, o mapa mais variado e prazeroso de explorar que a franquia já viu.
No entanto, nem tudo são flores. Enquanto o ato de dirigir continua sendo o padrão ouro dos jogos de corrida arcade, a Playground decidiu implementar sistemas de construção e personalização de garagens que parecem estranhos ao DNA da série. É como se o jogo quisesse ser um simulador de construção nas horas vagas, mas esquecesse de polir as ferramentas para isso.
Como funciona o novo sistema de construção em The Estate?
A grande novidade desta edição é The Estate, uma área onde o jogador pode criar sua própria pista de corrida e customizar seu refúgio. Na teoria, é uma adição ambiciosa. Na prática, é um exercício de frustração. A interface de construção é genérica e sofre com problemas de colisão, onde elementos de cenário, como grama, atravessam as pistas que você tenta montar.
A experiência lembra muito os piores momentos de construção de assentamentos em Fallout 4, onde o encaixe de peças não é intuitivo e a falta de ferramentas de precisão torna a criação de um circuito minimamente funcional uma tarefa hercúlea. Em vez de passar horas lutando contra um sistema de menus mal resolvido, o jogador sente vontade de abandonar a ferramenta e voltar para as estradas desenhadas pelos profissionais da Playground, que são, ironicamente, muito mais divertidas e bonitas.
Por que as novas mecânicas de garagem falham?
Além das pistas, a customização das garagens também deixa a desejar. O objetivo era permitir que o jogador exibisse sua coleção de carros em um ambiente único, mas as limitações de espaço e a escassez de itens decorativos transformam cada garagem em algo genérico e sem alma. Veja o que pesa contra esse sistema:
- Falta de variedade: Os itens decorativos são repetitivos e não permitem uma identidade visual marcante.
- Controles finos inexistentes: Colocar objetos uns sobre os outros é uma batalha contra controles de altura imprecisos.
- Limitação de exibição: O foco em deixar espaço para o modo Forzavista acaba sacrificando a criatividade na organização do ambiente.
- Clipping constante: Objetos que não se encaixam corretamente quebram a imersão que o resto do jogo constrói tão bem.
Onde isso pode dar?
Apesar das críticas às novidades, Forza Horizon 6 ainda é o rei do asfalto. A jogabilidade central permanece impecável. A transição entre o caos urbano de Tóquio e a serenidade das rotas rurais é orgânica, e a sensação de velocidade ao pilotar um Nissan Skyline ou um supercarro moderno é inigualável. A Playground Games acertou em quase tudo que diz respeito ao prazer de dirigir.
O futuro da série, no entanto, precisa de cautela. Tentar abraçar mecânicas de outros gêneros — como a construção de bases — sem o devido polimento pode diluir a experiência. Se a intenção é manter o trono, a desenvolvedora deve focar no que faz de melhor: a estrada, a paisagem e a liberdade de pilotagem. As ferramentas de construção em The Estate podem ser um experimento interessante para o futuro, mas, no momento, funcionam mais como uma distração desnecessária do que como um pilar de sustentação para a longevidade do título.
Se você busca um simulador de corrida com toques de arcade, Forza Horizon 6 continua sendo a compra obrigatória. Só não espere que as novas ferramentas de customização sejam o motivo principal para você passar centenas de horas no jogo. O Japão é o verdadeiro protagonista aqui, e ele é espetacular o suficiente para justificar o investimento por si só.


