TL;DR: Cinco anos depois, o filme Eternals de Chloe Zhao ainda divide fãs: visual deslumbrante e elenco estelar, mas roteiro fraco e ritmo arrastado impedem a conexão emocional que outros sucessos do MCU conseguiram.
Eternals (2021) – O que funcionou?
Quando Eternals chegou às telas, o projeto já carregava expectativas altas. Chloe Zhao, vencedora do Oscar, trouxe sua assinatura visual – paisagens épicas, iluminação natural e um tom contemplativo que raramente vemos em super‑produções de super‑heróis. O elenco, que inclui Gemma Chan (Sersi), Richard Madden (Ikaris), Kumail Nanjiani (Kingo) e Angelina Jolie (Thena), garantiu performances de qualidade. Os efeitos especiais foram elogiados por sua fidelidade ao design dos quadrinhos, especialmente nas sequências de batalha envolvendo Gilgamesh e Sprite.
Spider‑Man: Brand New Day – Por que se destaca?
Ao contrário de Eternals, Spider‑Man: Brand New Day conseguiu equilibrar humor, ação e desenvolvimento de personagem. O tom mais leve e a presença constante de Peter Parker como “o cara de vizinhança” criam uma conexão imediata com o público. A narrativa, ainda que simples, mantém o ritmo dinâmico, evitando longas exposições que podem cansar o espectador.
Shang‑Chi and the Legend of the Ten Rings – O que o diferencia?
Este filme trouxe diversidade cultural e uma coreografia de luta inovadora, algo que o MCU vinha precisando. A história de Shang‑Chi, baseada em mitologia chinesa, oferece um arco emocional claro, com motivos de família e identidade que ressoam com o público global, inclusive no Brasil, onde a comunidade asiática tem presença forte nas redes.
Thunderbolts – Expectativas versus realidade
Embora ainda não tenha sido lançado, Thunderbolts já gera expectativa por reunir vilões e anti‑heróis em um mesmo time. A proposta de explorar moralidade cinzenta pode ser um caminho interessante para o MCU, caso evite os mesmos tropeços de Eternals – principalmente a sobrecarga de personagens sem foco narrativo.
Comparativo de pontos críticos
| Aspecto | Eternals | Spider‑Man: Brand New Day | Shang‑Chi | Thunderbolts (projetado) |
|---|---|---|---|---|
| Direção visual | Estilo contemplativo, paisagens épicas | Estética urbana, cores vibrantes | Coreografia de luta, estética asiática | Desconhecido (espera‑se algo mais sombrio) |
| Roteiro | Complexo, porém confuso; falha na conexão emocional | Clareza narrativa, humor integrado | Arco emocional sólido, foco em identidade | Risco de sobrecarga de personagens |
| Ritmo | Lento, algumas sequências arrastam | Ágil, poucos momentos de pausa | Equilibrado entre ação e drama | Incerto, depende da execução |
| Recepção crítica | Misto: elogios visuais, críticas ao storytelling | Positiva, considerado um dos melhores do MCU recente | Altamente positiva, destaque para representatividade | Esperada, ainda sem avaliações |
| Apelo ao público brasileiro | Dividido: fãs de arte vs. fãs de ação | Alto, humor e identificação com o “cara de rua” | Bom, representatividade e lutas marcantes | Potencial, se equilibrar ação e narrativa |
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Com base nos critérios acima, podemos apontar quem deve assistir (ou reassistir) cada filme:
- Fãs de cinema autoral – Eternals oferece uma experiência visual única, mesmo que o enredo seja denso.
- Amantes de humor e leveza – Spider‑Man: Brand New Day entrega risadas e ação sem complicações.
- Quem busca representatividade e coreografias marcantes – Shang‑Chi é a escolha ideal.
- Curiosos por anti‑heróis e narrativas sombrias – Thunderbolts promete, mas ainda é incerto.
O que falta saber
Chloe Zhao, durante sua masterclass no Venice Film Festival, reforçou que não devemos descartar histórias de quadrinhos como “baixo” nível artístico. Ela destacou a importância dos arquétipos e do papel dos super‑heróis como “containers” para processos emocionais coletivos. Essa visão pode influenciar futuras produções do MCU, sobretudo se a equipe decidir investir mais em narrativas que explorem mitologia e identidade, ao invés de apenas efeitos explosivos.
Para o público brasileiro, a lição é clara: o MCU ainda tem espaço para diversificar – tanto em estética quanto em storytelling. Enquanto Eternals mostrou que a ambição visual pode ser um risco, filmes como Shang‑Chi provam que a combinação de cultura local e super‑poderes rende resultados memoráveis. O próximo passo será observar como a Marvel equilibra esses dois polos nas próximas fases.


