WhatsApp Instagram YouTube
Culpa do Lag CULPA DO LAG
Cinema e Series

Flash Comics #86: a única cópia PSA 7.0 da estreia da Black Canary vai a leilão

· · 9 min de leitura
Mulher em leggings levanta halteres enquanto folheia a capa de Flash Comics #86 sobre a Black Canary
Compartilhar WhatsApp

A cópia classificada como PSA 7.0 de Flash Comics #86, de 1947, entrou em leilão na goldin auctions e é a única desse nível já vista no mercado. A HQ marca a estreia da Black Canary — heroína clássica da DC Comics, integrante da Justice Society e depois da Justice League — e, segundo a Goldin, os lances iniciais já superaram a marca de US$ 6 mil com mais de uma semana restantes para arremate.

O exemplar chamou a atenção por um motivo raro: não se trata apenas de uma primeira aparição cobiçada, mas da única cópia já avaliada nesse estado de conservação pela PSA (Professional Sports Authenticator). Para colecionadores, isso transforma a edição em um caso único dentro de uma Era de Ouro em que quase tudo já foi perdido.

O que torna Flash Comics #86 um "grail" dos quadrinhos

Chama-se informalmente de "grail" toda HQ de primeira aparição que é simultaneamente essencial para a história dos quadrinhos e praticamente impossível de encontrar em bom estado. Flash Comics #86 se encaixa nesse rótulo por três razões que se reforçam:

  • Importância narrativa: é a estreia da Black Canary, a última grande personagem surgida na chamada Era de Ouro da DC Comics, antes da virada que levaria à Era de Prata.
  • Posição histórica: é onde ela substitui Johnny Thunder nas histórias do Flash, ocupando um espaço fixo até o fim da revista em 1949.
  • Raridade extrema: HQs da Era de Ouro raramente sobreviveram em boas condições — a ideia de preservar gibi nem existia na época — e a maioria dos exemplares existentes está muito abaixo do 7.0.

"Grail" não significa apenas caro. Significa que, mesmo com dinheiro, é quase impossível colocar a mão em um exemplar aceitável.

Para efeito de comparação, a CGC (Certified Guarantee Company) estima que existam mais de quatro mil cópias avaliadas de Amazing Fantasy #15, a primeira aparição do Homem-Aranha, contra menos de cem cópias avaliadas de Action Comics #1, a estreia do Superman. Flash Comics #86 vive em uma faixa de raridade parecida, com o agravante de ser ainda menos estudada fora do círculo de colecionadores.

A estreia da Black Canary: uma ladra que virou heroína

Se você nunca leu esse gibi, a surpresa é quase inevitável: a Black Canary não aparece na capa. Quem rouba a capa de Flash Comics #86 é o Flash, em uma história contra um "Terror da Idade da Pedra" — um Tiranossauro Rex gigante. A heroína surge discretamente, em uma história de apoio de seis páginas estrelada por Johnny Thunder.

Para quem não conhece: Johnny Thunder é um jovem membro fundador da Justice Society que comanda um gênio preso em um anel mágico chamado thunderbolt. É, por consenso, um dos fundadores mais fracos do grupo — o próprio desenhista Carmine Infantino já disse que ele "não era grande coisa como personagem".

Nessa primeira aparição, escrita por Robert Kanigher e desenhada por Carmine Infantino, a Black Canary começa como anti-heroína: uma ladra que rouba apenas de criminosos. Ela manipula Johnny Thunder para ajudá-la em um golpe, é pega pelo mafioso Socks Slade (sim, esse é o nome do bandido — a DC já estava sem boas ideias para vilões em 1947) e precisa ser resgatada pelo Thunderbolt. Nos dois números seguintes ela retorna; a partir de Flash Comics #89, vira personagem fixa, e da edição #92 em diante sua identidade civil, Dinah Drake, é apresentada.

Foi aí que ela basicamente substituiu Johnny Thunder na revista. A partir de Flash Comics #92, Johnny desapareceu e a Canário passou a estrelar sozinha, até o título ser cancelado em 1949 com a edição #104. A identidade de ladra foi abandonada, a máscara de dominó também, e sobrou apenas a peruca loira como pista visual de que Dinah Drake era a Canário.

Da Era de Ouro para a Era de Prata: o multiverso e os retcons confusos

Como quase toda a DC da Era de Ouro, a Black Canary ficou hibernando durante os anos 1950 até que o roteirista Gardner Fox e o editor Julius Schwartz decidiram trazê-la de volta. A gambiarra usada foi o multiverso: a Era de Ouro passou a ser ambientada em uma Terra-2 paralela, separada da Terra-1 da Era de Prata a partir de Showcase #4, de 1956 (estreia do Flash Barry Allen).

A Canário integrou o grupo que apareceu em The Flash #129 e, no ano seguinte, voltou de vez em Justice League of America #21 — um crossover em dois números entre a JSA e a JLA que virou evento anual da revista. Foi nesse formato de crossover que a personagem ganhou uma legião de novos fãs.

Em 1965, ganhou as duas primeiras histórias solo da Era de Prata, em The Brave and the Bold, ao lado do Starman. Mas a virada de verdade veio após o crossover de 1969 entre JSA e JLA: o roteirista Denny O'Neil precisava de uma mulher para preencher a vaga deixada pela Mulher-Maravilha na Liga da Justiça e escolheu a Canário. Ela deixou a Terra-2 para trás depois da morte do marido Larry Drake, ganhou um grito sônico como superpoder (até então ela era basicamente uma lutadora sem poderes) e foi emparelhada com o Arqueiro Verde — nascendo ali uma das duplas mais queridas dos quadrinhos.

O problema é que essa versão tinha mais de sessenta anos de continuity, mas não havia envelhecido na página. Roy Thomas resolveu o impasse com um retcon conhecido por ser, nas palavras da própria comunidade, "absurdamente convoluto": a Canário com grito sônico da Terra-1 seria na verdade a filha da Canário original, amaldiçoada na infância com o grito sônico, colocada em animação suspensa, e que recebeu as memórias da mãe no momento em que Dinah Drake original morreu após uma dose fatal de radiação em Justice League #73-74.

Do multiverso à Crisis: a versão que ficou

Toda essa ginástica foi simplificada depois de Crisis on Infinite Earths (1985), que resetou a continuidade da DC e aposentou o multiverso pré-CoIE. A partir daí, a história oficial passou a ser: a Canário original foi uma heroína dos anos 1940 e 1950 que combateu o crime ao lado da JSA, aposentou-se e passou o manto para a filha, que treinou com os ex-membros da sociedade. É a versão que serve de base para praticamente tudo que veio depois, incluindo:

  • Birds of Prey (série de quadrinhos): a Canário é cofundadora do grupo ao lado de Barbara Gordon (Oráculo), roteiro de Gail Simone.
  • Justice League Unlimited (animação): voz de Morena Baccarin, em uma das adaptações mais celebradas.
  • Birds of Prey (filme do DCEU, 2020): vivida por Jurnee Smollett, em uma versão livre da personagem.
  • The Lego Batman Movie (2017): participação especial, prova de que ela atravessa diferentes mídias sem perder relevância.

Em outras palavras: 79 anos depois da estreia discreta em uma história de apoio, a personagem continua sendo pivô de Justice League, parceira clássica do Arqueiro Verde e figura central em qualquer releitura moderna da DC.

Por que essa cópia PSA 7.0 é diferente de qualquer outra

O detalhe que coloca esse leilão no radar é a combinação: Flash Comics #86 + nota PSA 7.0 + única cópia conhecida nesse estado. Para colecionadores, "única cópia avaliada nesse nível" vale muito mais do que o número 7.0 sugere, porque tira do jogo o parâmetro usual de comparação por preço.

Em leilões, o método mais usado para estimar valor é olhar vendas recentes de exemplares similares. Quando não existe exemplar similar — porque só existe aquele —, o preço final passa a ser definido mais pela disposição do comprador do que por uma tabela. É o que explica saltos agressivos de lance nas horas finais.

Vale lembrar: a nota 7.0 (Very Fine) não é a melhor classificação possível — a escala vai até 10. Mas para uma HQ de 1947, é um estado excepcionalmente preservado. A maioria dos exemplares sobreviventes da Era de Ouro cai em notas muito mais baixas, justamente porque naquela época ninguém guardava gibi pensando em valorização futura.

Quem está de olho nesse tipo de leilão

O público desse tipo de arremate costuma se dividir em três perfis bem diferentes:

  • Colecionadores de "white whales": quem busca fechar uma coleção de primeiras aparições da Era de Ouro e aceita pagar preço de pico para garantir a peça.
  • Investidores: fundos e colecionadores-investidor que tratam HQs-chave como ativo alternativo. Para eles, raridade absoluta + personagem icônico + nota alta é a equação ideal.
  • Fãs da personagem: mais raro, mas existe quem compre por afeto à Canário, ao Arqueiro Verde ou ao universo da Birds of Prey.

Para a maioria dos fãs, mesmo acompanhar o leilão em tempo real já é uma aula sobre o mercado de quadrinhos antigos — e um lembrete de que algumas histórias só estão acessíveis via reedição.

Por onde acompanhar o desfecho do leilão

O lote está listado na Goldin Auctions, casa especializada em memorabilia esportiva e colecionáveis que tem ampliado seu catálogo de HQs raras. Para quem quiser estudar antes de qualquer lance, vale observar três pontos: o estado físico real do exemplar nas fotos de alta resolução, o laudo completo da PSA e o histórico de vendas de Flash Comics #86 em outras notas, já que servem como referência de piso.

O resultado final desse leilão vai mexer não só com o preço de outras cópias da mesma edição, mas com a forma como o mercado enxerga raridades da Era de Ouro da DC que ainda não foram totalmente exploradas — caso justamente da Flash Comics #86, uma estreia que ficou décadas na sombra de Action Comics #1 e Detective Comics #27.

FAQ

O que é Flash Comics #86?

Flash Comics #86 é uma HQ da DC Comics publicada em 1947. É a edição em que a Black Canary estreia, em uma história de apoio de seis páginas estrelada por Johnny Thunder, enquanto a capa é dedicada ao Flash enfrentando um Tiranossauro Rex. É a última grande primeira aparição da chamada Era de Ouro da DC.

Por que essa cópia é tão rara?

A raridade vem de dois fatores somados: a Era de Ouro quase não foi preservada, então pouquíssimos exemplares sobreviveram; e essa cópia específica é a única já classificada pela PSA com nota 7.0. A combinação tira do mercado qualquer parâmetro de comparação por preço.

Quem é Black Canary nos quadrinhos atuais?

Pós-Crisis on Infinite Earths, a Canário ativo é a filha da Canário original, Dinah Drake Lance, que herdou o manto e o grito sônico. Ela é fundadora das Birds of Prey ao lado de Barbara Gordon, parceira clássica do Arqueiro Verde e membro eventual da Justice League.

Vale a pena investir em HQs da Era de Ouro?

Para a maioria dos fãs, é inviável: os preços de primeira aparição nessa faixa giram na casa das dezenas ou centenas de milhares de dólares, e boa parte do mercado é dominada por investidores profissionais. O lado bom é que reedições e edições de arquivo (como os Showcase Presents) deixam essas histórias acessíveis sem precisar vender um rim.

Perguntas frequentes

O que é Flash Comics #86 e por que ela é tão cobiçada?
Flash Comics #86 é a HQ da DC Comics de 1947 em que a Black Canary estreia pela primeira vez. É considerada um "grail" porque combina a importância histórica de ser a última grande primeira aparição da Era de Ouro da DC com raridade extrema: pouquíssimos exemplares sobreviveram em bom estado, e essa cópia em leilão é a única classificada como PSA 7.0.
Quem é Black Canary e por que ela importa?
Black Canary (Canário Negro) é uma heroína clássica da DC Comics surgida em 1947. Foi membro da Justice Society, depois da Justice League, parceira clássica do Arqueiro Verde e cofundadora das Birds of Prey ao lado de Barbara Gordon. Apareceu em Justice League Unlimited (voz de Morena Baccarin) e no filme Birds of Prey do DCEU (vivida por Jurnee Smollett).
Por que essa cópia PSA 7.0 é única?
Porque é a única cópia de Flash Comics #86 já avaliada pela PSA com nota 7.0 (Very Fine). Sem outros exemplares nessa faixa de conservação, não há referência de preço, e o valor final em leilão costuma disparar nas últimas horas de disputa.
Quanto está valendo o leilão?
Segundo a Goldin Auctions, os lances iniciais já superavam US$ 6 mil com mais de uma semana restantes para o encerramento. O valor final pode ser bem maior, considerando que é a única cópia PSA 7.0 conhecida e que primeiras aparições da Era de Ouro costumam disparar nas horas finais.
Culpa do Lag
Curtiu? Recebe as próximas no WhatsApp.

Games, animes, filmes e tech — as notas quentes direto no nosso canal, sem depender de algoritmo.

Seguir no canal

Veja tambem

Compartilhar WhatsApp